ativo e passivo

Ativo e Passivo: significado geral e psicanalítico

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Percebe-se que o mundo acaba se dividindo entre pessoas que são mais enérgicas e aquelas que são mais submissas. Além do comportamento e do caráter, outros elementos influenciam para a moldagem dessa postura dos indivíduos. Para nós entendermos melhor essa construção, vamos explicar hoje o que é ativo e passivo dentro e fora da Psicanálise.

O que significa ativo e passivo?

Uma pessoa ativa é aquela que exerce uma ação, sendo um agente que determina os rumos de uma situação. Por sua vez, uma pessoa passiva é aquela que submete-se a uma ação. Assim, o ativo e passivo são opostos completos de personalidade onde um rege aquilo que acontece e o outro é regido.

Na busca para esclarecer o que é passivo e ativo, vale exemplificar os conceitos a partir da perspectiva sexual e financeira. Quanto ao sexo, esses dois termos acabam servindo de gíria para categorizar a preferência dos parceiros na relação. Ou seja, o ativo é aquele que gosta de fazer penetração anal ou vaginal e o passivo é aquele que é penetrado.

Além disso, ativos e passivos são nomenclaturas utilizadas dentro da contabilidade para fazer referência a gastos, bens e direitos. Em suma, o passivo de uma empresa diz respeito às suas obrigações e aos seus débitos com contas e fornecedores. Já o ativo se trata dos seus direitos e bens, tudo aquilo que lhe é rentável e traz retorno financeiro, independentemente de que forma.

Características do ativo

Independentemente do contexto em que são colocados, o ativo e o passivo são facilmente reconhecíveis por qualquer pessoa. Mesmo que essa informação não esteja dada, é possível captar a essência de cada um e perceber o que ela significa na prática. O ativo, por exemplo, se caracteriza por ser:

Enérgico

Existe uma energia no ativo, uma vez que ele se movimenta significativamente para fazer as coisas acontecerem. Além disso, as ações desse tipo de pessoa são vistas quase que imediatamente, gerando consequências para ele por causa de sua energia.

Vigoroso

Não somente a energia, mas o vigor se mostra presente nesse indivíduo que demonstra atividade. Ele costuma ser mais participativo e/ou engajado em tudo aquilo que faz, demonstrando o seu empenho.

Espirituoso

A pessoa ativa é espirituosa no sentido de possuir vontade, se envolvendo e participando com afinco naquilo que faz.

Características do passivo

É importante tratar também do significado de passividade, abordando as suas características. O passivo assume um caráter totalmente oposto em relação ao ativo. Assim, a relação entre as duas personalidades pode ser considerada como de oposição ao mesmo tempo em que é complementar. As características mais comuns do passivo são:

Submissão

Ele tende à obediência, submetendo-se ao ativo e até mesmo às situações da vida. Dessa forma, a passividade faz com que uma pessoa apenas aceite aquilo que lhe é mandado com resignação e calmaria.

Falta de iniciativa

Dificilmente você notará um passivo sendo proativo ou tomando escolhas em situações importantes. Ele tende a deixar que os ativos tomem conta da situação e façam tudo por eles.

Pouco gasto de energia

O passivo não é um preguiçoso, mas costuma ser mais “lento” em relação ao ativo. Diante de um problema ou tensão, ele nunca (ou quase nunca) responderá devidamente a esse contexto com soluções enérgicas.

O ativo e passivo na Psicanálise

Segundo Freud, ativo e passivo são os pares opositivos que dão base à vida psíquica. Eles acabam especificando espécies de metas ou objetivos pulsionais em cada pessoa. Psicanalistas observam essa oposição como uma peça importante para os relacionamentos numa perspectiva genética, como masculino-femino ou fálico-castrado.

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Para Freud, a atividade e a passividade são modalidades da vida pulsional, porém não implicam em oposição as pulsões ativas e passivas. Pelo contrário, o psicanalista afirmava que, por definição, uma pulsão era ativa. Em suas palavras, “cada pulsão é um fragmento de atividade; quando se fala de forma pouco rigorosa de pulsões passivas, o que afinal se quer dizer é pulsões de meta passiva”.

A passividade em Psicanálise

Os psicanalistas observam a passividade dessa meta em exemplos claros no qual a pessoa é vista (exibicionismo) ou maltratada (sadomasoquismo). Para se entender a passividade, seria preciso distinguir o comportamento manifestado em tais fantasias. No comportamento, há reivindicação pulsional para se ter satisfação quando alguém está a mercê do outro.

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Quanto às fantasias, vê-se que a posição passiva não se separa do oposto, como visto no masoquismo. Dessa maneira, existe a presença simultânea do ativo e passivo. Entretanto, seja na natureza da satisfação buscada, seja na posição fantasiosa, esse complemento não esconde a irredutibilidade dos papéis sexuais entre ativos e passivos.

Crescimento

No tocante ao desenvolvimento do sujeito, Freud atribui uma grande importância à oposição do ativo e do passivo. O psicanalista defende que esses termos antecipam outros pares opostos importantes, como masculinidade-feminilidade e fálico-castrado. De acordo com Freud, seria na fase anal que “a oposição que se encontra em toda a vida sexual surge claramente”.

Para o elemento ativo existe a constituição pela pulsão de dominação, sendo ligada à musculatura. Já o órgão com meta sexual passiva é representado por uma “mucosa intestinal erógena”. Embora não signifique que não haja coexistência, ativo e passivo não são vistos como antagônicos ainda.

Transformações

Outros estudiosos além de Freud buscaram entender e esclarecer melhor a relação entre ativo e passivo. Ruth Mack Brunswick descreveu a fase antes do Complexo de Édipo em relação ao desenvolvimento libidinal. Segundo ela:

“Três grandes pares de opostos existem ao longo do desenvolvimento da libido, misturando-se, sobrepondo-se, combinando-se sem nunca coincidirem totalmente, para finalmente se substituírem uns pelos outros; a vida do bebê e da criança é caracterizada pelos dois primeiros, e a adolescência pelo terceiro.”

Em suma, a autora mostra que a criança começa a vida sendo totalmente passiva no relacionamento com a mãe. Bastando que a mãe a satisfaça, a criança não se mostrará tão enérgica e proeminente. Ainda assim, ela vai carregar elementos que a façam se identificar com uma mãe mais ativa.

Considerações finais sobre o ativo e passivo

A relação entre ativo e passivo gera um ciclo oposto e complementar que impulsiona qualquer relação. Existe um encaixe por dependência entre essas pessoas para o desenvolvimento de uma relação. Caso um ativo ou passivo encontre com um semelhante é quase certo que haverá um “conflito”, isto é, uma falta de comunhão baseada em seus interesses.

Tanto na perspectiva psicanalítica, quanto na financeira e na social, é interesse notar a interação existente. Um não existe sem o outro, sendo que uma pessoa irá agir ativamente, visando chegar a um fim comum de interesses. Mas e você: em relação à vida costuma ser mais ativo ou passivo?

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