Além do Infinito

Além do Infinito: Desvendando o Mosaico das Escolhas na Teia da Vida

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Hoje neste texto falaremos sobre além do Infinito.

“Durante sua vida, desde o silêncio, você sentiu falta de poder cantar. Ainda muito pequena, nas noites de jarê, sentava na sala da casa, no colo de sua mãe, e cantava o ponto de Santa Bárbara e do velho Nagô. Ainda muito cedo seu canto se desfez. E você não consegue fazê-lo ecoar nem mesmo dentro de si. Quando se pode compreender o que lhe aconteceu, se perguntou: Por que sempre queremos as coisas que parecem estar mais distantes de nós?” – Torto Arado, por Itamar Vieira Junior.

Entendendo sobre além do Infinito

Resolvi escrever um texto de final de ano e selecionei trechos de livros que li e venho estudando nos últimos meses para aprofundar as minhas reflexões. Venho aprendendo com Clarissa Pinkola Estés que resgatar histórias nos auxiliam num processo mágico de consciência sobre as coisas e além do Infinito.

O trecho acima está presente no livro Torto Arado, escrito pelo maravilhoso Itamar Vieira Junior. Este homem encantado escreveu um livro esplêndido pelo olhar de mulheres fortes. Escolhi esse parágrafo para abordar o tema que resolvi discutir sobre, que é: A vida e suas infinitas possibilidades.

Esta parte do livro se refere a Belonisia, uma das mulheres da história que sofreu um acidente na infância, consequentemente perdendo sua fala. Belonisia, por muito tempo, se fez calar internamente também. Permaneceu infiltrada num silêncio que ia além da sua incapacidade de formar frases e palavras. Depois de um tempo ela se perguntou o porquê nós sempre queremos as coisas que parecem estar mais distantes de nós.

Sobre além do Infinito: agora eu te pergunto, por que você acha que fazemos isso?

Como eu mencionei antes, na vida existem infinitas possibilidades para cada momento. Um grande amigo meu me disse uma vez que “quem vive de passado é museu”, e eu concordo. Sim, usamos o passado como uma referência para ver o que queremos mudar, melhorar e deixar para trás. Logo, o passado é o que é, não temos como pensar em infinitas possibilidades sobre ele porque o que aconteceu está bem longe de nós.

Já o futuro, ou seja, todo e qualquer momento que virá a seguir, ele sim tem diversas possibilidades. O que realmente podemos compreender é que temos o livre arbítrio para viver algo conscientemente ou de uma forma sem presença e maturidade. Essa ação é feita a cada novo instante. Seja no trabalho, em casa, na rua… seja onde for, sempre estamos suscetíveis às mudanças.

Eu responderia a pergunta de Belonisia dizendo: talvez achamos que queremos as coisas que parecem estar mais longe de nós porque há momentos em que vivemos mais nas nossas ilusões e fantasias do que presentes na “vida real”.

Mudanças na vida

“Algumas vezes as mudanças acontecem na marra. Uma guilhotina afiada corta as nossas mãos, e todas as rédeas escapam. É o que pensamos ter acontecido, até que a gente se dá conta de que nunca houve rédeas. Ninguém monta na vida. Brincamos de escolher, brincamos de poder conduzir o destino.

Precisamos dessa ilusão para viver os dias de antes, dias em que podemos tudo só porque pensamos poder, e então a vontade do que está fora da gente joga a sua sombra densa e pegajosa. Ficamos prisioneiros do que não queremos muito antes da morte.” – Tudo é rio, por Carla Madeira.

Nós, seres humanos, temos a tendência, muitas vezes compulsiva, de nos prender a coisas, objetos e a ideias que nos conduzem para uma vida condicionada. O trecho acima que trouxe do livro Tudo é rio da Carla Madeira me fez refletir sobre as minhas próprias ilusões sobre a realidade.

O desenvolvimento psíquico e além do Infinito

Sabemos por meio de estudos relacionados ao desenvolvimento psíquico do sujeito que a percepção sobre as coisas é subjetiva. O que vemos, escutamos, sentimos, e pensamos sempre será diferente em comparação com uns aos outros. Mesmo sendo aptos a nos expressar pela fala, arte, música, escrita e diversas outras formas de linguagem, nada muda o fato de que somos individualmente únicos.

Creio que o sofrimento humano está diretamente ligado com a incapacidade coletiva de desenvolver uma percepção mais ampla e consciente sobre as coisas mundanas. Enquanto algumas coisas são óbvias para uns, podem ser absurdas para outros. A intolerância, o preconceito, o racismo e a estrutura patriarcal podem parecer completamente desnecessários para muitas pessoas, mas para outros indivíduos ela funciona.

Não gosto de pontuar as coisas como certas e erradas porque, de certa forma, isso pode vir a soar um pouco cínico da parte de cada um. Sabemos que matar é algo extremo e que se você fizer isso, vai preso e é considerado antiético. Isso é óbvio para quem teve uma educação ou para quem não tem algum transtorno psíquico ou doenças patológicas. Mas o amor, por exemplo, não é tão óbvio assim para as pessoas como algo tão extremo como a morte. Por que será? Crenças estão interligadas com o instinto inato de sobrevivência.

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O preconceito

Então se eu pontuo algo por que creio naquilo é porque temo algo que me aflige, certo? Um exemplo claro disso é o preconceito e o extremismo religioso. Muitos têm pavor a relacionamentos lgbtqiapn+, talvez por estarem submersos na própria ilusão de vida, aquela que aprisiona muito antes da morte. E porque a morte é mais fácil de aceitar que um relacionamento homoafetivo?

Porque temos certeza que uma hora ou outra vamos morrer, mas não temos certeza sobre as infinitas possibilidades de se relacionar que temos. Isso tudo porque estamos socialmente e estruturalmente condicionados a um padrão e a um sistema que receia e pressente seu fim.

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    “Mas a sexualidade da mulher não é castrada. Ela é apenas mais misteriosa e sofreu pela demora em ser entendida, principalmente porque fisiologicamente é mais interna. Quando Lacan diz que ‘a mulher não tem sexo’, acho que ele quer dizer que ela é, na verdade, toda sexual. É simplesmente lindo! O que ela não tem é gênero. A mulher é puramente erógena.” – Pós-F, por Fernanda Young

    Psicologia Junguiana e o além do Infinito

    Sobre além do Infinito, fiz um trabalho na faculdade para um curso de Psicologia Analítica Junguiana sobre a história do lobisomem e do boto cor de rosa. Obtive nota máxima, o que me deixou feliz, pois escrevi de uma forma um tanto quanto pessoal. Abordei ambas histórias no contexto de desconstrução social referente ao que se diz ser o “homem ideal”. Essa pequena parte do livro de Fernanda Young cita o psicanalista Jacques Lacan.

    Além de estar fazendo minha segunda graduação em Psicologia, sou publicitária e psicanalista. Faço análise lacaniana e também levo as suas teorias para os meus analisandos que atendo de forma social, no momento. Lacan desenvolveu esta percepção de que a mulher não existe porque há uma liberdade a mais nas possibilidades pessoais de cada mulher de desenvolver uma personalidade e individualidade que seja única e somente dela.

    Já os homens se encaixam no sistema patriarcal que dita um padrão que deve ser seguido de homem ideal. Lembrando que são outras épocas e talvez eu não falaria “a mulher não existe” porque numa visão geral, é claro que ela existe. Mas isto dá um certo poder para a mulher de, inclusive, desconstruir todo o padrão que é imposto socialmente e estruturalmente a nós.

    Intensidade emocional

    No texto que mencionei ter desenvolvido sobre o lobisomem e o boto cor de rosa, falei sobre esse homem que aqui gostaria de chamar de: homem X. O homem X é o cara “super cool”, gato, trabalhador, charmoso… aquele que conquista qualquer uma e que muitas mulheres babam nos seus pés. A lenda do boto cor-de-rosa conta a história de um boto que se transforma em um homem sedutor durante a noite e seduz mulheres locais.

    Após seduzir uma mulher e deixá-la grávida, ele retorna ao seu estado de boto. Já o lobisomem é aquele que se torna um lobo na lua cheia. E o que podemos observar sobre a lua cheia no sentido energético? Na astrologia e no misticismo, a lua em sua fase cheia simboliza um momento de intensidade emocional.

    Acho interessante que o homem vira lobisomem exatamente nesse ápice de energia, sendo incapaz de controlar seus impulsos. No dia a dia isso ocorre com certa frequência. Não só os homens, mas qualquer indivíduo pode agir impulsivamente por ter retido tanta energia emocional. Pelo o que observamos nas notícias e nas redes, grande parte dos casos de violência parte dos homens, talvez um dos fatores seja se permitir a sair desse padrão de homem X, aquele que cria uma resistência à vulnerabilidade.

    Mudar é inevitável e além do Infinito

    Voltando ao trecho que trouxe do livro Pós-F, acho interessante pontuar que estamos vivendo um momento de grandes mudanças. A forma que vemos e percebemos o mundo vêm se transformando rapidamente. Ainda permuta na sociedade diversos contextos extremos relacionados ao preconceito, racismo e questões vinculadas tanto ao sistema patriarcal quanto a assuntos inconscientes não averiguados individualmente.

    Qual é a necessidade de se prender a assuntos tão banais e a crer em opiniões tão psiquicamente destrutivas? Talvez seja interessante você responder essa pergunta. Questionar é necessário. Rever é valioso. Mudar é inevitável.

    Podemos, sempre que possível, lembrar que os pólos feminino e masculino são inerentes a nós seres humanos, então a integração deles também é importante para viver de uma forma mais plena e consciente. Na vida vamos esbarrar com polêmicas, com conflitos e viver tende a ser algo subjetivo. O que é viver para mim não é necessariamente o mesmo para você.

    Conclusão sobre além do Infinito

    Mas uma coisa já deu né? Pelo menos para mim já deu olhar para a vida e querer que você veja o mesmo que eu vejo, que sinta o mesmo que eu sinto. O respeito não vem do ato de acreditar em uma suposta “verdade absoluta” e fazer dela a mesma para todos. A ética existe, a lei existe, e o livre arbítrio é algo que temos em comum.

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    Se nada é óbvio devido à subjetividade e amplitude dos pensamentos, como entrar num consenso do que realmente faz mal para o coletivo? Certas coisas são tão limitadas, tão pequenas e tão longe das inúmeras possibilidades de uma realidade pacífica que talvez devam ser desconsideradas por todas as pessoas que querem viver o amor.

    Se prender ao passado e às percepções que não se encaixam mais nas novas possibilidades e formas de viver a vida não vêm fazendo o bem. Que tal remover as sujeiras da lente da nossa psique e olhar para a vida como ela é? Com medo, mas com coragem. Com limites, mas com desejo. Se permitir a viver entendendo que o outro pode e deve fazer o mesmo.

    Que venham novos ciclos!

    Este artigo foi escrito por Maria Beatriz Vieira Alves, formada no Curso de Formação em Psicanálise.

    3 thoughts on “Além do Infinito: Desvendando o Mosaico das Escolhas na Teia da Vida

    1. Arli Zegatte disse:

      Precisamos entender o que realmente queremos para nossa vida, e parar de viver a vida dos outros, saiba qual o seu significado de vida e faça o que for preciso para manter o controle da sua vida e isso vai te levar ao que você deseja.

    2. Adriana Maria Bigolin disse:

      O desprendimento da vida condicionada e convencional, nos permite ampliar as possibilidades de visão da vida além de si mesmo!

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