Branca de Neve: Análise Psicanalítica da História

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Um dos mais famosos contos de fadas da história carrega detalhes que mascaram a real intenção dessas histórias. Branca de Neve proporciona reflexões subjetivas a respeito do crescimento e relacionamento da personagem de forma a nos espelhar. Entenda melhor o seu enredo com base na perspectiva abaixo.

A história

A história da Branca de Neve carrega diversas versões, ainda que se encontrem em algum ponto. A mais difundida hoje conta a história de um casal da realeza que, após expectativas, tem uma filha como imaginavam. A garota possui uma pele extremamente branca, face rosada e um cabelo negro como a noite.

Após o seu nascimento, sua mãe veio a falecer e ela permaneceu aos cuidados do pai por um ano. Esse tempo foi o suficiente para que ele pudesse conhecer uma nova mulher e se casasse com ela. Entretanto, a mulher era, em segredo, uma bruxa obcecada pela beleza. A mesma ficou furiosa ao saber que a jovem se tornara a mais bela do reino.

A fim de virar a mais bela, mandou que assassinassem a garota, fazendo com que essa se refugiasse na floresta. Ao longo dos anos, a jovem passou a conviver com os anões enquanto crescia até retomar o seu posto anterior. Mesmo após ser envenenada pela bruxa disfarçada, conseguiu vencê-la e retornar para casa triunfante.

A jornada do autoconhecimento

Como mencionado acima, a existência de Branca de Neve acaba por se tornar um problema para a madrasta. Gradativamente, a garota busca escapar dessa tríade familiar como forma de aliviar o tormento que sete. Com isso, inicia uma jornada solitária para encontrar a si mesma. Todos com que ela encontram dificultam ou facilitam essa fase.

Esse processo exemplifica bem a procura pela independência familiar a fim de construir uma identidade própria. A jovem simboliza a partida daqueles que abraçam o mundo como forma de enfrentar os mais variados desafios e vencerem. Após bastante tempo, a experiência proporciona bagagem para que esta se abra com alguém e retome seu posto.

Na história, notamos que os anos passados com os anões proporciona elaboração de problemas enquanto esta cresce. Ao mesmo tempo, podemos fazer um paralelo direto com a adolescência. É justamente nessa época que nos sentimos perdidos, deslocados e em meio a tantas coisas estranhas. Ainda assim, é o caminho e época de crescimento.

A figura dos anões

Notamos que em Branca de Neve, embora sejam vitais à sua sobrevivência, os anões têm apenas papel complementar na história. Os mesmos vivem isolados de outras pessoas numa floresta e trabalham em uma mina para poderem trabalhar. Com isso, notamos uma presença de distanciamento de um contato social mais pessoal de todos.

Isso porque a história dá ênfase de que os anões não possuem uma humanidade bem amadurecida. Assim sendo, ficaram presos ao que chamam de estágio pré-edípico. Basicamente, a mensagem é que anões não têm pais, não conseguem se casar e, consequentemente, terem filhos.

Ademais, o único foco sobre eles é para averiguarmos todas as mudanças que a protagonista passa na história. De certo modo, isso acaba perpetuando a marginalização que os mesmos sofrem no mundo externo. Eles também representam a fase infantil que não foi devidamente trabalhada, gerando comportamentos precoces à idade.

Fases de crescimento

Mesmo com toda a ausência que sofreu na vida, Branca de Neve trabalha bem o seu desenvolvimento interno enquanto cresce. A história proporciona um dos vislumbres mais completos da relação entre pais no crescimento dos filhos. Com esse conto de fadas, notamos claramente a:

Infância edípica

Como dito anteriormente, a mãe da moça morreu logo que esta nasceu. Com isso, a jovem passou muito tempo sozinha ao lado do pai enquanto crescia. Nesse caminho, acabou se criando uma espécie de “dependência edípica” gigantesca. Graças a essa ligação, a moça entra em conflito com a madrasta assim que esta intervém.

Adolescência e o desprendimento da infância

A adolescência se mostra como um reflexo direto das experiências que a jovem cultivou na infância. A mesma recebeu muito amor por parte do pai e isso se reflete na sua postura. Contudo, a mesma não foi ensinada a questionar quando fosse necessário. Esse momento de sua vida, onde é obrigada a fugir, ajudará ao que vem depois na fase adulta.

Fase adulta e resultados

Por fim, após passar por tantos desafios, a jovem é impelida ao crescimento definitivo. Aliados aos eventos da infância, os problemas da adolescência determinaram os fatores de crescimento definitivo. A adulta que se tornou deriva diretamente de toda sua trajetória em família e sozinha no mundo sem proteção alguma.

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O simbolismo do sangue na história

O vermelho assume uma posição de contraponto claro em Branca de Neve. O mesmo contrapõe os elementos mais lúdicos e infantis, dando uma carta ao perigo e à mudança. O simbolismo que a cor costuma carregar indica uma situação de perigo, violência e alteração. Isso fica claro no:

A inocência e o desejo sexual

A composição da protagonista remete a elementos natos do desenvolvimento sexual de uma pessoa. O branco significa a pureza, algo que não foi tocado e maculado. Já o vermelho representa a mudança desse estágio a uma vontade enquanto crescemos. Com isso, remetemos justamente na puberdade para manifestar nossos desejos sexuais.

A menstruação

Assim como em outros contos com protagonistas femininas, o vermelho remete claramente à menstruação. Enquanto crescem, há um abandono gradual da infância e do que esta carrega. Assim, as garotas esquecem de uma época mais inocente para adentrarem nos estágios da vida adulta. Assim que menstruam, percebem que já podem engravidar.

Rompimento do hímen

Sendo um dos fatos mais perturbadores a uma criação, o rompimento do hímen indica que cresceram. A história mostra de forma maquiada que a presença de sangue à primeira concepção é algo obrigatório. Ademais, como forma de mascarar, conduz o caminho de forma a mostrar que isso representa algo feliz e bom.

Considerações finais: Branca de Neve

Assim como qualquer outro conto infantil, a composição de Branca de Neve mostra de forma crua o crescimento infantil. O simbolismo por trás de alguns elementos mostram que a fase adulta é carrega desafios e a jornada sempre tumultuada.

Entretanto, são justamente esses desafios que acabam por moldar a nossa personalidade no final. A experiência que agregamos ao fim mostra o quão resilientes nos tornamos com o passar do tempo. Assim, o estado que nos encontramos na vida adulta mostra o quanto preparados estávamos, bem como a nossa capacidade de resistir.

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