Caso Dora analisado por Freud na psicanálise

Caso Dora: estudo de caso de Freud

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Algo recorrente nas pesquisas de Freud é a sua dedicação para desvendar as causas de episódios clínicos envolvendo a histeria. O trabalho dele posteriormente acrescido com o saber de outros psicanalistas foi importante para esclarecer muitos conflitos mentais da humanidade. Assim sendo, vamos conferir o caso Dora e entender melhor a perspectiva freudiana a respeito dele.

Sobre a histeria

O caso Dora é um dos exemplos de histeria mais famosos trabalhados por Freud. Segundo o psicanalista, se trata de uma histeria caracterizada pela tosse nervosa e dificuldade da fala, resultantes do aspecto dos seus traumas. Nesse caso, há uma oposição entre a atração dela tanto por homens como por mulheres, indicando uma possível bissexualidade.

A histeria é uma classe de neuroses com quadros clínicos diversificados que, segundo estudiosos, estão ligados aos conflitos psíquicos inconscientes. Não só os conflitos, mas também o recalcamento de fantasias expressas por meio de simbolizações. Ainda que não seja obrigatório, os histéricos podem apresentar sintomas fóbicos ou conversivos.

Outros sintomas característicos e ligados ao recalcamento do paciente são:

  • as ilusões da memória, onde falsas memórias podem ser criadas;
  • amnésias de determinados períodos da vida.

Enquanto fazia os seus estudos, Freud demonstrou grande interesse nas descrições do pensamento inconsciente e sonhos da paciente.

O caso Dora

No caso Dora conhecemos uma moça de 18 anos, distanciada do irmão mais velho a medida que o tempo passou. De acordo com registros, o irmão se afastava das brigas familiares, mas apoiava a mãe quando era obrigado a agir.

Para Freud, a atração/tensão sexual aproximou pai e filha, bem como a mãe e o filho do outro lado. O pai de Dora tinha amizade com um casal, identificados com Sr. e Sra. K, em que tal mulher cuidou dele doente.

Enquanto isso, o Sr. K tentava agradar Dora, dando até presentes e passeios, algo visto sem maldade pelos outros. Porém, a jovem relatou à mãe que o homem tentou lhe propor romance em uma das suas caminhadas pelo lago.

Essa vivência de Dora com o Sr. K, o que inclui as propostas amorosas e afronta a honra, parecem ter iniciado o trauma psíquico. Conforme dito por Freud e Breuer em suas pesquisas, esse trauma vivido por ela deu início ao seu estado histérico.

Inversão de afeto no caso Dora

Ao passo que nos aprofundamos no caso Dora, descobrimos que o Sr. K armou um encontro para ficar a sós com a jovem. Ele a beijou nos lábios e em vez de uma excitação sexual ela sentiu uma repugnância pela situação.

Além do deslocamento da sensação, a paranoia dela a respeito da situação se manifestou durante a formação do delírio. A interpretação do caso Dora quanto a ausência da fala dela era de que quando afastada do pai as palavras perdiam o seu valor.

Além disso, Dora via seu pai como alguém de posses, mas sem recursos como homem, interpretando ele como impotente sexualmente. Desse modo, ela obtia o seu prazer sexual estimulando a garganta e boca por meio de tosses e chupando o seu dedo.

Sonhos do caso Dora

O caso Dora para Freud possuía diversas camadas, sendo uma das mais importantes os seus sonhos. A jovem foi específica quanto a dois deles:

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Primeiro sonho

“Uma casa estava em chamas. Papai estava ao lado da minha cama e me acordou. Vesti-me rapidamente. Mamãe ainda queria salvar sua caixa de joias, mas papai disse: – Não quero que eu e meus dois filhos nos queimemos por causa da sua caixa de joias. Descemos a escada às pressas e, logo que me vi do lado de fora, acordei.”

O significado desse sonho diz respeito ao desinteresse de Dora pelas joias, mas buscando o estojo. Entende-se que está relacionado de alguma forma com o irmão afastado dela.

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    Além disso, aqui também está a imagem da Sra. K sendo capaz de atender o desejo tanto do pai de Dora, quanto do Sr. K.

    Segundo sonho

    “Andando em uma cidade estranha, cheguei em casa e encontrei uma carta da minha mãe. Desesperadamente procurando pela rodovia demorei para encontrá-la depois de pedir ajuda ao saber que meu pai tinha morrido. Ao chegar em casa descubro que o restante da minha família também estava morta..”

    Esse segundo sonho menciona o pai simbólico e o morto sendo alcançado no vazio. Não o bastante, também há uma censura à mãe por essa não ter deixado a filha crescer como homem.

    Essa última informação é tirada da escolha da mulher em afastar a filha da informação de que o pai havia falecido.

    Identificação

    No caso Dora há identificações imaginárias com um pai idealizado fazendo ela questionar o que é o homem e mulher. Segundo Freud, ela se identificava com o portador do pênis algo que ela não simbolizava, o que era ser mulher.

    Em vista disso, a Sra. K preencheu o que lhe faltava, fazendo Dora dividir com o pai o desejo por essa mulher. Na neurose se percebe que os doentes são dominados pela oposição entre a fantasia e a realidade.

    Embora pareça contraditório, aquilo que mais desejam em suas fantasias é o motivo da sua fuga quando é dado para eles na realidade. Assim se entregam mais as suas fantasias porque não temem a realização delas.

    Repressões

    O afeto de Dora ao Sr. K acabou se confundindo como apaixonamento e tentando evitar esses sentimentos trouxeram outros escondidos. No caso, o desejo por seu pai que foi recalcado na infância, evitando simultaneamente a aproximação do homem e do seu pai com a Sra. K.

    Entretanto, ressaltamos que a paixão da jovem continuava ao nível inconsciente onde ela não compreendia tais sentimentos.

    Lacunas

    Ao ser perguntada sobre a possível paixão pelo pai e pelo Sr. K, Dora negou imediatamente, afirmando também não lembrar. Ela não mentia conscientemente, já que tais lembranças podem ser apagadas quando o recalque acontece.

    Assim, amnésias podem surgir e até memórias falsas na mente do indivíduo neurótico. Além disso, a tosse que a garota tinha era um sintoma do que ela chamou de relacionamento oral entre o pai e a mulher.

    Essa tosse também poderia ser uma identificação com a tuberculose que o acometeu quando ela tinha 6 anos. Logo, os conflitos psíquicos dela se transformaram em sintomas físicos durante a histeria quando se sentiu confusa com seus sentimentos.

    Considerações finais sobre o caso Dora

    O caso Dora, em suma, relata a experiência de uma jovem ao lidar com sentimentos reprimidos pelo pai. Enquanto eles são trazidos à tona, a garota precisa também lidar com seus traumas psíquicos sem o preparo emocional adequado.

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    Atração, repulsão e dualidade em seus desejos provocaram um período turbulento de reavaliações pessoais. É importante ressaltar que o caso dessa moça trabalha com muitas outras temáticas importantes para análise.

    Conforme disse Freud, outras interpretações poderiam ser colocadas aqui, mas 3 meses foram insuficientes para mais investigações. Logo, esse artigo em questão tentou explicar melhor o desenvolvimento de uma histeria com base em um caso real.

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