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Contratransferência: o que é, significado, exemplos

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A relação entre terapeuta e paciente pode ser muito complexa quando a perspectiva individual de cada um deles é analisada. Embora o foco desse encontro seja trabalhar as necessidades do paciente, o analista também é afetado no decorrer da terapia. Por isso que nós vamos esclarecer o que significa contratransferência e dar exemplos de momentos em que ela acontece.

O que é contratransferência?

A contratransferência se trata das emoções e sensações que o terapeuta vive ao longo de uma sessão. Trata-se de uma reação interna resultante da relação com o seu paciente e da forma como o terapeuta é impactado pelas histórias dele. Desse modo acontece uma identificação pessoal, consciente ou não, sentida intimamente pelo próprio analista com o seu analisado.

Enquanto os pacientes experimentam a transferência, os terapeutas vivenciam a contratransferência na Psicanálise de maneira quase inevitável. Tudo porque os relacionamentos atuais podem ser sentidos como uma atualização das vivências antigas do analista. Em outras palavras, o profissional acaba se conectando pessoalmente com o seu analisado.

Desse modo podemos notar que tanto o paciente quanto o analista experimentam inconscientemente a vivência um do outro, cada um a partir de sua própria perspectiva. Porém, o analista tem condições de perceber essa troca e também de direcionar as suas emoções no relacionamento terapêutico.

Significados

Quando o assunto é o significado universal de contratransferência, muitos autores expõem uma visão pessoal a respeito do tema. Alguns estudiosos afirmam que o processo se trata de tudo o que intervém na personalidade do analista a partir do tratamento com um paciente. Por sua vez, outro grupo defende que esse mecanismo afeta os processos inconscientes do profissional a partir da transferência do analisado.

Segundo o psiquiatra Daniel Lagache, esta última explicação é a mais plausível para ser trabalhada. Contudo, a reação não fica limitada apenas ao analista e às suas impressões, mas também necessita da participação do analisado. Ou seja, há trocas inconscientes entre os participantes da sessão.

Espaços de trabalho

A transferência é algo comum dentro do consultório, uma vez que sempre é esperada pelos profissionais. Entretanto, a contratransferência recebe uma vigilância constante por parte do analista, que compreende os sentimentos nutridos pelo paciente. Desse modo ele mesmo é capaz de ver a origem dos traumas vividos pelo paciente, mesmo que se veja neles.

É possível observar que existe uma relação de causa e consequência nessas internalizações emocionais do paciente e analista. A contratransferência é uma resposta do profissional ao paciente, podendo ser descrita como “transferência do analista”. Ainda que afete o terapeuta, essa transferência resultante das interações com o paciente ajuda a compreender o mundo desse visitante.

A perspectiva freudiana

Quando busca-se por registros do que seria contratransferência para Freud, não se encontra tantas passagens a respeito em sua obra. Em suma, o psicanalista afirma que o doente “exerce uma influência sobre os sentimentos inconscientes do médico”. Contudo, Freud deixa claro que “nenhum analista vai além do que os seus próprios complexos e resistências internas lhe permitem”.

Após Freud, outros psicanalistas se dedicaram ao estudo do reflexo do paciente nas vivências anteriores do analista. À medida que esse tratamento era melhor compreendido, ele acabou por ser descrito como um relacionamento dos envolvidos no consultório. Além disso, as reações inconscientes do analista passaram a ser solicitadas durante o tratamento com o paciente.

Orientações

Caso um analista se deixe guiar pelas manifestações da contratransferência em si mesmo o tratamento por ele realizado fica comprometido. Ainda que o profissional não perceba, as palavras e vivências do paciente acabam refletindo em suas próprias experiências. Com o intuito de evitar essas interferências, é recomendado para o analista:

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Limitar manifestações contratransferenciais

Assim que a análise começar, o analista precisa diminuir tanto quanto for possível as suas reações em relação ao paciente. Embora o controle total não seja possível, ter consciência a respeito da análise permite ao profissional estudar o caso de maneira mais estruturada. Desse modo, apenas a transferência do paciente servirá para avaliação sem interferências maiores.

Se a inibição não é possível, recorrer ao controle

Freud indicou que todos nós possuímos um aparelho psíquico capaz de interpretar as manifestações do inconsciente das outras pessoas. Caso a inibição contratransferencial não seja possível, o analista deve usar apenas uma parcela dela para compreender melhor o paciente. Assim terá menos chances de se envolver por completo com o analisado em questão.

Reflexão

Por fim, no caso do uso do processo contratransferencial, se guiar de maneira limitada em suas próprias reações pode ser benéfico. Refletir parcialmente, embora com controle, as impressões do paciente ajuda o profissional a fazer uma interpretação melhor da situação.

Assim, o inconsciente do paciente conversa com o inconsciente do analista para construir uma comunicação. Cria-se um ambiente produtivo para se desenvolver um tratamento dos problemas do analisado. No entanto, isso só ocorre quando o profissional não se deixa influenciar demais por essas projeções.

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Diferença entre transferência e contratransferência

É quase inevitável falar em contratransferência sem citar a transferência. Isso porque, em algum nível, ambas se influenciam. Independentemente de quais sejam, cada um desses processos diz respeito a como os participantes refletem emocionalmente a experiência da terapia.

Quando se trata de transferência, o paciente recria as suas fantasias infantis, projetando no analista as figuras conhecidas da sua vida. Por exemplo, uma pessoa pode enxergar em seu analista a figura do seu pai, mãe ou alguém que o marcou. Contudo, as reações do profissional e paciente em relação ao momento não são independentes entre si.

O analista precisa criar um vínculo com o paciente para que essas trocas sejam permitidas dentro da terapia. Entretanto, o profissional não deve ceder por completo ao processo contratransferencial e se deixar levar pelos afetos em relação ao visitante. Assim, o terapeuta somente deve responder as impressões que lhe parecem importantes para interpretar as causas do mal-estar do paciente.

Exemplos de contratransferência

Em linhas gerais é simples observar como a contratransferência pode afetar a percepção do analista em relação ao paciente. Talvez você já tenha ouvido algo a respeito de como um terapeuta deve se comportar durante o seu trabalho, sendo profissional. Assim que o processo contratransferencial acontece, o analista pode manifestar sinais como:

Apaixonar-se pelo paciente

Se um terapeuta acaba apaixonado pelo paciente certamente o resultado do trabalho terapêutico ficará comprometido.

Tratá-lo como membro da família

Talvez o profissional, ao ouvir os relatos do seu paciente, faça associações com as suas próprias vivências. Embora a empatia possa surgir, ela não deve interferir na análise do profissional a ponto de ele querer acolher o analisado.

Ser agressivo

Ainda que um fato relatado seja contrário aos valores do terapeuta, ele não deve ser agressivo com o paciente. É preciso ter em mente que a imparcialidade ajuda os envolvidos a desenvolverem a terapia sem maiores obstáculos.

Considerações finais sobre contratransferência

A contratransferência é uma prova de que o analista é capaz de ser afetado pelas vivências do seu paciente. Esse mecanismo é algo natural da percepção humana, agindo como um refletor da própria experiência. Todavia, o profissional não deve se deixar levar pelas impressões que a sua mente criar nessa interação.

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Desse modo, ser imparcial e tentar utilizar as próprias reações de forma a facilitar o tratamento do outro pode aprimorar os resultados desejados. Isso porque, além de identificar rapidamente os anseios e necessidades do outro, o profissional saberá quais ferramentas utilizar primeiro.

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