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Corvo: significado em Psicanálise e Literatura

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Nascia, em Boston (Estados Unidos) em meados do ano de 1809, o famoso Edgar Allan Poe, que se tornaria um famoso autor, crítico e poeta. Ele se destacou principalmente por causa do seu poema O Corvo. Ele o escreveu durante o tempo em que sua esposa Virgínia Clemm-Poe estava com tuberculose. Na época, Edgar começou a consumir bebidas alcoólicas.

O que é O Corvo

Em janeiro de 1845, foi publicado aquele que se tornaria um de seus populares poemas “The Raven”, traduzido para o português “O Corvo”. Ele é conhecido por possuir uma certa musicalidade, ar sobrenatural e misterioso. Além disso, ele possui palavras íntegras e intelectuais, de difícil interpretação. Seu poema foi traduzido até mesmo pelo extraordinário autor brasileiro Machado De Assis.

O poema vai falar sobre um corvo falante que visitou um homem. Este era conhecido como um estudante, que ainda lamentava pela perda de sua verdadeira paixão chamada Lenore. Por essa razão, ele havia ficado enlouquecido.

O Corvo significado para a Psicanálise

Para Lacan, a poesia é terreno de um único sentido. Ele interpreta o poema a partir de uma ação racional e planejada, sem que fique nada para trás. Esse seria o propósito do corvo, que é obscuro mas faz ações planejadas.

Lacan descreve que a partir do símbolo, como o corvo é no poema, pode-se chegar à realidade e “acordar” o homem. Dessa forma, Lacan desenvolve seu conceito do “próprio da poesia”, afirmando que ela por si própria convoca o real.

Sinopse do poema Corvo

Esse Corvo, no poema é narrado por algum homem, o qual não foi identificado. No mês de dezembro, em uma certa noite ele lia algumas questões relacionadas a ciências ancestrais. Se encontrava em frente de uma lareira quando o fogo já estava se apagando.

Em certo momento, ele escutou batidas em sua porta que o intrigaram, até porque ninguém estaria por trás dela. As batidas repetiram e o seu som aumentou, mas o barulho não vinha da porta e sim da janela. Assim que foi olhar, um corvo entrou em seu quarto.

O homem pediu o seu nome, mas a única resposta que ele deu foi “nunca mais”. Claro, ele ficou surpreso porque o corvo falava e entendia, mesmo que não falasse mais nada depois. O narrador passa a dizer então para si mesmo que aquele seu amigo iria uma hora embora, pois sabe que todos seus amigos sempre “voaram”.

Respostas do corvo e questionamentos feitos pelo homem

Mesmo intrigado, o moço pegou uma cadeira, colocou na frente do pássaro e o questionou. Em certo momento, ele voltou a ficar em silêncio e seus pensamentos retornaram para sua amada Lenore. O narrador acreditou que o ar ficou mais pesado e imaginou que pudesse haver ali anjos.

Assim, o homem fez um questionamento a Deus, perguntando se ele estaria enviando um sinal para ele esquecer Lenore. O pássaro responde negando, e sugere que ele não poderia mais esquecer e se libertar de todas as suas memórias.

Com tudo isso, o homem fica muito bravo e ofende o pássaro o chamando de “coisa má”. Ainda assim, o homem tira sua dúvida com o corvo, perguntando se o pássaro ainda se encontraria com a sua amada Lenore quando chegasse ao céu. O corvo o responde mais uma vez com o seu “nunca mais”, o deixando-o furioso.

Poema para a Literatura

O poema é assustador, tendo um corvo e um narrador como personagens principais. É assustador por fazer com que a morte de uma belíssima mulher se transforme em algo poético. Edgar Allan Poe consegue transformar esse tema em um incrível e enigmático poema.

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O corvo de Edgar Allan Poe

Edgar fez o poema com um narrador, sequer seguindo normas ou instruções da literatura. O ponto principal abordado em seu poema é a devoção eterna. Ele faz o questionamento de um conflito bastante humano, que é a questão do lembrar e do desejo de esquecer.

O narrador diz que a fala do pássaro “nunca mais”  é a única conhecida pelo corvo. Ainda assim, o homem mesmo sabendo da resposta ainda fazia perguntas ao animal. As suas perguntas, que se relacionam a questões depressivas apontam para os sentimentos que podem ocorrer ao se ter uma perda.

Edgar expõe a questão de que o pássaro sabe o que diz ou quer causar algo no narrador de seu poema. De fato, o narrador se mostra instável ao decorrer de seu poema. Ele começa devagar e triste, depois fica angustiado e arrependido de alguma forma, depois passa a ficar em frenesi e por fim, mostra asua loucura.

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Alusões retratadas em O cervo

Edgar diz que quem narra o poema é um jovem e estudante ainda, mesmo que no texto isso não seja dito ou fique explícito. No poema, a narração é feita no entardecer da noite e quem a faz está lendo um livro chamado Curiosos Tomos de Ciências Ancestrais.

O tema desse livro pode estar relacionado a alguma magia oculta. Essa questão é mencionada até mesmo pelo fato do ator definir esse poema como escrito no mês de dezembro, que é associado às trevas. Edgar também usa a figura do pássaro que também está relacionada com o obscurantismo.

A imagem do demônio é exposta dessa forma, como diabo, pelo simples motivo do narrador associar o corvo à noite ou à escuridão. Ele também se relaciona à ideia de que traz mensagens depois da morte.

Inspirações e simbologia no poema

Edgar Allan Poe procurou colocar o corvo como simbologia no centro da história. Sua prioridade era escolher uma criatura que fosse irracional e pudesse falar.

Dessa forma, pegou o corvo como um dos principais personagens por considerar que poderia também falar. Ele acreditava que o tom combinava com o poema.

O corvo foi considerado por Edgar como uma lembrança triste e sem fim. Ele buscou sua inspiração inclusive em corvos da mitologia e histórias folclóricas.

No folclore hebreu, por exemplo, Noé tinha um corvo branco, que era utilizado para ver as condições do planeta enquanto ele estava na Arca. Na mitologia, Odin possuia dois corvos, Huginn e Muninn, que representavam a memória e pensamento.

Traduções

O poema do Corvo teve diversas traduções pelo mundo todo. As primeiras foram no Francês por Charles Baudelaire e Stéphane Mallarmé. Na época do lançamento do poema e dessas traduções, tal língua era um idioma geral. Portanto, a partir dela, outras traduções em diversos idiomas surgiram.

Como já foi dito, o primeiro a traduzir o poema para a língua portuguesa, foi o famoso escritor brasileiro Machado de Assis, que se inspirou na versão feita por Baudelaire. Conforme o jornalista Cláudio Abramo disse, muitas traduções contêm diversos “erros”, que inclusive foram difundidos em outras traduções para idiomas neolatinos.

Dessa forma, até mesmo a tradução do Machado de Assis acabou tendo problemas. “Sem sombra de dúvida, que a tradução feita pelo escritor é mais a versão francesa que a própria original. Da mesma forma que contém as mesmas adições, mesmas palavras, mesmice e omissões […]” disse certa vez um jornalista sobre as diversas traduções do poema O corvo.

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Considerações finais

O corvo de Edgar Poe” nos mostra o incrível talento de Edgar em transformar uma história assustadora em um incrível e enigmático poema. Adquira o nosso curso online de Psicanálise para mergulhar em histórias fantásticas sobre o mundo psicanalítico. Assim, você aproveitará para enriquecer o seu conhecimento.

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