Eros

Eros: o Amor ou Cupido na mitologia grega

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Ao longo do tempo aprendemos a respeito dos mitos antigos, certamente metáforas para as ideias dos tempos remotos. Por meio de alguns deles, temos condensada a imagem ideal a respeito de uma faceta existencial da própria humanidade. Isso ficará melhor explicado quando você descobrir o que significa Eros, um dos principais nomes do Olimpo grego.

Quem é Eros?

O deus Eros dentro da mitologia grega era a divindade responsável pelo amor e erotismo na existência. Por meio dele e de suas flechas que o amor entre os deuses e os mortais se revigorava constantemente. Assim, cada flechada indicava que um coração batia apaixonadamente por outro no mundo.

O mesmo era visto como um dos Erotes, os filhos da deusa Afrodite, que possuíam asas e relação com o amor. Quanto à sua origem, existem diversas versões a respeito de como surgiu. A principal delas é que seja filho de Afrodite com Ares ou apenas dela, por isso é  sempre pintado ao lado da mãe.

De acordo com Hesíodo, ele era filho de Caos, uma entidade primordial da existência, um dos primeiros a ter consciência. Independente da origem, Eros sempre era descrito como um ser de beleza irresistível e de pouco bom senso. Esse fato justifica as histórias a respeito da sua vontade desenfreada em fazer todos se apaixonarem loucamente.

Nome romano de Eros

Por sua vez, a cultura romana tinha o deus Cupido, equivalente ao Eros da mitologia grega, também chamado de Eros. Ele seria filho de Vênus e Marte e sempre estava em posse do arco e flecha para disparar a paixão. No contexto romano, temos a  descrição de que ele tenha se relacionado com a princesa Psiquê, aclamada como deusa da alma.

O Cupido sempre emanava o poder do amor e da paixão em qualquer aparição que fizesse, no Olimpo e fora dele. Entretanto, prevendo a confusão que isso traria, Júpiter, o deus supremo, exigiu que Vênus se livrasse da criança. A fim de protegê-lo, a deusa acabou escondendo ele em um bosque, onde foi alimentado pelos animais do lugar para sobreviver.

Dentro da mitologia romana, Cupido era uma criança com asas sempre portando seu arco e as flechas. A partir de cada ferida que elas faziam, o amor florescia despertado pela intervenção do cupido. Porém, seu comportamento era visto como bom e ruim, pois além da felicidade que trazia, era manipulado pelos anseios de Vênus.

Semelhanças entre as correntes

Como bem sabe, as mitologias gregas e romanas partilham de similaridades quanto às narrativas míticas existenciais, suas teodiceias, que criaram. Isso diz respeito aos deuses também, de modo que dividam as mesmas funções com características parecidas. O mesmo ocorre com Eros e o Cupido, já que se parecem em:

  • Família

Eros era o filho de Afrodite com Ares enquanto o Cupido era filho de Vênus com Marte. Apesar dos nomes, as mães eram as deusas do amor, fertilidade e beleza enquanto os pais eram os deuses da guerra.

  • Aspectos visuais

Ambas as entidades eram aladas, arco e flecha ou tocha e os cabelos loiros. Existia um ideal imaginário a respeito da imagem deles, na época, e isso permanecia por vezes inalterado em cada cultura.

  • Função

A seu próprio modo cada um atirava as flechas para que a paixão e o amor florescessem no mundo. Porém, como dito acima, as mães de cada um podiam intervir nisso e manipular a seu bel prazer quem seria transformado.

Diferenças

Quanto as diferenças, o deus Eros e o deus Cupido mantinham identidades próprias, ainda que sejam parecidos. A principal delas é a aparência, já que o Cupido era sempre visto como uma criança angelical e travessa. Por outro lado, Eros era um homem adulto, com aspecto mais erótico e em luxúria, mas sem depravação.

Disto, temos que a versão grega apresenta uma referência mais carnal, diretamente ligada ao prazer sexual; enquanto a romana mantém seu aspecto de amor puro. Isso acaba sendo refletido na língua, de modo que o significado de cupido, “desejo”, origine o adjetivo “cúpido”. Por outro lado, o deus grego origina os termos “erotismo” ou “erótico”, apontando diretamente a uma conotação de aspecto sexual.

Quanto à família, é sempre esclarecido que a origem do Cupido se dá na união de Vênus e Marte. Por sua vez, Eros tem diversas versões sobre seu nascimento, mas a mais aceita, dentre elas, é de ser filho de Afrodite com ou sem Ares. Todavia, há, ainda, versões que se referem a ele como filho de Pínia com Poros ou ser uma das entidades primordiais da existência.

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Eros e Psiquê

Uma das mais antigas histórias de amor, é a que envolve Eros e Psiquê, deus do amor e deusa da mente. Eles se casaram com a condição de que ela não podia ver sua face, de modo que se apaixonasse pelo seu coração e não beleza. Entretanto, as irmãs invejosas de Psiquê a influenciaram a ver o rosto do misterioso marido.

Com uma vela, Psiquê desfez a escuridão em que viviam e viu o belo rosto que ele tinha. Acontece que a cera quente cai no peito dele e o desperta, e, em fúria abandona-a  por tê-lo traído. Psiquê, arrependida do que fez, passa a vagar pelo mundo, enfrentando tormentas enviadas por Afrodite até quase morrer.

Mas o próprio Eros sofria por se separar dela e retorna, no último momento, para salvar a sua vida. Após isso, pede a Zeus que a aceite no Olimpo, dando-lhe imortalidade, após ela tomar a ambrosia. Torna-se a deusa da mente por sua incrível inteligência, tendo com seu marido um filho, o deus do prazer Hedonê.

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    Os Erotes

    Como mencionado parágrafos acima, Afrodite teve os erotes, os seus filhos alados que personificavam o amor. Sendo o plural de Eros, são representados sempre na companhia da mãe em eternizadas pinturas clássicas. Além do próprio Eros, o principal , temos:

    • Anteros: deus da ordem, desilusão, manipulação amores correspondidos ou não. Acaba sendo o oposto de Eros, sendo antipático e impedindo que pessoas diferentes possam se unir pelo amor.
    • Filotes: o filho de Nix, representa o carinho e amizade.
    • Hedilogo: filho de Afrodite com Hermes, representa os elogios e cortejos.
    • Hedonê: neto de Afrodite, representa o prazer.
    • Hermafrodito: também filho de Afrodite com Hermes, é o deus das almas gêmeas.
    • Himeneu: embora a sua maternidade seja confusa, é indicado ser filho de Apolo e é deus das cerimônias matrimoniais.
    • Himeros: representa o desejo sexual.
    • Photos: é o deus da paixão.

    A cultura do mundo moderno

    Hoje em dia, estamos mais abertos a falar sobre sexo e temas afins, quebrando alguns tabus de décadas anteriores. Tanto no cotidian, como em produções culturais, temos referências e ressignificações do mito de Eros. Por exemplo, a famosa marca de preservativos ou hotéis e motéis espalhados pelo Brasil.

    Na televisão temos a série Xena: A princesa guerreira, construída em cima dos antigos mitos gregos. Na segunda temporada do show, no episódio “Comedy of Eros”, a heroína tenta evitar que algumas mulheres sejam sequestradas. Contudo, o personagem Bliss, o filho de Eros, rouba as flechas do pai e faz com que todos se apaixonem uns pelos outros.

    Na música, temos a banda Gym Class Heroes, cujo o clipe da música Cupid’s chokehold mostra os enganos de um jovem cupido. Assim, a partir desses mitos, damos origem a propostas diversificadas para atender demandas em um mundo moderno.

    Considerações finais sobre Eros

    A imagem de Eros atravessou o tempo e, hoje,sobrevive como símbolo do amor e união carnal. De certo modo permanece intocada, já que é imediatamente associada ao que o deus se propunha fazer. Em suas diferentes versões, sempre retirou os amantes do rumo e os enlouquecia ao máximo quando se apaixonavam.

    Note que os atributos da divindade correspondem diretamente à imagem que a forma do amor parece ter em ação. Algo belo, forte e que, ao mesmo tempo, carrega pureza é tomado por uma luxúria grandiosa.

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