projeção

Projeção: significado em Psicologia

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A complexidade da rica estrutura mental humana pode nos levar a situações e lugares desconfortáveis às vezes. Por isso que é tão comum abrirmos mão desse desconforto para que possamos evitar ao máximo qualquer tipo de sofrimento. Entenderemos melhor o significado de projeção em Psicologia e como se manifesta em nossas vidas.

O que é projeção?

A projeção se trata de um mecanismo de defesa psíquico para que possamos nos proteger daquilo que não podemos lidar. Com isso, podemos montar até involuntariamente estratégias que nos desviam daquilo que não podemos pensar ou trabalhar agora. Assim, podemos aliviar a ansiedade, os sentimentos de culpa ou dolorosos que surgem desse conflito.

No momento em que ela se ativa passamos a perceber pensamentos e sensações desagradáveis como se pertencessem a outra pessoa. Em vez de assumirmos como nossos, indicamos ser de outro alguém para aliviar nossa carga emocional.

De acordo com os psicólogos, esse é um mecanismo primitivo de proteção que se manifesta já na nossa infância. À medida que crescemos podemos construir meios sofisticados de utilizar dessa ferramenta, principalmente quando adultos, para trabalhar nossas emoções.

Já somos adultos para isso

Acima mencionamos que os adultos se valem de maneira mais inteligente do uso da projeção em suas vidas. Contudo, nessa fase deveríamos ser perfeitamente capazes de trabalhar as nossas crises e ter responsabilidades próprias. Quando um psicólogo pode intervir, o seu apoio é suficiente para que uma pessoa consiga reconhecer e aprender a trabalhar suas pendências sem esse escape.

Nisso, quando reconhecemos esse movimento natural, nos mostramos mais lapidados para lidar com nossas emoções conflitantes. Assim, não temos que projetá-los em outras pessoas, criando relacionamentos mais sadios e funcionais com outras pessoas. Embora seja normal projetar aspectos negativos de nossa psique em alguém, precisamos ser proativos para deixar que isso se dilua.

Origens e contraprojeção

Giambattista Vico é visto como precursor do princípio da projeção, junto com uma formulação dada pelo escritor grego Xenófanes. Ludwig Feuerbach se valeu desse conceito para criar uma base crítica a respeito da religião.

Indo na contramão, ao se abordar o trauma psicológico, o mecanismo de defesa pode criar a contraprojeção, o seu oposto. Em suma, se trata de um esforço para manter a posição recorrente desse trauma. Nisso, surge a obsessão compulsiva na percepção do indivíduo que causou o trauma ou a sua projeção.

De acordo com Carl Jung, “todas as projeções provocam contra-projeção quando o objeto está inconsciente da qualidade projetada pelo sujeito”. Por sua vez, Nietzsche diz que “Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Pois quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo também olha para você”.

Os mecanismos de defesa

A projeção não é a única válvula de escape, de modo que haja outros mecanismos de defesa recorridos pela mente. Os comumente observados em diversos casos são:

Atuação

A atuação se mostra como um comportamento inconsciente e impulsivo que visa substituir a angústia que as palavras não traduzem. Nisso, o conflito existente não vai se resolver pela elaboração e reflexão. Quando evacuamos impulsivamente o que sentimos, a angústia tem mais chance de ser trabalhada.

Compartimentalização

A compartimentalização é o ato de separar sentimentos e pensamentos relacionados, fazendo com que se influenciem, em vez de alinharem. Pense na conservação de um código moral criado em bases religiosas e que é separado de um código de negócios. Sendo mais simplista, esse mecanismo de defesa diminui a tensão existente entre a consciência sobre as contradições pessoais e íntimas.

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Dissociação

Por sua vez, a dissociação se mostra como a divisão da personalidade em processos mentais menores agindo independentemente da personalidade. Nesse caminho, a parte separada acaba agindo como se fosse outro alguém, distante do controle consciente da pessoa em si. Daí surge, por exemplo a dupla personalidade, sonambulismo e até amnésia.

Negação

Como o próprio nome sugere, a negação é a recusa a respeito de um evento passado. Na prática, o indivíduo passa a agir como se nada tivesse ocorrido, agindo estranhamente em seu cotidiano comum.

Regressão

Já a regressão faz com que retornemos a uma postura infantil em vez de adulta diante de uma situação problemática. Isso se mostra bastante comum em ocasiões de estresse, fazendo até com que a pessoa seja agressiva enquanto regride.

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Sequelas

O estudo da projeção na Psicanálise indica que essa ferramenta, embora acessível, também é sensível e traz sequelas se descontrolada. Entenda que enquanto se esforça para afastar um mal pode facilmente abrir caminho para outros. São exemplos de problemas:

  • Obsessões;
  • Ansiedade;
  • Histeria;
  • Neuroses;
  • Fobias e etc.

O caminho então se mostra o esforço contínuo para trabalhar adequadamente aquilo que nos provoca tormento. Não é fácil, pois facilmente nos sentimos impotentes e incapazes de fazer algo tão acessível quanto enviar a responsabilidade para alguém. Todavia, o uso descontinuado desse mecanismo contribui ao polimento de sua postura para contribuir diretamente à sua reabilitação e responsabilização saudável de si.

Quando paramos de empurrar

Como dito linhas acima, o uso da projeção é vigoroso porque é bem mais fácil nos livrar daquilo que nos machuca sem nos envolver. O problema acontece quando passa a ser uma reação imediata que nos impede de processar a realidade da vida. Dessa forma, entenda que não é escapando do que sente e jogando fora que viverá bem daqui em diante.

Em vez de empurrar as suas emoções e pensamentos conflitantes para fora, os abrace e puxe para dentro. Sabemos que pode parecer absurdo, mas o primeiro passo da liberdade vem quando assumimos tudo aquilo que vivenciamos e fizemos. O amadurecimento de cada lição permite que você alimente a sua resiliência, encaixando por completo cada setor de sua vida.

Assim, uma vida emocional mais saudável só é possível quando paramos de nos desviar dos nossos problemas. Para cada página que se abre, busque lê-la e vivê-la até o fim, isso para que alcance a moral de cada história. Ninguém além de você é responsável pelo que sua mente absorve.

Exemplo de projeção

Certamente você já brigou com algum amigo e claro que já teve uma discussão bem feia com algum deles. Em seguida surge o sentimento de raiva, algo que passou a incomodar bastante você. Acontece que em vez de reconhecer esses sentimentos negativos, você os negou, afirmando que seu amigo é quem está com raiva de você.

Nisso, passa a condenar tais sentimentos, afirmando o quanto são inadmissíveis, porém sem colocar esses defeitos em si mesmo. Sem perceber você iniciou e concluiu o ato de projeção, se abstendo da carga ruim que alimentou na briga. Para se livrar do peso, atribuiu ao seu amigo o sentimento de raiva que você mesmo sentiu quando brigaram anteriormente.

Em vez de focar no outro, admitir que tudo parte de você contribui para amenizar o peso que sente no âmago do seu ser. A reconciliação seria ainda melhor, mas talvez não seja frutífera se escondemos de nós mesmos o que representamos.

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Considerações finais sobre projeção

A projeção se revela como uma válvula de escape, transmitindo ao outro tudo aquilo que portamos em nosso interior. É uma forma imediata de cessar um incômodo, fazendo com que a responsabilidade por essa instância seja remanejada.

Entenda como trabalhar o seu fluxo emocional a fim de lidar melhor com os pesos de sua alma. Tenha em mente que se a melhora não for alcançada por você ninguém mais deverá fazer isso.

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