Estudos sobre a histeria

Estudos sobre a histeria: resumo de Freud

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A influência do trabalho de Freud permanece relevante, servindo de referência para mapearmos a progressão de conceitos universais. Tanto que mesmo alguns conceitos ultrapassados recebem atenção e revisitação na busca de peças importantes para novos estudos. Ajudaremos você a compreender mais sobre a importância dos Estudos sobre a histeria.

Sobre o livro

No século XIX, as histerias classificavam as neuroses que se manifestavam por meio de somatizações dos problemas. Isso incluía alucinações e angústias, de modo que serviam como declínio à mente e comportamento humano. Com base nisso, Freud junto a Josef Breuer iniciou os Estudos sobre a histeria, marco de compreensão psicanalítico.

Ambos levantam um grupo de pacientes para testar algumas teorias, cinco ao total, incluindo a mais famosa Anna O. Com isso, argumentam que os histéricos sofrem por reprimirem as origens eventuais da doença em questão. Assim, se mostra necessário resgatar esses traumas para tratá-los, usando a princípio a hipnose.

Contudo, é sabido que a hipnose não era unanimidade e não funcionava em todos os pacientes. Por isso que Freud iniciou o uso da associação livre, um dos métodos mais famosos da Psicanálise. De algo mais simples, reestruturou para uma complexidade necessária ao propósito em questão.

Evoluções dedutivas

No fim do século XIX, Charcot indicou que ideias mórbidas poderiam colaborar em manifestações físicas. Seu aluno Pierre Janet, por sua vez, afirmava que as causas psicológicas eram mais relevantes do que as causas físicas. Por fim, Freud e Breuer defendendo o papel das lembranças reprimidas para o surgimento dos mecanismos histéricos.

Na sintomatologia, apesar da dificuldade, Freud conseguiu elaborar técnicas para continuar o tratamento das pacientes, dando origem à Psicanálise. Embora predominasse nas mulheres, a histeria acontecia em homens também e independente dos sintomas, todos tinham sofrimento psíquico.

Observando os Estudos sobre a histeria, se nota que a palavra “histeria” passou por designações ao longo da história. Seja por resultado de preconceito externo ou mesmo desconsideração por parte da observação clínica. Apenas quando Charcot e a escola do Salpêtrière interviram que passou a ter uma compreensão melhor sobre.

Origens, desenvolvimento e tratamento

Nos Estudos sobre a histeria Breuer e Freud elaboram e inserem suas ideias sobre as origens da histeria. De acordo com eles, os pacientes possuem dificuldades em falar ou mesmo não conseguem saber a origem desse mal-estar. Nisso abriu espaço para determinar um trauma psíquico infantil como catalisador desse problema descarregado no próprio corpo.

Entretanto, a hipnose se mostrava capaz de localizar essa lembrança, fazendo como que se reaja pelas palavras e os sintomas aliviem. O local em que as memórias se escondem serviria como uma segunda consciência dependente da principal e se entrelaçavam associativamente. A conversão, mudança de afeto em sintoma, recalca a defesa utilizada contra essas representações.

O caminho de rememoração dessas representações isoladas se chama de “método catártico”, em que os afetos acabam se descarregando. Felizmente, isso acabava por trazer alívio e o encerramento de alguns sintomas. Ao fim, Freud e Breuer mostram a relevância desse tratamento e a clareza gradual que as pesquisas estavam dando à histeria.

Crescimento

A pesquisa envolvendo os Estudos sobre a histeria foi de suma importância ao trabalho do próprio Freud e Breuer. Quando observamos os casos de estudo clínicos, fica mais sensível notar sua evolução gradual e das próprias situações envolvidas, como:

Anna O.

Breuer acabava por se limitar a descrever os sintomas vividos por ela. Entretanto, a própria Anna estava avançada em relação a ele, descrevendo resumida, mas perfeitamente, a terapia como “cura pela fala” e “limpeza de chaminé”.

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Descontentamento

No bom sentido, Freud não se contentava em se ater a algumas questões básicas. Tanto que evitava a eliminação simplista dos sintomas e partia em busca das causas.

Amadurecimento

Observando o caso de Elizabeth Von R. Freud estava bem mais maduro em relação ao seu trabalho. Com isso, temos um caso completo de análise de histeria, explorando sua dificuldade em conectar sintomas e fatos da doença.

Aprendizados da histeria monossintomática

Quando aprofundamos nos Estudos sobre a histeria, vemos como lembranças específicas de Elizabeth se manifestavam fisicamente de forma diferente nela. Com base nisso Freud notou que o sintoma não era único conectado a complexos mnêmicos. Indo além, viu que existiam muitos sintomas semelhantes que acabam sendo confundidos em um ambiente único.

Tanto que no capítulo final indica as vantagens e desvantagens no uso do método catártico e tomando para si as próximas construções. Acaba por ressaltar o valor do diagnóstico para estabelecer a forma terapêutica, avisando do método catártico como terapia sintomática. Nesse caminho, fala sobre as desvantagens do processo, sendo uma delas a dificuldade em hipnotizar a todos.

Freud aponta o método de Bernheim como algo para distrair o paciente em vez de ser algo efetivamente eficaz. Sem contar que notou que o recalque servia como defesa nos pacientes ao desconforto e sentimentos degradantes que tinham. Sigmund acaba ressaltando os bloqueios para não vivenciarem isso, como desviar da conversa, desculpas ou desprezo pelas memórias surgidas.

A investigação e tratamento

Analisando Estudos sobre a histeria, vemos como a investigação cuidadosa daquilo que se esconde dirige o tratamento. O próprio médico deveria influenciar o paciente a ser curioso consigo e desfazer os seus bloqueios. Sem contar a inutilidade ir diretamente ao problema, pois o paciente não mudaria sua condição por simplesmente saber da origem.

Ao fim da obra deixa claro que os sintomas podem piorar na análise, relembrando Elizabeth Von R. Embora isso faça com que o paciente sofra mais, sendo um inconveniente à análise, continuará até o fim da elaboração. Fora isso, falou também sobre a relação médico-paciente, indicando perturbações no trabalho caso algo interrompa isso.

Legado

A leitura Estudos sobre a histeria trabalha bem e o desenvolvimento do tema de forma enriquecedora. Entretanto, o termo “histeria” não é mais usado e se recomenda não fazer mais uso dele. Isso acontece porque:

  • Causa confusão no diagnóstico, de modo que não se define bem e por completo o que ele significa;
  • Existe um estigma a respeito, já que ele traz preconceito falando sobre o fingimento dos pacientes, algo que é mentira;
  • Por fim, existem outras classificações mais aceitas para adequar os chamados fenômenos histéricos.

Considerações finais sobre estudos sobre a histeria

A proposta de Estudos sobre a histeria faz uma jornada de limpeza a respeito das incongruências envolvendo esse mal genérico. Freud e Breuer trabalham cuidadosamente, desenvolvendo uma narrativa mais próxima da realidade. Além de abandonar conceitos inválidos, conseguem interagir com outras perspectivas e inclusões.

De lição fica o cuidado em se levantar o diagnóstico sobre a histeria ou qualquer outro transtorno dissociativo. Outros problemas podem ser a causa do quadro geral da doença e provocar a pluralidade em seus sintomas. Sem contar que analisando as doenças apenas como histeria a chance do problema retornar e piorar eram bem altas.

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