A interpretação dos sonhos

A Interpretação dos Sonhos: obra de Freud

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Publicado no final do ano de 1889, mas com data de 1900, o livro A Interpretação dos Sonhos, escrito por Freud, lançava não só as bases da sua Teoria Psicanalítica, como também inaugurava a Psicanálise como um terreno fértil para a formulação de um novo tipo de homem e para o surgimento de uma nova forma de se encarar o pensamento humano, agora para muito além dos limites do consciente.

Entendendo o livro: A interpretação dos sonhos

Considerada a principal obra de sua extensa produção, o livro A Interpretação dos Sonhos trouxe à tona os conceitos mais relevantes com os quais Freud trabalharia por uma vida inteira: o Inconsciente, o Complexo de Édipo, o trabalho clínico pela escuta, os mecanismos de defesa da mente, a simbologia dos sonhos e o método da Associação Livre. Como método de investigação e interpretação do pensamento, a Psicanálise é mediada pela linguagem e por símbolos.

Dessa forma, suas técnicas investigativas se esgueiram pelos significados inconscientes das palavras e ações humanas, como também pelas produções imaginárias do sujeito, como seus sonhos, desejos, fantasias e delírios. Seu método psicoterapêutico, chamado de análise, mergulha fundo rumo às profundezas da psique humana buscando trazer à tona os conteúdos e questões que repousam escondidas no Inconsciente do indivíduo, trazendo mais luz à memórias traumáticas, pensamentos e memórias ocultas que se encontram inacessíveis de forma direta à consciência.

Antes de Freud, os sonhos nunca haviam sido encarados como fontes lógicas de pesquisa e investigação sobre a mente humana, muito menos como método de pesquisa. Foi sua proposta ousada e inovadora que abriu a possibilidade, por caminhos muito pouco convencionais, da decifração da estrutura dos sonhos como um modo de acessar o Inconsciente e esmiuçar sua simbologia.

A interpretação dos sonhos e o pensamento consciente

Se o pensamento consciente segue uma determinada lógica, Freud formula que os sonhos seguem uma lei própria e uma lógica diferente que, embora seja familiar, não segue as mesmas regras de funcionamento da consciência. No sonho, segundo ele, há mecanismos diferenciados, como o deslocamento e a condensação, que tem por característica não levar os “limites da realidade”, como a linearidade e a temporalidade, em consideração para a produção de suas imagens e formulação do seu enredo.

E é justamente por isso que os sonhos são uma fonte tão rica de significados – eles não se limitam pelos mecanismos de racionalização da mente consciente. Como Freud afirma, os sonhos não são “destituídos de sentido” e nem “absurdos”.

Eles na verdade eles representam fenômenos psíquicos de inteira validade e são produzidos por uma atividade mental altamente complexa. Essa intensa atividade mental inclui a expressão de desejos, conflitos e resistências que, embora experienciados de forma distorcida, traduzem conteúdos cuja interpretação tem o poder de aprimorar o nosso autoconhecimento e trazer à nossa consciência aquilo que permanecia recalcado e limitado dentro de nós.

A interpretação dos sonhos e os impulsos do Id

Por serem elaborados a partir dos impulsos do Id, os sonhos são tentativas por parte do inconsciente de resolver conflitos internos perturbadores que estão ali reprimidos, “furando” a censura dos mecanismos de defesa da mente para deixar escapar, de alguma maneira, os nossos desejos, medos e contradições mais profundos.

Dessa forma, podemos dizer que o sonho projeta em imagem e som cargas emocionais que estão armazenadas no nosso inconsciente, demonstrando aspectos do nosso emocional pelo qual, através da análise de como a pessoa se relaciona com o objeto e do que ele representa para ela, podemos chegar à raiz das emoções que produzem o nosso estado psicológico.

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Segundo Freud, para a análise dos sonhos é preciso considerar dois elementos principais: o seu conteúdo manifesto e o seu conteúdo latente. O conteúdo manifesto se refere àquilo que nos lembramos do sonho: o seu enredo, a sua história, os seus personagens.

O conteúdo latente

Já o conteúdo latente é aquilo que está “por trás” do conteúdo manifesto, ou seja, o significado do sonho de acordo com a interpretação da sua simbologia. Além disso, há diferentes mecanismos envolvidos no processo psíquico de elaboração dos sonhos. Dentre eles podemos destacar:

• Dramatização ou concretização – na elaboração dos sonhos os pensamentos abstratos tornam-se imagens concretas, em preocupação com a lógica comum.

• Deslocamento – consiste na substituição de uma imagem por outra, sem apresentar uma rigidez interpretativa.

• Condensação – em uma mesma imagem pode ocorrer a condensação (sintetização) de vários elementos diferentes.

• Desdobramento – ocorre o contrário da condensação: uma coisa só se desdobra (reparte) em vários significados diferentes.

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    • Simbolização – cada imagem recebe sua própria representação simbólica, conforme o universo particular do paciente.

    Quando adormecermos, outras representações despertam dentro de nós e é nesse sentido que o material dos sonhos é como uma “janela aberta para o nosso Inconsciente”.

    Considerações finais

    Porém, é importante frisar que, como ressalta Freud, não é o analista que oferece todos os significados dos sonhos para o paciente, pois a simbologia que o sonho expressa se refere à forma como o indivíduo se relaciona sentimentalmente com o objeto que faz parte da imagem que ele construiu em sua mente, relação esta que só pode ser esmiuçada a partir da significação que o próprio sonhador estabelece na relação com os objetos que fazem parte dos seus medos, desejos e vontades enquanto individualidade.

    Dessa forma, a interpretação simbólica dos sonhos se dá por uma via de mão dupla onde analista e analisando constroem juntos as significações possíveis dentro daquilo que faz sentido para o sonhador, afinal, um mesmo objeto pode ter diferentes representações para cada pessoa, sendo por isso essencial saber como a pessoa se sente e como ela pensa para descobrir seus significados e, dessa maneira, conseguir chegar à raiz das emoções que geraram aquele sonho.

    O presente artigo foi escrito por Pedro Costa. Historiador, escritor e estudante de Psicanálise Clínica. https://www.instagram.com/___pedro.costa/ https://www.linkedin.com/in/pedro-costa-07/

    One thought on “A Interpretação dos Sonhos: obra de Freud

    1. Muito interessante relato sobre a Interpretação dos Sonhos. Penso ser a interpretação dos sonhos, que exige um grande esforço de investigação, por parte do analista. Principalmente no que se refere ao conteúdos latente!

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