Medo da morte em 10 pontos para psicanálise

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O medo da morte é inerente à condição humana. Existir e ter medo, neste caso, são comportamentos siameses. Nas sociedades ocidentais, tornou-se uma característica mais forte das pessoas, mais impregnada nas relações cotidianas, de forma velada, silenciosa e, muitas vezes, abafada. É um tabu, sobretudo. Mas é preciso entender o medo da morte em 10 pontos para a psicanálise com o objetivo de viver mais e melhor.

A morte pode chegar de diversas formas, como, por exemplo: por um acidente de trânsito, assassinatos, alagamentos ou desmoronamento em áreas de risco, surtos de doenças repentinos, avanço de moléstias mais graves. Todas essas formas podem ser vistas por você como tragédias humanas, cada uma delas sustentadas no medo da morte.

Mas o medo da morte, para a psicanálise, deve ser visto como algo natural e ser tratado de forma racional, no sentido de que todos caminhamos, cada dia mais, para ela. Superar esse tabu é um grande desafio e exige de você mais compreensão da sua condição humana, cuja matéria não é eterna.

Em um de seus diálogos, a psicóloga Ingrid Esslinger, do Laboratório de Estudos sobre a Morte do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), observou: “O maior desejo do homem é a imortalidade”, disse, para continuar. “Por isso, muitas vezes, a morte é considerada uma inimiga”. Com isso, ela sugere que o medo da morte deve ser superado.

Medo da morte em 10 pontos para a psicanálise

1. Perda e castração

2. Derrota

3. Egoísmo

4. Antagonismo entre vida e morte

5. Ilusão de eterna beleza e jovialidade

6. Paciente com doença terminal

7. Desinformação para a falsa ideia de eternidade

8. Cultura de integridade física inabalável

9. Ansiedade

10. Fobia

Entenda melhor o medo da morte

Todos os pontos elencados acima não estabelecem uma relação de sobreposição entre um e outro. Pelo contrário, muitas vezes se complementam e se fundem, já que a subjetividade humana é composta de diversas facetas, que variam de um indivíduo para o outro. Portanto, não são estanques.

Perda e castração

De acordo com a teoria freudiana, a castração é um passo além da perda por si só. É uma sensação de perda definitiva e ela se apresenta de diversas formas na vida. Ele cita, como exemplo, o caso de uma criança que, mesmo se afastando da mãe, por algum motivo, de forma breve, vê esse distanciamento como forma definitiva. A mãe também quando dá à luz e se vê desligada, fisicamente, do bebê que carregou dentro de si durante toda a gestão. O medo da morte, portanto, desconsidera todas essas perdas que você tem, ao longo da vida, e com as quais tem de aprender a lidar. E você aprende!

Como a derrota reforça o medo da morte?

Você é educado, o tempo todo, a agir para ganhar. Ganhar um bom emprego, ganhar amizades, ganhas boas relações, ganhar grandes conquistas. O verbo ganhar está presente em sua vida o tempo inteiro, todos os dias. Mas, para superar o medo da morte, é preciso considerar que a derrota também é parte da condição humana. A morte não significa uma derrota da vida, mas uma parte da vida, até porque só morre quem vive.

Egoísmo propaga negação da morte

Saber lidar com a morte de um familiar ou outra pessoa próxima parece algo mais difícil que em comparação a uma pessoa distante dos seus vínculos cotidianos. Mas o medo da morte se propaga ainda mais na sua vida quando você assume a vida como uma via-crúcis até a morte e pensa que só você, apenas você ou alguém da sua família, está suscetível a isso. Não é assim. Todos estamos suscetíveis e é importante deixar o egoísmo de lado para saber que a vida em sociedade perpassa por várias etapas. A morte é uma delas.

Existe antagonismo entre vida e morte?

Algumas correntes defendem que sim. Outras, mais razoáveis, não. O raciocínio é simples. Não existe vida sem morte. Não existe morte sem vida. São complementos de um mesmo processo, que conjuga os verbos viver e morrer. Morrer é abrir caminhos para novas experiências e espaço para outros seres que estão por vir. Imagina se o mundo fosse habitado pelas mesmas pessoas desde que passamos a nos entender por gente? Como faríamos novos amigos? Como estabeleceríamos novos laços afetivos na vida em sociedade? Portanto, morrer é também favorecer o novo.

Como a ilusão de eterna beleza aumenta o medo da morte?

Cada dia mais, procedimentos estéticos favorecidos pelo avanço da ciência fazem com que o nosso corpo retarde os reflexos decorrentes da idade. Fazemos de tudo. Queremos esconder ou minimizar todos os nossos sinais na pele, no corpo e, infelizmente, até na alma. Reconhecer que o mito da eterna beleza atrapalha inclusive a jovialidade é uma forma de saber lidar com o medo da morte. Isto porque ser jovem não significa, necessariamente, ser novo. Jovialidade está no espírito, na energia que carrega dentro de si mesmo e transmite aos outros.

Paciente terminal e falsa ideia de eternidade

Pacientes em estado terminal exigem de você um comportamento maduro, embora doloroso, para saber que a vida tem um fim. E permite o começo da morte, que também deve ser celebrada. É o que ocorre, por exemplo, na Islândia, onde famílias de uma aldeia, no mês de agosto, desenterram, limpam e vestem os mortos para um ritual, na casa em que viviam. Na Bolívia, ocorre um ritual semelhante de adoração às almas. O medo da morte, portanto, é cultural.

De acordo com a psicóloga Mônica de Oliveira Gonçalves, da Associação Brasileira de Problemas de Aprendizagem, a morte está fortemente ligada à castração, pois, segundo ela, subtrai sua possibilidade de vida. “A angústia de castração é decorrente do medo de ser separado de algo extremamente valioso para o indivíduo.”

Desinformação da eternidade e integridade física inabalável

Não existe eternidade nem para bens materiais inanimados, objetos, plásticos. Eles se desfazem com o tempo, mesmo que levem milhares de anos para isso. O humano também é matéria e, sendo assim, você precisa se conscientizar de que a sua integridade física – portanto, a sua matéria – também será atingida com o tempo. E somente isso vai lhe permitir crescimento e desenvolvimento humanos, que prevalecem. A matéria, por outro lado, perece com o tempo.

Ansiedade e fobia, um reflexo sobre o medo da morte

O medo da morte pode ser um sentimento decorrente da ansiedade. Portanto, um sintoma. Ou, então, por outro lado, uma fobia, ou seja, a causa. Palpitação, dores no peito, tontura e confusão intensas e contínuas podem ser indícios de ansiedade para o medo da morte. Isso gera outros problemas, como, por exemplo, ataque de pânico.

Como a psicanálise pode superar o medo da morte?

Levar o indivíduo a uma introspeção colabora para que ele próprio consiga fazer leitura do seu eu, enquanto ser autônomo, e poder identificar as melhores formas de superar o medo da morte. É preciso conviver com isso de forma harmônica com a vida. Os tratamentos variam de caso para caso. Alguns são mais prolongados; outros, não.

A terapia cognitivo-comportamental é um dos caminhos racionais para lidar com o medo da morte e identifica emoções e comportamentos associados ao problema. A partir disso, a proposta é trabalhar a superação do medo na mente do paciente. Outro caminho é a terapia de exposição, na qual o paciente vai se deparar com situações, lugares e atividades que propiciam o medo, mas, por outro lado, levando-o ao confronto disso ao máximo possível. Com isso, o paciente perceberá, ao longos dos acompanhamentos com o profissional psicanalista, que o seu comportamento anterior era bastante irracional, movido apenas por emoções.

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