significado de neurose de transferência

Neurose de transferência: significado em Psicanálise

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A relação entre analista e analisado dentro do consultório é construída sobre diversas camadas de interação transformadora. Esse encontro provavelmente muda a percepção dos dois, levando a experiência da sessão para lugares em que trocas são necessárias. Em virtude disso que nós explicaremos a partir daqui o significado de neurose de transferência e como acontece.

O que é neurose de transferência?

A neurose de transferência se trata da projeção das neuroses infantis do cliente em seu analista. Dessa forma, o visitante da sessão pode processar as causas do seu mal-estar se direcioná-lo à figura do terapeuta. Por exemplo, ver na figura do analista a imagem do seu pai a fim de processar os seus traumas infantis.

De acordo com Freud é perfeitamente possível o surgimento de novas formas de neurose durante esse processo psicanalítico. Tudo porque o cliente vai transferir os seus sentimentos decorrentes da sua doença para o terapeuta em questão. Esse tipo de situação é bastante frequente nos consultórios, assim sendo até esperado por muitos profissionais em prol do tratamento.

Ainda segundo Freud, essa relação dentro do consultório assume um caráter muito importante para o cliente. Será dessa forma que os conflitos do passado desse indivíduo serão rearticulados em conjunto com outros sentimentos confusos.

Etapas

Esse ponto não é tão categórico entre os terapeutas, visto que cada sessão e paciente são únicos em sua essência. Contudo é possível observar uma tendência em relação ao progresso do atendimento feito com o paciente na terapia. Seguindo etapas, o processamento começa por:

Reconhecimento

O paciente reconhece no seu analista o que, conforme os especialistas, é chamado de a personificação do seu grande outro. Trata-se de reconhecer que o analista detém um saber necessário para ajudar o indivíduo com o seu sofrimento. Em suma, é a consciência de que o profissional é alguém capaz de lidar com os efeitos da sua neurose.

Objeto

Após esse reconhecimento, o analista passa ocupar um espaço de objeto insatisfatório da pulsão do paciente. Em outras palavras, o analista se torna o objeto da ausência, daquilo que falta para completar o paciente.

Dessa forma o paciente acaba endereçando a esse objeto o que seria a construção de sua condição desejante. Assim, o terapeuta se torna um vazio sobre o qual o indivíduo investirá como alguém desejante dessa falta. O paciente quando projeta em seu analista aquilo que lhe falta acaba desejando o que ele projetou de volta.

Transformação

Por fim, o próprio paciente se torna o objeto, gerando identificação com o objeto que falta ao outro. O indivíduo acaba se oferecendo para “tapar” esse vazio e desaparecer com o desejo do outro.

Com esse sentimento, o paciente revive a sua posição infantil mais primordial, sendo o modo de reviver as suas neuroses. Em outros termos, ele vai reviver o modo que se entregou aos pais e como ele supôs que deveria ser aceito.

Autoconhecimento

Ao longo da terapia o paciente se sente à vontade para se abrir instintivamente para aquela análise. Desse modo começa a depositar gradualmente na terapia a sua neurose de transferência, especialmente na figura do analista. Sendo assim, coloca no profissional tudo aquilo que diz respeito ao seu relacionamento com o outro.

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Porém, o indivíduo acaba regredindo em si mesmo para encenar o seu posicionamento de objeto para o grande outro. Dessa maneira, a atenção dessa pessoa se volta para o relacionamento que está sendo construído ali, gerando significância para ele.

Incontestavelmente essa experiência é vital para o paciente refazer o tecido de suas primeiras inscrições pulsionais, influenciadoras das neuroses. Assim ele pode obter autoconhecimento e clareza ai entender as verdadeiras causas do seu mal-estar durante a sessão.

A influência da libido

Se a libido não fosse descarregada pelos caminhos de costume certamente seria deslocada para as fantasias. Esse tipo de fenômeno já era observado por Freud durante os seus estudos da neurose de transferência. Por sua vez, a parte orgânica acabava necessitada de uma descarga real. Caso ela não acontecesse, a libido ficava tóxica.

Dessa forma, a libido acabava por gerar danos no corpo do paciente, como disfunção e sinais de angústia. Esse tipo de consequência ficava conhecida como as satisfações substitutivas. Já que a parte orgânica não conseguia escoar para fora acabava eclodindo na parte interna do indivíduo.

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    Segundo os psicanalistas, os sintomas da neurose transferencial são perfeitamente interpretados de maneira simbólica no consultório. Dito de outro modo, os sintomas do paciente estão conectados a uma história pessoal que pode ser revisitada quando necessário.

    Resultados

    Assim que o sucesso da terapia sobre os sintomas da neurose de transferência do paciente é alcançado, os resultados aparecem. Sem dúvida que a intensidade desses sintomas vai influenciar na recuperação lenta ou rápida do indivíduo durante a terapia. Porém, quando os resultados finalmente surgem, o paciente verá que:

    Os sintomas sumiram

    Já que o conflito inicial da pessoa analisada foi desfeito, não há mais razões para os sintomas existirem. Fazendo uma analogia, é como se cortassem a força elétrica de um dispositivo eletrônico, deixando ele inativo.

    Descoberta

    Ao longo da terapia o paciente vai reviver na imagem do analista as suas experiências e traumas do passado. Dessa forma é possível que ele descubra conscientemente as causas do seu mal-estar e o jeito de dar fim a ele. Assim, tudo o que era mais primitivo em si mesmo é redescoberto e ressignificado durante o tratamento.

    Conflitos externos

    Ademais, os conflitos externos desaparecem em conjunto com os sintomas da neurose. Fica incluso aqui as desavenças e inimizades com parentes e amigos próximos que influenciaram no seu estado mental.

    O analista

    Por fim, o que resta ao analista é sair da posição em que o paciente o colocou na neurose de transferência. É como o fim de uma cirurgia, de modo que o profissional seja “um resto” dessa operação psíquica. Ao fim ele deve aguentar esse destino, pois é dessa maneira que o paciente pode seguir coerente, lúcido e sensato.

    Em outras palavras, surge aqui a castração do falo, já que não consegue dar para o paciente o que este quer. Isso acontece quando, por exemplo, o indivíduo pede pelo objeto e recebe desejo ou pede por felicidade e recebe a ausência. Assim que o profissional proporciona esse desejo ele se torna “um resto”, perdendo a sua relevância.

    Exemplos de neurose de transferência

    Os exemplos mais comuns da neurose de transferência em Freud costumam ser:

    • a histeria, comumente trabalhada durante as sessões
    • a neurose obsessiva sobre um objeto ou ser animado
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    Considerações finais sobre neurose de transferência

    A neurose de transferência atua como uma projeção das neuroses do paciente para o analista a fim do trauma ser trabalhado. Essa entrega acontece porque quando alguém direciona os traumas infantis para a figura do analista fica mais fácil resolvê-los.

    O terapeuta precisa ter consciência do papel que assume aqui para que então o seu analisado se liberte desses traumas. Assim, a troca feita em consultório se mostra capaz de ressignificar experiências do paciente e lhe dar liberdade para viver plenamente.

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