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O que é constelação familiar?

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Pensar nos desafios e impasses e nas soluções dos problemas vivenciados pelas pessoas em sociedade, assim como nos aspectos fundamentais para que se promova a concretização dessas soluções, é medida que se impõe na sociedade moderna. Mas, afinal, o que é Constelação Familiar? Alguns conceitos podem auxiliar nessa questão, como é o caso da constelação familiar e sistêmica.

Inicialmente utilizada no campo da terapia familiar, a Constelação Familiar foi amplamente desenvolvida e difundida por Bert Hellinger.

O ‘pai’ da constelação familiar

Bert Hellinger foi um teólogo, filósofo e psicoterapeuta alemão, que, ao longo de muitos anos, estudou técnicas terapêuticas diversas. Entre elas estiveram as de dinâmica de grupo, de psicanálise, de terapia primal, de terapia transacional, de programação neurolinguística e hipnose.

Além disso, Hellinger morou por muitos anos na África, onde observou a necessidade fundamental dos seres humanos de se alinharem com as forças da natureza e, no trabalho de constelação familiar, integrou muitas destas áreas, com a compreensão das dinâmicas ocultas das relações.

Outros tipos de constelação

Com o passar dos anos, Hellinger aumentou o seu método de trabalho para outros sistemas, dando origem às constelações empresariais, organizacionais, educacionais, conflitos étnicos etc. Portanto, a expressão constelações sistêmicas refere-se, de forma ampla, ao método. No entanto, pode haver denominações específicas quando da sua aplicação em diferentes âmbitos, o que ocorreu mais recentemente com os termos pedagogia sistêmica e direito sistêmico.

De acordo com os estudos de Hellinger, a constelação é uma compreensão aplicada. Como método, ela trouxe à luz muitos insights decisivos. Isso porque o trabalho com as constelações foi desenvolvido a partir da observação, com enfoque fenomenológico.

Trabalho com constelação sistêmica

No desenvolvimento do trabalho com uso da constelação sistêmica, é preciso aprimorar a capacidade perceptiva. Ela é voltada para a compreensão do todo, de acordo com a visão sistêmica da vida e das relações. Desta forma, Hellinger define o treinamento em Constelação Familiar como um treinamento de percepção.

Diferentemente da simples observação, que é voltada para os detalhes, a percepção, é voltada para o todo. Nesse sentido, a percepção, segundo ele, “entende o significado de uma coisa ou de um processo observado e percebido. Ela vê, por assim dizer, por trás do observado e percebido, entende o seu sentido”.

Grande parte do trabalho de Bert Hellinger foi desenvolvido através de sua observação de três necessidades fundamentais que atuam nos relacionamentos, as quais ele deu o nome de ordens ou leis do amor. São elas: 1. Pertencimento; 2. Hierarquia, ou respeito à ordem; e 3. Equilíbrio.

1. A Lei do Pertencimento

De acordo com a Lei do Pertencimento, “aqueles que pertencem a um sistema têm o direito de pertencer a esse sistema e têm o mesmo direito que todos os outros.”

Neste sentido, Bert Hellinger observou que sempre que esta Lei não é respeitada, ou seja, sempre que há uma exclusão, os efeitos são sentidos pelo sistema, quer seja familiar ou organizacional.

2. A Lei da Hierarquia

Pela Lei da Hierarquia, observa-se, dentro do sistema, uma regra básica: quem chegou primeiro tem precedência e quem chegou depois vem a seguir. Já em sistemas diferentes, tem-se que o sistema mais novo tem prevalência sobre o mais antigo. Com isso, Hellinger observou que as relações tendem a serem mais harmônicas quando respeitada essa ordem, podendo haver efeitos e conflitos quando não respeitada.

Sendo assim, por exemplo, no âmbito do sistema familiar, os pais e o relacionamento dos pais são anteriores aos filhos, e se não respeitada essa ordem, por exemplo, quando os pais colocam os filhos em lugar acima da própria relação entre eles, podem surgir conflitos familiares.

Por vezes, entre sistemas diferentes, o mais novo tem prevalência sobre os demais, ou seja, quando se torna adulto, casa-se e se têm filho(s), esta família tem prevalência sobre a família de origem, e tal como dito anteriormente, o não respeito a essa ordem, pode também gerar conflitos.

3. A Lei do Equilíbrio

A Lei do Equilíbrio nas relações refere-se à necessidade de preservar o equilíbrio entre dar e receber. Neste sentido, Hellinger diz que “os relacionamentos são bem-sucedidos quando conseguimos atender a essas necessidades e equilibrá-las; mas passam a ser problemáticos e destrutivos quando não o conseguimos”.

A constelação sistêmica pode ser realizada em grupo ou individualmente. Em grupo, o facilitador contará com a presença de participantes que irão representar diferentes pessoas ou papeis, (ex. na constelação organizacional, pode-se utilizar participantes para representar o produto, os funcionários, o lucro, os clientes, dentre outros).

Por vezes, no atendimento individual, o facilitador pode valer-se do uso de bonecos, peças de Lego, ou mesmo outros objetos, para facilitar a representação da dinâmica a ser vista e compreendida no trabalho.

O foco do trabalho de constelação, seja familiar seja organizacional, é obter uma nova compreensão sobre as dinâmicas que atuam nas relações, podendo auxiliar na compreensão da raiz dos conflitos e, com isso, contribuir para uma mudança e melhor saúde pessoal e organizacional. Neste sentido, Hellinger diz: “Quando se constela uma família,

Resoluções de conflitos por meio da Constelação Familiar

As constelações familiares são de grande valia como recurso para auxiliar nas resoluções de diversos conflitos que são amplamente discutidos nos Tribunais de Justiça de todo o Brasil. Tanto é assim que diversos Tribunais já estão se valendo da técnica para obter uma nova compreensão através do olhar sistêmico, em especial no que tange aos conflitos familiares e questões envolvendo guarda, adoção, separação, divórcio, herança, dentre outros.

A constelação familiar se aplica a questões individuais, familiares, empresariais e outros ambientes de interação humana, como escolas e hospitais. Pode ser uma forma de atuação principal (como constelador ou consultor sistêmico) ou secundária (auxiliando profissionais de outras áreas em suas atividades).

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