crítica de silêncio da cidade branca

O Silêncio da Cidade Branca: análise do filme

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O silêncio da cidade branca é um suspense com muitos conflitos entre os personagens. Contudo, será que os personagens e o próprio filme conseguem resolver os mistérios que nos apresentam? É o que nós vamos descobrir na crítica de silêncio da cidade branca.

História do filme O silêncio da cidade branca

Em O silêncio da cidade branca os personagens descobrem uma série de assassinatos únicos na cidade. Únicos porque os crimes têm o mesmo modus operandi: casais da mesma idade, de mãos dadas, nus, mas cobertos por flores e abelhas em suas vias respiratórias.

Contudo, a assinatura desse crime é de um assassino que está preso há mais de 20 anos. Logo nos perguntamos: ele está instruindo outro assassino ou o culpado seria outra pessoa esse tempo todo? Unai é o responsável pela investigação, mas ele também possui segredos escondidos que começam a se revelar.

Enquanto Alba, a sua parceira, também esconde os seus segredos, o irmão gêmeo do suposto assassino esconde informações importantes. Assim, o mistério para nós é entender quem são essas pessoas da cidade branca e como estão envolvidas nos crimes.

O filme subestima o público

Ainda que possua uma história promissora, O silêncio da cidade branca acaba subestimando o público. O suspense, como esperado, levanta muitas dúvidas ao longo do filme, mas dá a resposta para o telespectador de forma abrupta.

Em outras palavras, o vilão levanta a sua máscara e a partir daí sempre veremos ele executando os crimes. A narrativa se torna conveniente, visto que personagens secundários aparecem quando o roteiro quer dar explicações para o público.

Mesmo que seja um suspense, o filme não leva o público a descobrir a verdade junto aos personagens. Quem assiste acaba recebendo todas as peças de uma vez antes do protagonista e de outros personagens.

Conveniências narrativas

O silêncio da cidade branca deixa no público uma sensação de onisciência, de já saber dos segredos. Tudo porque o universo do filme é criado para o investigador Unai, girando em torno dele. Por isso que muitas conveniências narrativas são usadas para deixar a história mais complexa, como:

O centro das atenções

Por mais que seja o protagonista, Unai está envolvido nos crimes e nas soluções deles de modo conveniente. Da mesma forma, as mulheres ficam atraídas pelo protagonista enquanto alguns homens tentam competir com ele de forma gratuita. Por fim, a opinião pública o persegue, forçando a sua presença, ao querer a opinião dele a respeito dos casos.

Complexidade pouco construída

De súbito vemos Unai se envolver em um romance que não foi construído previamente. Além disso, é estranho notar que a cidade está vazia, sem pessoas ou carros, nas cenas noturnas de cooper. Ainda que esse silêncio faça uma menção ao título, é difícil não ver essa cena com estranheza.

O escolhido

Em alguns pontos o público assiste ao filme com a impressão dele ser uma obra artificial. Parte da trama usa o recurso do “escolhido”: os crimes da cidade são para Unai e acontecem por causa dele.

Assim surge o protagonista de valores morais inabalados, forte, sedutor e traumatizado para ganhar a atenção do público. Porém, é difícil sentir tanta empatia pelo personagem como o roteiro exige.

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Exagero consciente

Para produzir o filme O silêncio da cidade branca as pessoas envolvidas investiram bastante na produção. Por isso que a parte técnica do filme aposta no “crime espetáculo” para os telespectadores ficarem vislumbrados. Ainda que a estética do filme seja chamativa e ousada, não é tão provocada quanto se propõe.

Oportunidade perdida

Talvez você possa não tenha percebido, mas o filme O silêncio da cidade branca deixou oportunidades interessantes passarem. Por exemplo, nos temos uma trama sobre duplos: dois cadáveres, o investigador e o irmão, dois gêmeos ricos, a investigadora e o seu irmão… Quem sabe as possibilidades de identidades duplas não fossem interessantes para a trama.

É provável que a duplicidade de alguns personagens ajudasse a enriquecer a narrativa do filme. O silêncio da cidade branca possui uma estrutura narrativa convencional, uma aposta segura para conduzir o protagonista ao clímax. Entretanto, é clara a sensação de que a complexidade dos personagens no roteiro não foi explorada.

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    Pontos positivos

    Agora nós analisaremos os pontos positivos do filme O silêncio da cidade branca. O filme não é uma aposta perdida, pois dá para o público elementos interessantes para acompanhar o desfecho. Em primeiro lugar:

    • Motivações

    Revelar o assassino de modo abrupto tornou esse momento do filme anticlimático. Entretanto, as motivações do vilão para os crimes moveram a trama e a deixou mais interessante.

    • Simbolismos

    O antagonista do filme, o Assassino do sono, talvez seja mais interessante que o protagonista. Existem referências e simbolismos religiosos em seus assassinatos que explicam o porquê de cada morte. Na teoria, elas funcionam muito bem.

    Quando menos é mais

    Os roteiristas do filme deram detalhes demais para os assassinatos. Alfred Fargas e Roger Danès uniram ideias a respeito da alma humana, Adão e Eva e sociedade das abelhas. Entretanto, essa mistura na prática para justificar as ações do Assassino do sono não deu tão certo.

    Algumas informações em excesso confundem o público, mas não da maneira que o espectador esperava. A trama dá importância demais para um apelido, a atração entre colegas e um trauma de um acidente. Porém, não se dedica a explicação dessas informações e as deixa de lado.

    Existe uma urgência para explicar o propósito das mortes e unificar o presente ao passado. O resultado é um terceiro ato que não satisfaz o público como deveria, já que o filme prometeu bastante coisa no começo. Ainda que a premissa seja muito interessante, o resultado do final nos deixa a sensação de que o filme poderia ser melhor.

    Considerações finais sobre o filme

    O silêncio da cidade branca tem uma proposta interessante e uma produção empenhada. Entretanto, a direção frenética e solta de Daniel Calparsoro afeta o potencial de todo o filme. Contudo, o filme não é um projeto ruim e é capaz de entreter grande parte do seu público.

    O roteiro toma algumas decisões arrastadas e fáceis, nos dando a impressão de que deseja acabar logo. Para que o seu senso crítico não interfira no envolvimento com o filme, o telespectador precisa aceitar o desenrolar da trama. Do contrário, as atitudes duvidosas de alguns personagens podem desafiar a sua paciência.

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