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Parafrenia: significado em Freud e Psicologia

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As particularidades de um transtorno mental ajudam a classificá-lo, bem como nos auxiliam na compreensão de sua origem e dos seus efeitos no cotidiano. É importante nos inteirarmos delas não somente para conhecermos as causas de um transtorno mental, mas também para sabermos os seus limites e tratamentos disponíveis. Por isso que hoje você entenderá o significado de parafrenia a partir da ótica Freudiana e da Psicologia.

O que é parafrenia?

A parafrenia se trata de um delírio crônico que influencia na criação de elaborações mentais extremamente fantasiosas. Ou seja, é um transtorno mental que alimenta delírios no paciente e até alucinações de baixo impacto intelectual. Ainda que se pareça muito com a esquizofrenia, é diferente dela por não impactar profundamente a realidade social do indivíduo.

Esse transtorno costuma surgir tardiamente, evoluindo devagar e preservando grande parte da personalidade da pessoa afetada. Mesmo que hajam perturbações na mente, a inteligência e funções cognitivas do parafrênico permanecem quase as mesmas. Ainda assim, os delírios podem ser grandiosos e com tom incrivelmente fantástico, tendo o seu impacto na sanidade do paciente.

Em outras palavras, a vida do parafrênico não muda radicalmente, pois ele realiza suas atividades mesmo acompanhado das ilusões. Porém, é comum se mostrar arrogante ou desconfiado com as pessoas ao seu redor.

Origem da parafrenia

A palavra parafrenia foi usada no século XIX pelo psiquiatra alemão Karl Kahlbaum para explicar algumas psicoses. Além dele, Emil Kraepelin, fundador da psiquiatria moderna, mencionou o transtorno na obra Lehrbuch der Psychiatrie, de 1913.

Contudo, nós ressaltamos que o conceito desse transtorno foi definido de maneira incorreta ao longo do tempo. Às vezes esse delírio é colocado como sinônimo de esquizofrenia paranoica, esquizofrenia parafrênica ou é usado para descrever uma psicose de ordem progressiva. Por isso que a parafrenia não se encontra nos manuais de diagnóstico comuns, ainda que sua validade psicopatológica seja defendida.

Sintomas

Embora as causas da parafrenia não sejam tão exatas, seus sintomas permitem o estabelecimento de um diagnóstico. Mesmo tendo um comportamento parecido com o da maioria das pessoas, o parafrênico exibe os sinais pertencentes ao seu estado delirante. São eles:

  • Alucinações: a pessoa delirante se mostra capaz de ouvir vozes, sentir cheiros ou ver coisas que não são reais.
  • Medo de perseguição: o parafrênico sente que alguém o persegue, monitorando os seus passos para causar problemas e feri-lo.
  • Hipocondria: é comum ao indivíduo fazer visitas frequentes ao médico por acreditar ter diversas doenças.
  • Mania de grandeza: a pessoa parafrênica pensa que é superior aos outros, merecendo o seu reconhecimento.

Referências delirantes

Em suma, o indivíduo acredita que detalhes que ele observa, eventos e declarações sem relevância estão relacionados a ele. Por exemplo, ele pode acreditar que a TV tem lhe enviado mensagens ocultas.

Delírio erótico

O transtorno leva o paciente a se achar irresistível. Ele pode acreditar que está sendo perseguido por fãs apaixonados, mesmo sem conseguir provar tal ideia.

Sensação de culpa

Na mente do parafrênico, ele causa tudo o que acontece a seu redor. Por essa razão, é normal que ele sinta culpa com frequência.

Tipos

Existem quatro tipos de parafrenia diagnosticadas, sendo eles:

Parafrenia sistemática

O delírio progride de maneira insidiosa. Assim, quando se pensa que ele é benigno, é possível que ele já esteja numa situação bem avançada. Por conta disso que ideias exaltadas e alucinações auditivas e de referência passam a ser recorrentes ao indivíduo.

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Parafrenia expansiva

O tipo expansivo do delírio, por sua vez, é visto como “megalomania exuberante e de humor exaltado”. Embora não tenha muitas alucinações, a pessoa que possui esse tipo de parafrenia mostra que seus delírios estão cada vez mais desconexos e superficialmente emotivos.

Parafrenia confabulosa

Em suma, esse tipo de parafrênico possui delírios de exaltação e perseguição carregados por memórias impossíveis. Por exemplo, ele pode acreditar que batalhou em guerras históricas distantes do seu tempo. Ademais, ele exibe megalomania e humor bastante irritável com alucinações auditivas.

Parafrenia fantástica

Por fim, a pessoa com esse tipo de transtorno exibe delírios desconexos, mas altamente extraordinários. Não apenas demonstra ideias de perseguição e pseudomemórias, mas também alucinações auditivas e comportamento inclinado para a violência.

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Qual a diferença entre parafrenia e esquizofrenia?

Ainda que pareçam semelhantes, a parafrenia e a esquizofrenia não são iguais assim como muitos nos levam a crer. A principal prova disso está na conservação da personalidade do parafrênico, bem como na ausência de prejuízos nas suas funções cognitivas, algo que não é visto na esquizofrenia.

Além disso, os parafrênicos mantêm os hábitos de uma vida comum com autonomia, permanecendo de certa forma invictos ao seus delírios.

Diagnóstico

No começo do artigo, mencionamos que as causas da parafrenia ainda não foram determinadas com clareza. Por isso que não se tem um diagnóstico adequado, embora hajam critérios para avaliar o delírio, como:

  • ausência de distúrbio orgânico no cérebro de forma significativa;
  • preocupação com delírios que estão conectados com alucinações auditivas. Ressaltamos que tais delírios não integram o restante da personalidade como acontece no transtorno delirante;
  • afetividade preservada, de modo que consiga se relacionar adequadamente com as pessoas;
  • falta de declínio no comportamento e funções cognitivas durante a manifestação de episódios agudos;
  • mudança de comportamento em relação aos conteúdos das alucinações e delírios. Por exemplo, o parafrênico pode mudar de endereço para evitar as perseguições que acredita sofrer.

Tratamento

Por fim, o tratamento para a parafrenia do paciente consiste no uso contínuo de remédios neurolépticos. A natureza crônica desse delírio exige que o acompanhamento medicamentoso seja contínuo. Vale dizer que, como o indivíduo dificilmente busca por ajuda, a família exerce um papel importante no seu tratamento.

Dentro do consultório o sucesso do tratamento vai depender também do relacionamento entre o paciente e terapeuta. Dessa forma, será possível garantir uma boa adesão ao tratamento e a recuperação rápida do paciente. Como consequência disso, ele poderá ter uma vida normal com a ajuda da família, dos amigos e do acompanhamento profissional.

Já que cada pessoa reage diferente aos cuidados terapêuticos, o tratamento possui limitações e precisa se adequar às necessidades do paciente. De qualquer modo, o uso de outras terapias, como a cognitivo-comportamental reduzem as preocupações ilusórias que o paciente demonstra.

Considerações finais sobre parafrenia

Vista como benigna em relação a outros delírios, a parafrenia molda a percepção de um indivíduo a respeito da sua relação com o mundo. Embora seja capaz de enxergar a realidade de forma objetiva, a pessoa constrói os próprios moldes para interagir com o meio externo. As nuances das mudanças perceptivas afeta diretamente a sua postura cotidiana.

O parafrênico não acredita ter problemas e age com lucidez, o que nos faz acreditar que há verdade em suas palavras. Porém, esse argumento pode abrir caminhos para situações em que seu delírio se fortaleça. Por isso que a família e os amigos devem aconselhá-lo a buscar um profissional qualificado.

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