O que é psicodrama: funcionamento e aplicações práticas

Posted on Posted in Psicanálise, Psicanálise e Cultura

O Psicodrama é uma técnica psicoterápica que busca proporcionar uma ação dramática no paciente. Assim,  a partir da dramatização, o indivíduo entra em contato consigo mesmo e com sua inter-relação.

Informações gerais

Essa técnica foi desenvolvida por Jacob Levy Moreno (1889-1974). Este foi um psiquiatra romeno, de origem judaica, que estudou Medicina em Viena entre 1909 a 1917.

Ademais, Moreno tinha uma paixão pelo teatro desde a infância. Inclusive, ele gostava de reunir amigos para representar. Já na adolescência ele viveu uma fase mais mística em sua vida, já que ele começou a reunir um grupo de amigos e discípulos à sua volta em 1908.

Juntos, eles criaram uma religião centrada em criatividade, encontros e anonimato. Através dela eles ajudavam pobres e refugiados, deixavam crescer a barba e discutiam questões teológicas e filosóficas.

Em 1922 Moreno alugou um teatro e o nomeou de Teatro de Espontaneidade. Ali, ele se reunia todas as noites com atores de projeção para representar dramas do cotidiano.

Além disso, havia uma intensa participação do público durante essas dramatizações. Foi nesse momento que Moreno começou a desenvolver sua proposta de Psicodrama, sociodrama e axiodrama.

Contornos iniciais da técnica

Para essa técnica, ele propõe uma inversão de papéis entre os atores e o público. Aqui, o público passa a representar seus dramas cotidianos no espaço cênico. Por sua vez, esse espaço é composto pelo palco, o protagonista ou cliente, um diretor ou terapeuta.

Além deles, há também os egos auxiliares e o público ou plateia. Através do uso de técnicas como a inversão de papéis, o duplo, as pessoas conseguem uma nova percepção de si. Contudo, não só isso, eles conseguem perceber melhor os outros e o ambiente. Isso permite o surgimento do novo, de uma nova linguagem resinificada.

Nesse contexto, o espaço cênico é multidimensional, vivencial. Afinal, ele inclui o verbal, o corporal, gestual, a cultura, o jogo e a imaginação. Sendo que tudo isso é construído no agora.

Através da consciência disso tudo, Moreno percebeu a potencialidade da criatividade através de uma contextualização com o problema pela dramatização.

Como funciona

Depois de termo falado um pouco no Psicodrama, é preciso entender como funciona.

Para isso precisamos entender que pra Moreno o Psicodrama procura transferir a mente para fora. No entanto, para ele, isso é um método de diagnóstico e, também, de tratamento. E uma de suas características é incluir a representação de papéis.

Essa pode ser aplicada a qualquer tipo de problema, seja esse pessoal ou de grupo, de crianças ou de adultos.

Através disso, Moreno explícita que o homem é um ser social. Consequentemente, ele precisa pertencer a um grupo para atender suas necessidades básicas. Ou seja, precisa do outro para nascer.

Da mesma forma, necessita de uma ajuda externa para se adaptar ao seu novo mundo. Consequentemente, a utilização de técnicas psicodramáticas ajuda no desempenho dos papeis sociais.


NÓS RETORNAMOS PARA VOCÊ




Quero informações para me inscrever na Formação EAD em Psicanálise.


Para a efetivação da técnica, a teoria psicodramática se pauta em alguns pilares básicos. Isso porque neles se situam técnicas e recursos terapêuticos. São exemplos a teoria de papéis e teoria da espontaneidade. Sendo que na teoria da espontaneidade outros recursos são empregados.

A teoria da espontaneidade

Essa teoria está ligada dialeticamente à criatividade. Ela compreende fenomenologia, metapsicologia, psicotécnica, psicopatologia e psicologia genética.

A psicotécnica busca resgatar a espontaneidade perdida pelo homem ao longo da vida. Na questão da psicologia genética ela diz que quando nascemos vivemos nosso primeiro ato criativo.

Leia Também:  O caso de David Reimer: Conheça sua história

Assim, durante a nossa infância vivemos os mais diversos papéis. Além disso, entramos em contato com os agentes sociais e desenvolvemos a capacidade criadora. Porém, há a possibilidade de atrofiar em maior ou menor medida essa capacidade também. Sendo que isso resultaria das relações e culturas que nos são impostas e que internalizamos.

Todos os agentes sociais que nos relacionamos refletem condutas estereotipadas, repetitivas, ritualísticas. Porém, muitas delas são vazias de significado. Todavia, outras podem ajudar no desenvolvimento da espontaneidade. Isso dependerá do meio e do momento histórico social em que criança cresce e se desenvolve.

Um ponto importante é que o ato do espontâneo está intimamente ligado ao instante. A filosofia do momento prega os benefícios do instante e a constante mudança. Esse é o lugar (lócus) que é onde se dá o crescimento.

Através da experiência primitiva da identidade que o destino da criança é determinado, sendo que toda essa primeira etapa tem os papéis psicossomáticos. Em seguida, há a etapa do reconhecimento do Eu. Aqui, a criança observará o outro (mãe) como algo diferente dela.

Além disso, ele começa a diferenciar as partes do seu corpo em uma unidade e se deferência do outro. Nessa segunda etapa é que os papéis psicodramáticos aparecem.

Teoria dos papéis

O termo “papel” é um conjunto das várias possibilidades identificatórias do ser humano. A partir disso, os papéis psicodramáticos expressariam duas faces: as dimensões psicológicas do eu e a versatilidade potencial de nossas representações mentais.

Aqui os papéis são núcleos do desenvolvimento egoico, sendo que ao crescer a criança se diferencia e pode ampliar seu leque de papéis. Alguns desses papéis acabam inibidos e necessitaram de ser resgatados. Esse resgate é a função do Psicodrama.

Aplicações Práticas

Além de entender o que é o Psicodrama, é importante entender como é a sua aplicação. Essa técnica tem quatro etapas importantes durante seu processo. Para podermos compreendê-las, veremos a descrição destas pela psicodramista Tânia Fator:

Aquecimento inespecífico/preparação

Essa é a primeira etapa. Nela, o terapeuta/coach discute com o grupo as questões que podem ser tratadas pela dramatização. Nesse ponto, se as pessoas ainda não têm entrosamento suficiente, deve-se conduzir uma atividade para fortalecer laços. Em seguida, são selecionados os protagonistas da situação a ser dramatizada.

Aquecimento específico

Nesse momento são definidos os personagens e a cena. Ademais, se houver a necessidade, os elementos cênicos podem ser selecionados e posicionados.

Outro ponto importante que é realizado aqui é o estabelecimento da concentração e clima da cena.

Dramatização

Aqui acontece a representação dos papéis, da dramatização em si. É importantíssimo que essa seja o mais realista possível. Assim, é preciso deixar emergir sensações e reações verdadeiras. Todas essas comandadas pela espontaneidade.

Comentários

Esse é o último momento.

Aqui o grupo compartilha as emoções vivenciadas podendo falar livremente e sem julgamentos. É esperado que eles vivam uma verdadeira catarse e expurguem todos os sentimentos.

Comentários finais sobre psicodrama

O Psicodrama não é uma encenação normal. Assim, aqui não há plateia, pois todos vivem a dramatização e não há preocupação com a estética ou técnica. O objetivo é extrair da interpretação de cada papel emoções reais emergidas da espontaneidade.

Dessa forma, através de cada cena os participantes refletiram sobre si mesmos. Assim sendo, no momento da exposição da visão de cada um haverá um autoconhecimento e aprofundamento das relações sociais. Por essa razão, o Psicodrama é uma técnica psicoterapeuta tão importante.

Leia Também:  Aceitação: o que é, qual a importância de se aceitar?

Por fim, se você tem interesse em conhecer mais sobre o psicodrama e outras técnicas terapêuticas, conheça nosso curso de Psicanálise online. Nele você conhecerá mais sobre a psicanálise e a mente humana de modo geral. Nosso curso é 100% online e tem início imediato. Confira mais a respeito!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

três − 2 =