sexo masoquista

Sexo Masoquista: suas características segundo Freud

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O ato sexual em sua fisicalidade pode revelar bastante a respeito da identidade de uma pessoa, bem como suas preferências. Isso pode incluir colocar as suas necessidades em segundo plano para favorecer as de outra e se satisfazer aí. Vamos explicar isso melhor ao entendermos o que é o sexo masoquista e cinco características dele.

O que é sexo masoquista?

O sexo masoquista se concentra na obtenção do prazer sexual com base na dor e sofrimento provocados pelo ato. Nisso, um masoquista sempre almeja ter a sua satisfação com alguém disposto a lhe causar dor. Cabe ressaltar que em um relacionamento desse tipo os parceiros nunca serão masoquistas: um sempre será assim enquanto o outro se mostrará um sádico.

De acordo com Freud, esse tipo de relacionamento se encaixa legitimamente na sexualidade humana. É uma manifestação possível e até comum a depender da construção desse indivíduo. Sem contar que Freud se valeu da estrutura desse comportamento para que pudesse entender o psiquismo.

Características do sexo masoquista

A ideia do sexo masoquista é bastante simples de entender, de modo que possui características bem distintas de outras posturas. Por exemplo:

Tensão

Cada sofrimento envolvido cria uma tensão continua embarcada pelo prazer envolvido. Isso acaba sendo algo torturante, embora seja também bem-vindo pela “recompensa” trazida.

Desespero

Os relacionamentos sexuais não seguem um padrão à risca, fazendo com que nem todos sejam iguais. Ainda que hajam gritos para que o ato acabe, isso é algo construído com certa falsidade. É difícil se livrar de algo que se quer muito.

Expectativa

Seguindo o tópico acima, há uma expectativa quanto ao orgasmo e a potência dele perto do fim do sexo. Contudo, isso vem embebido na expectativa de que o outro possa proporcionar isso para a pessoa.

Repetição

Existe um desejo fixo e contínuo de estimular os órgãos genitais de certo modo violento, criando um ciclo vicioso. Apenas com isso que se conseguirá chegar no orgasmo.

Relacionamento vicioso.

Ainda que sinta bastante dor e sofra, o masoquista acredita que isso é uma conquista para ele. Por isso se gaba de ser forte o suficiente para que consiga aguentar a pressão desse tipo de contato sexual. Tanto que dificilmente vão terminar com esses laços, vivendo em desconforto e pensando que não é algo negativo.

Camadas

Para Freud o sexo com masoquismo acabava se dividindo em duas etapas, de modo a ter catalisadores em cada uma. Na primeira, segundo ele, o masoquista:

Inflige dor a si mesmo

Freud considerava que o sexo masoquista ocorria quando uma pessoa causava dor em si mesma para alcançar prazer. Porém, especialistas afirmam que essa proposta é incorreta, já que a satisfação está em receber essa dor de alguém. Ou seja, a prática quando é auto infligida não consiste em masoquismo no sexo.

É alvo da agressão do outro.

Sendo a forma verdadeira, o sexo com masoquismo surge quando o indivíduo consente que outra pessoa o machuque. A dor e o sofrimento no sexo precisam vir desse contato que, embora doloroso, é permitido. Como existem graus diferentes, cada pessoa responde e toma iniciativa diferente quanto a isso.

O sadomasoquismo na Psicanálise

De acordo com a Psicanálise, cada um de nós podemos exibir problemas com psicose, perversão e neurose, de modo a não existir “normalidade”. Nisso, o que chamamos de normal seria níveis baixos de cada uma dessas instâncias, que possuem características bem distintas.

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Em relação ao masoquismo, a psicanálise defende também que muitas pessoas podem apresentá-lo em algum momento da vida. O mais curioso é que ele não se limita apenas ao lado sexual, de maneira a perambular em outras instâncias do ser humano. Tanto que, caso você busque, será possível encontrar diversos exemplos desse tipo de personalidade masoquista em vários setores da vida.

De forma simplificada, o masoquismo é uma percepção infantilizada da dor, que se traduz como amor. No momento em que chega ao âmbito sexual, o masoquismo é interpretado de uma forma positiva. Assim, o receptor das agressões entende que a pessoa que te ama também pode machucar você.

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Ressignificação da dor

A Psicanálise enxerga o sexo masoquista também a partir de uma ótica de vulnerabilidade. A submissão e o sofrimento acabam por criar uma ponte com o prazer, sentimento que não é bloqueado pelo indivíduo.

Assim, cada tensão que o masoquista experimenta acaba contribuindo para que ele alcance a sua excitação sexual. O sofrimento e a dor são revertidos quase que automaticamente em prazer. Dessa forma temos uma clareza maior de como o orgasmo pode ser atingido através desses meios.

O sexo com masoquismo faz uso da dor sentida, reformulando-a e a aceitando-a como estímulo para sentir prazer. No momento em que a pessoa concorda em ser machucada ela, transforma algo que seria nocivo em positivo para ela. Essa experiência se diferencia bastante da que ela provavelmente pode ter vivido em sua própria infância.

Metapsicologia

Como já foi dito, o masoquismo não se limita apenas ao sexo, de modo que teorias diferentes e distintas podem abordar esse espectro. Freud tinhas suas próprias observações e acabou alinhando o tema a questionamentos sobre a origem do comportamento. Assim, ele não tratava apenas do que variava entre a situação de violência na infância e a de prazer na fase adulta, mas também da pulsão sexual dos pais.

De início, o conceito de pulsão sexual dado por Freud se conectava diretamente com o sentido de atividade. Entretanto, essa ideia discordava da noção de passividade masoquista, em que os pensamentos da infância se colocam sobre o Eu. Nisso, o pai da Psicanálise conclui que o masoquismo e narcisismo se alinham e interagem entre si.

Freud indicava que uma pessoa que apanha dos pais com frequência acaba ligando esses episódios com a ausência afetiva. Mesmo que tenha sofrido na infância, o narcisismo é capaz de reformular o relacionamento entre amor e violência. Assim, haveria um ganho psíquico sobre algo que lhe causa mal, transformando culpa em prazer.

Masoquismo Erógeno, feminino e moral

No sexo masoquista esbarramos com a ideia de masoquismo erógeno, o prazer pelo próprio sofrimento, fazendo parte de uma tríade do sofrimento transformado em prazer. A segunda é o masoquismo feminino que acontece na castração ou nos nascimento dos filhos. Por sua vez, a terceira modalidade de masoquismo é o moral, a culpa inconsciente e distante do seu controle e ciência.

Segundo Freud, o masoquismo feminino se liga com a primeira questão, o erógeno. Entretanto, todas essas instâncias estariam conectadas e trabalhariam de maneira generalizada quando se fala do prazer sobre a dor. Assim, as ideias partem de um berço tanto biológico quanto institucional.

Considerações finais sobre sexo masoquista

O sexo masoquista se mostra uma experiência agonizante para muitos, embora seja a forma de outros obterem seu prazer. Compreender a relação que esse indivíduo mantém com a sua própria construção psíquica e social contribui para o entendimento desse comportamento. Tendo suas limitações, é um meio específico de se satisfazer ao abrir mão de si para favorecer o outro incondicionalmente.

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Cabe ressaltar que um adepto a essa prática deve manter padrões de segurança para que isso não fuja do controle e o ponha em risco. Mesmo sendo algo comum, é necessário tomar alguns cuidados para evitar danos fatais numa “brincadeira” mais lasciva. Conhecer os próprios limites possibilita uma reflexão sobre a sua disposição para viver adequadamente consigo e os demais.

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