Tempos de Crise: Conceito para a Psicanálise

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Em pleno século XXI (estamos escrevendo em maio de 2018), o nosso país vive tempos de crise. Ele está mergulhado em uma de suas maiores crises político-social-econômico-moral. Escândalo após escândalo, o povo — qual massa disforme e apática —, assiste a tudo pela TV. Entre o espanto e a desinformação geral, sem saber qual rumo tomar e qual futuro lhe está reservado.

Em meio a uma enorme torrente de conflitos e problemas coletivos, apenas uma característica se faz notória: a das classes dirigentes (em todos os setores da sociedade). Elas demonstram, a cada dia, o seu descompromisso político e o seu descaso total com a nação.

Corrupção e Impunidade em Tempos de Crise

A corrupção e a impunidade andam de mãos dadas, ombro a ombro, nas diferentes esferas do poder e são responsáveis pelos tempos de crise. Elas vão desde os menores Municípios (que somam mais de 5 mil em nosso país). Depois, passam pelos diferentes Estados, até chegar ao nível Federal de comando.

Muito provavelmente, jamais na história deste país, um grupo tão homogêneo de pessoas mal intencionadas tenha assumido as lideranças dos diferentes poderes e atentado tanto contra o próprio país em busca de benefícios e privilégios.

As consequências da corrupção nos tempos atuais

Vejamos, a seguir, um “retrato 3 por 4” dessa onda crítica avassaladora de despautérios e desmandos. De acordo com a Revista Veja do mês de abril de 2018: Desemprego sobe a 13,1% no trimestre e atinge 13,7 milhões de pessoas.

Desse modo, taxa de desocupação ficou em 13,1% no trimestre encerrado em março. Além disso, teve alta de 1,3 ponto porcentual em relação aos meses de outubro a dezembro, quando o indicador estava em 11,8%.

Com isso, o desemprego atingiu 13,7 milhões de pessoas. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) mensal divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Porém, no confronto com igual trimestre do ano anterior, quando havia 14,2 milhões de desocupados, houve queda de 3,4%. (IN: https://veja.abril.com.br/economia/desemprego-sobe-131-no-trimestre-eatinge- 137-milhoes-de-pessoas/).

No Estado do Rio de Janeiro, há alguns Municípios com mais de um milhão de habitantes. Podemos citar como exemplo: Baixada Fluminense, Nova Iguaçu, Caxias e São Gonçalo.

O autor deste texto viveu mais de trinta anos em Nova Iguaçu e trabalhou, nos últimos 18 anos, em São Gonçalo. Cada um dos Municípios citados possui cerca de um milhão de habitantes. Desse modo, vemos que são pessoas que vivem em condições muito semelhantes. Nesses municípios imperam: o descaso político, o abandono sócio-econômico, a pobreza, o desemprego e os altos índices de violência (para citar apenas alguns).

O futuro do brasileiro desempregado

Historicamente, tais municípios gigantes, de modo geral, representam “currais eleitorais”. Depois, em época de eleições (como é o caso do presente ano, com eleições presidenciais), são transformados em verdadeiros “circos eleitoreiros”. Nesses circos, são trocados, por exemplo, dentaduras, camisetas e tijolos, por votos.

Diante disso, podemos imaginar o quão problemático será o destino de todos nós, em médio prazo, pois estaremos diante de, aproximadamente, treze (13) municípios gigantes de pessoas desempregadas.

E, obviamente, as crises coletivas refletem nas comunidades. Desse modo, como as comunidades são compostas por indivíduos, estamos diante de um número dilatado de famílias e de indivíduos, também, em situação de crise.

Obviamente, a Psicanálise também enfrenta as suas próprias crises. Ela não se encontra isenta ou neutra nestes tempos de crise do mundo contemporâneo e muito menos quando se trata de Brasil e de seus grandes centros urbanos.

Mas, antes de prosseguirmos, vale relembrar aqui as palavras de um dos autores estudados no primeiro módulo. De acordo com Zimerman: “Convém lembrar que o significado de “crise” tanto pode aludir a um aspecto negativo como ao prelúdio de uma dissolução. Assim como também pode estar indicando um momento culminante que antecede importantes transformações na direção de um crescimento.”

Certamente, toda situação de crise também traz em seu interior a semente da mudança (que pode ser positiva ou não). Vejamos então, como estas ideias estão orientando o nosso modo de pensar. Elas mudam a nossa argumentação sobre esta situação problemática atual, ou seja, a crise e as pessoas nelas envolvidas.

O papel da Psicanálise para os tempos de crise

De acordo com o que aprendemos no decorrer do primeiro módulo do curso, a psicanálise surgiu como um método terapêutico. Este método foi criado então pelo médico austríaco Sigmund Freud (1856-1939) e tem como principal objetivo a pesquisa, o estudo e o tratamento das disfunções mentais.

O objetivo principal deste processo terapêutico é de analisar, investigar e cuidar dos conflitos existentes nos indivíduos. Com isso, procura-se minimizar o sofrimento e, se possível, o restabelecimento da saúde do paciente.

Tais conflitos mentais se apresentam de vários tipos, de múltiplas ordens e de diferentes modos. Além disso, ainda podem ou não possuir associações entre si. E aqui não há privilégios de classe sócio-econômica. Os conflitos mentais são altamente “democráticos”, pois eles não escolhem idade, sexo, cor da pele, religião, status, etc.



É neste sentido que compreendemos que estes tempos de crise atuais são muito propícios para a Psicanálise. Afinal, é nossa posição pessoal que nunca antes na história do nosso país (e, muito provavelmente, até mesmo na história do mundo) o psicanalista foi tão necessário e tão urgente.

.Qual a sua opinião sobre os tempos de crise vividos pelo brasileiro?

Qual a sua opinião, leitor, sobre a importância da psicanálise clínica em tempos de crise? Compartilhe com a gente se você já foi afetado por essa crise e como você acha que a Psicanálise poderia ajudá-lo.

Além disso, você pode acessar o nosso blog e conhecer diversas outras opiniões dos estudantes do nosso curso de Psicanálise Clínica.

Este texto foi enviado pelo aluno Marcos antônio Vieira, especialmente para o Blog Psicanálise Clínica.

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