Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica

Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica

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Comer é uma das ações mais prazerosas que existem, mas ainda assim pode ser perigoso dependendo da quantidade que ingerimos. Isso porque muitas pessoas podem perder o controle e viver exclusivamente para comer. Entenda melhor o que é o transtorno da compulsão alimentar periódica, seus sintomas e como tratá-lo.

O que é transtorno da compulsão alimentar periódica?

O transtorno da compulsão alimentar periódica se trata do impulso em não parar de comer, ou seja, descontroladamente. Ainda que sua fome tenha passado ou o estômago tenha enchido, o indivíduo não consegue interromper a ingestão. Sentindo vergonha do seu próprio comportamento, acaba por comer escondido para evitar julgamentos por essa fraqueza.

Existem episódios em que comemos além da conta, mas temos escolha em fazer isso mesmo não sendo boa ideia. Aqui não há problema, já que a pessoa pode parar assim que sentir saciedade ou desconfortos físicos. Por outro lado, quem possui o TCAP não consegue parar de comer por mais que precise.

Os compulsivos experimentam angústia, vergonha e sensação de culpa por causa do seu descontrole. Ao contrário da bulimia, aqui não há uma postura compensatória depois de ingerir compulsivamente, ou seja, sem vômitos ou diuréticos. Costuma se manifestar com frequência na adolescência e começo da fase adulta, embora perdure se não receber cuidados.

Causas

Os especialistas afirmam que é difícil apontar uma única causa ao transtorno da compulsão alimentar periódica. Isso porque a origem do problema sempre costuma apontar ao lado multifatorial e de ramificações grandiosas. Com isso, o diagnóstico precisa ser bem detalhado para se verificar a fonte precisa desse tipo de problema.

Existe um agrupamento em que esse, assim como outros transtornos, podem ser originados. O conjunto de influências psicológicas, ambientais e mesmo genéticas contribuem à compulsão periódica alimentar.

Sintomas

É preciso se atentar melhor à natureza do transtorno da compulsão alimentar periódica para que se evite enganos. A raiz do problema se concentra em comer muito, além do necessário, sem controle, mas de forma esporádica por duas ou mais vezes semanalmente. Isso acaba por dar alerta a outros sinais tão graves quanto, como:

Mudança brusca no peso

Ao longo dos meses ou anos, o indivíduo altera constantemente a sua forma física graças á ingestão excessiva. Embora alguns consigam emagrecer em algum ponto, logo retornam para mostrar a forma antiga.

Obesidade

Existe uma insatisfação com o próprio peso, já que a obesidade foi um estágio perigoso alcançado. Aqui se abre a porta para problemas de saúde relacionados com essa fase delicada e nociva.

Vestuário

A fim de esconder a sua aparência física negligenciada, as roupas passam a ser mais largas. Não raro os comentários sobre vestes apertadas ou dificuldade para achar algo que lhe caiba.

Isolamento

Conviver com os demais se torna uma tarefa difícil porque há medo sobre o julgamento que podem fazer. Mesmo sabendo que possui um problema, lidar com ele publicamente é doloroso.

Restos no quarto

Além da comida no quarto, os restos dela também ficam presentes nele ou em outros cômodos da casa. Lembre-se que quem possui TCAP come escondido com vergonha dos demais.

Sinais depressivos

É comum uma postura conectada à depressão e nem mesmo o prazer da comida serve de reagente ao bem-estar. Isso se liga a outro ponto com a baixa autoestima, em que se desvaloriza e não enxerga nada de bom em si.

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Comida sumindo

A comida que está na geladeira ou dispensa pode sumir “misteriosamente” graças ao impulso de comer. Isso é notado pela manhã ou retorno externo, já que o indivíduo comeu de madrugada ou na ausência da família.

Sequelas

Desde a nossa infância que nutricionistas recomendam boas práticas em relação à comida. Não apenas ao que e come, mas também a como fazer isso e quando executar. Infelizmente, quem convive com o transtorno da compulsão alimentar periódica quebra essas e outras regras.

Isso acaba por trazer doenças relacionadas com os maus hábitos alimentares. Já que nunca se satisfaz e ainda está propenso a comer alimentos pobres nutricionalmente, sua saúde fica debilitada.

Por exemplo, doenças cardíacas, diabetes, problemas nas articulações, colesterol alto, refluxo gastroesofágico, problemas respiratórios no sono, entre outros. E esses citados são apenas o começo das sequelas que podem surgir.

Fatores de risco

Ainda que não exista receita pronta ao desastre, o transtorno da compulsão alimentar periódica pode acontecer mais facilmente em determinadas pessoas. Isso porque possuem fatores de risco que contribuem diretamente ao surgimento da doença. Os mais frequentes são:

  • Histórico familiar;
  • Exposição negativa a conversas e comentários sobre peso, forma e hábitos sobre dietas;
  • Obesidade;
  • Casos de bullying;
  • Depressão;
  • Agressões e abusos em seu passado;
  • Autoestima muito baixa;
  • Participação em atividades que necessitem de um grande vigor físico.

Diagnóstico

Para se fazer o diagnóstico adequado do transtorno da compulsão alimentar periódica é preciso obedecer a esses critérios:

  • Comer dentro de 2 horas uma quantidade acima do comum;
  • Falta de controle, de modo que dificilmente param de comer tanta coisa;
  • Ingerir uma quantidade de alimento que outras pessoas levariam mais tempo para comer.

Ademais, é necessário verificar se a pessoa apresenta pelo menos três dos sinais abaixo:

  • Comer muito rapidamente e acima do normal;
  • Comer muita comida, mesmo quando está sem fome;
  • Sentir-se deprimido, enojado de si ou com culpa após comer muito;
  • Alimentar-se até ficar cheio, mas com desconforto;
  • Comer sozinho por sentir vergonha da quantidade que é consumida.

Ainda falando sobre os diagnósticos, é necessário considerar que:

  • Os episódios de compulsão precisam ter acontecido, ao menos, uma vez na semanada pelos últimos 3 meses;
  • Não existem comportamentos que compensem esses hábitos, como vomitar em seguida ou usa laxantes;
  • O número de episódios define a gravidade do problema.

Tratamento e cuidados

O tratamento para o transtorno da compulsão alimentar periódica visa reduzir os momentos de compulsão. Ademais, ajudá-lo a perder peso, recondicionando os seus hábitos e percepção. Por isso que a psicoterapia ajuda a trabalhar o seu comportamento e estabelecer um padrão sadio de alimentação.

Também fica incluso um programa para a perda de peso ao lado de uma supervisão médica. Isso acontece quando o indivíduo controla seus impulsos e pode se recondicionar. Cabe ressaltar que dietas podem originar novos episódios de compulsão.

Para os obesos a psicoterapia pode não ser tão eficaz, então entra os medicamentos para ajudar com o problema. Eles podem lidar adequadamente com a química envolvendo as funções cerebrais associadas ao desenvolvimento da compulsão. Além de compensar, o profissional terapeuta ajuda a lidar e condicionar com as sensações resultantes ao problema.

Considerações finais sobre transtorno da compulsão alimentar periódica

O transtorno da compulsão alimentar periódica retira qualquer bloqueio que tenhamos sobre o descontrole sobre a alimentação. Nisso, acaba transformando algo essencial e prazeroso em uma prisão tortuosa e com bastante exposição à dor física, mental e emocional.

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Lendo os pontos de diagnóstico, caso você ou alguém se encaixe, é preciso tomar coragem para tentar mudar essa realidade. É importante procurar um diagnóstico oficial e investir em um tratamento efetivo. Embora seja difícil, a recuperação é possível e, mais que tudo, necessária para que a pessoa consiga retomar a sua vida.

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