Antropocentrismo: significado explicado

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O antropocentrismo é uma maneira de ver o mundo. Mas que maneira seria essa? Neste artigo, vamos conversar um pouco sobre a definição básica, a história, as diferentes visões que estão envolvidas nesta visão. Mas antes, conta para a gente o que você acha que é o antropocentrismo lá nos comentários. Estamos ansiosos para saber o que você já sabe sobre o assunto.

Definição básica do Antropocentrismo

Antropocentrismo é um substantivo masculino. A palavra tem origem nas palavras gregas “anthropos” que significa “humano” e “Kentron” que significa “centro”.

Segundo o dicionário, o antropocentrismo é uma ideologia filosófica que considera o homem como centro do universo. É chamada também de “ciência do homem”. Vem como oposição ao teocentrismo. Ah, só para deixar claro, quando falamos “homem” nós estamos falando de ser humano, ou seja, homens e mulheres.

O antropocentrismo surgiu na Europa entre os séculos XV e XVI e pode ser estudado sob várias visões. Ou seja, não há uma só forma de explicar o antropocentrismo. Até mesmo porque os estudos sobre o assunto mudam, a sociedade muda, a maneira de ver determinadas coisas se modificam

A seguir nós iremos apresentar a síntese de algumas dessas visões.

Antropocentrismo na Visão Historiográfica

Nessa visão o antropocentrismo é localizado na história e busca ser visto de acordo com os acontecimentos históricos. A historiografia localiza o antropocentrismo no renascentismo. Surgiu como oposição ao teocentrismo e marca o fim da Idade Média. Os grandes marcos do antropocentrismo são o heliocentrismo de Nicolau Copérnico e o Humanismo.

A teoria de Copérnico foi importante, pois segundo ele a Terra girava ao redor do Sol. Aí você pode se perguntar: “Mas eles não sabiam disso?” A resposta é “não”! Antes de Copérnico se acreditava que o Sol girava ao redor da Terra. Mas qual a importância disso?

Então, a visão onde a Terra é o centro do sistema era uma visão da Igreja Católica. Segundo ela Deus era o centro e a terra o centro do sistema. Essa teoria não tinha comprovação científica, a Igreja falava e as pessoas aceitavam. Vale dizer que nessa época a sociedade europeia vivia a “era das trevas”, período em que qualquer tipo de ciência era repreendida.

Quando Copérnico apresenta uma visão cientifica que contesta essa primeira visão, se abre um novo modo de ver o mundo.

O financiamento burguês

Nessa época, curiosamente estava ocorrendo a ascensão da burguesia. Os indivíduos pertencentes a essa classe, para mostrar seu poder aquisitivo, começaram a financiar as artes. Essas artes retratavam, se falarmos na pintura, o homem como ser individual e também mudaram a maneira de se retratar o divino. O homem era mais importante e não era mais dependente de Deus.

A cultura, a expansão dos novos estudos, as reformas religiosas, e as grandes navegações vieram a fortalecer essa ideia de independência. O homem se torna mais importante e saber dele, estudar sobre ele, e retratá-lo foram iniciativas essenciais para o período.

A verdade que era dada pela religião passa a se ligar a racionalidade, pois começa-se a explicar a realidade pela razão.

Antropocentrismo na Visão Ideológica

Dentro da visão ideológica o antropocentrismo é toda doutrina que toma o mundo em perspectiva ao homem. Aqui há a divisão entre os estudos teológicos e filosóficos. As ideias deixam de ser baseadas em Deus e passam a ser centralizadas no homem.

Há nesse período a valorização do homem, como já dissemos, e, também, a razão e a matéria. A busca pelo prazer é certa e tudo sobre isso que era considerado pecado deixa de ser.

O antropocentrismo encara que tudo ao redor do mundo só existe por e para o prazer do homem. O homem não precisa de ninguém para o comandar, de modo que ele mesmo comanda sua própria vida. Trata-se do estabelecimento do ser humano em uma posição superior a tudo. Inclusive, se não há mais um Deus, uma outra divindade é creditada, o próprio ser humano nesse caso.

Aqui o homem vive em prol disso e se posiciona dessa forma.

Antropocentrismo Judaico-Cristão

O antropocentrismo judaico-cristão interpreta o antropocentrismo de uma maneira diferente da que citamos anteriormente. Nesse caso os textos bíblicos são a base dessa visão. Para eles o sentido de domínio era diferente: dizia respeito a zelar. A natureza, o tudo não estaria ali para servir ao homem, mas para serem cuidadas pelos homens.

A interpretação da bíblica, então, é voltada para se responsabilizar pelos menos favorecidos. Além disso, aqui o homem não precisa ser colocado no centro, mas um beneficiário de Deus. Nesse contexto Deus volta para o centro e é através dele que os benefícios vêm, de modo que através de sua palavra (bíblia) o bem é encontrado.

Podemos pensar que essa visão veio como resposta à negação de Deus depois do Renascimento. A sociedade não podia mais voltar a era das trevas, ou seja, a negação da ciência, então era preciso buscar respostas sobre outra ótica.


NÓS RETORNAMOS PARA VOCÊ


Além disso, aqui podemos ver que o homem assume um status de soberania. Afinal, se alguém tem capacidade de assumir uma responsabilidade sobre as espécies menos favorecidas é porque ele é mais favorecido. Aqui o homem não é independente de qualquer coisa, mas ele é superior a maioria de tudo. Essa superioridade deve ser focada no auxílio ao outro, mas não deixa de ser uma posição hierárquica.

Contradição do Antropocentrismo

A visão do antropocentrismo deveria ser de que o ser humano é o centro. Mas a história comprova que antropocentrismo não era para os homens. Como assim?

Tudo que a gente falou aqui é sobre uma teoria europeia Medieval, ou seja, é uma teoria criada na Europa por pessoas de lá. O “homem” nessa visão é o homem europeu. Toda a cultura que fugia da cultura europeia não era considerada. O ser humano que não era europeu não era considerável. Na verdade, nem eram todos os europeus que eram considerados.

Quem mandava nos estudos, induzia as ideias a serem discutidas era a classe privilegiada.

É preciso salientar que mesmo as mulheres de classes mais altas não eram consideradas. Logo, hoje a gente entende que o homem do antropocentrismo é o ser humano. Contudo, talvez naquela época provavelmente entendia-se que ser humano era ser do sexo masculino.

A partir disso, a gente pode inferir que existe uma grande contradição. Isso porque ou o homem (ser humano) é o centro, mas não todo homem. Ou o todo está a serviço das necessidades de qualquer ser humano, ou ele está a serviço apenas a uma cultura. As duas coisas não tem como. Você acha concorda com isso ou você acha que assumir uma visão do antropocentrismo europeu é coerente?

Quando a gente está olhando para estudos, teorias, e ideias de outra época é legal fazer esses recortes. É importante entender como a sociedade era e fazer perguntas. Dessa forma, a nossa análise se amplia e a gente enxerga o fato além do que é dito.

Considerações finais

O antropocentrismo é algo importante a ser conhecido, analisado e discutido, afinal é parte na nossa história. A gente espera que esse artigo tenha te ajudado um pouco. Coloque seus comentários abaixo,  além de suas opiniões e dúvidas. Esperamos por você, pois queremos ajudar.

No entanto, queremos fazer um convite. O antropocentrismo é muito mais do que apenas uma proposta histórica a ser estudada. Há pessoas que têm problemas porque se sentem o centro do mundo ou porque lidam com outros indivíduos que se comportam assim. 

Nesse contexto, o trabalho do psicanalista se faz muito coerente, já que busca entender as raízes do comportamento humano baseado no antropocentrismo também. Assim sendo, queira você aplicar o método psicanalítico a nível pessoal ou profissional, confira como funciona o nosso curso de Psicanálise Clínica 100% EAD. É uma chance de se aprimorar internamente, além de se qualificar para entrar no mercado de trabalho relacionado às terapias alternativas.

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