Autoconhecimento: Aprendendo a lidar consigo mesmo

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O autoconhecimento é responsável por ajudar cada pessoa a lidar consigo mesma e com os seus próprios sentimentos. O principal defensor dessa teoria foi Sigmund Schlomo Freud.

Freud, psiquiatra e neurologista austríaco (06 de maio de 1856 – 23 de setembro de 1939), era de origem judaica e faleceu na Inglaterra, em Londres. O psiquiatra, ao final do século XIX e começo do século XX, baseado em suas observações, criou uma ciência teórico explicativa para elucidar os conflitos da alma humana (mente humana), que vão muito além do físico, da matéria.

Seu método investigativo compreende o significado inconsciente de palavras, sonhos e o imaginário humano. Ele encontra o caminho e a chave de acesso a esse mundo, até então, impenetrável. São investigações que afloram o conteúdo secreto do inconsciente humano.

A função do autoconhecimento no trabalho de análise clínica

Atualmente, denominamos esse trabalho de “análise”. Sua função principal é esmiuçar o comportamento de maneira investigativa para que o indivíduo obtenha o seu autoconhecimento.

Desse modo, ele encontra a solução para as suas dores e os seus padecimentos conflituosos, os quais são responsáveis por perturbar a sua psique.

Esse trabalho de descoberta realizado por Freud ainda percorrerá um longo caminho. Ele tanto influenciou como foi influenciado nesse seu constructo teórico.

Hipnose e a sua função na busca do autoconhecimento

Como psiquiatra e neurologista, Freud foi buscar respostas, a fim de auxiliar no tratamento de seus pacientes. Sua busca foi influenciada pelo fato de existir uma limitação nos tratamentos convencionais de sua época. O psiquiatra buscava respostas e soluções para o sofrimento de seus pacientes.

Entre 1885 e 1886, Freud encontrou-se em Paris com o neurologista Jean-Martin Charcot. Charcot utilizava a hipnose como tratamento para certos sintomas decorrentes de patologias mentais, mais precisamente a histeria. Ele acreditava que essa patologia era uma anomalia do sistema nervoso.

Em seu retorno a Viena, Freud aplicou o método hipnótico em suas sessões. Por meio da sugestão hipnótica, o neurologista induziu o paciente a uma alteração em seu estado psíquico e realizou uma observação. Ele tinha como objetivo encontrar alguma relação com os sintomas apresentados por esse paciente.

Freud verificou que, por meio de sugestões, era possível evocar reações e também eliminá-las. Isso também ocorria com certos sintomas físicos.

Depois de Freud, outros psiquiatras continuaram usando a hipnose

Seus estudos avançaram e, entre 1893 e 1896, Josef Breuer, utilizando as técnicas hipnóticas, acessou as lembranças que causaram um trauma para uma paciente. O psiquiatra conseguiu trazer esses acontecimentos de sua memória oculta (inconsciente) para o nível consciente.

Essas técnicas hipnóticas são um método para a redução de sintomas da doença mental e tiveram um bom resultado. Anna O foi a primeira paciente que se beneficiou com este método. Sendo assim, a experiência foi um sucesso.

Ao trazer a nível consciente aquilo que ocasionava o sofrimento psíquico, foram liberadas as emoções dos acontecimentos traumáticos. Desse modo, ocorreu o desaparecimento dos sintomas. O nome dado a esse método foi “Catarse “ ou “método Catártico”.

A teoria de Freud e a formação sexual dos pacientes

O livro “Histeria” (1895) foi publicado por Freud e Josef Breuer no ano de 1895 e, partir de 1896, Freud passou a utilizar o termo “Psicanálise” para o seu trabalho.

O psiquiatra ainda foi mais adiante em suas observações. Além das memórias dos pacientes, ele conseguiu acessar a sua formação sexual desde a infância, na sua origem.

Desde então, ele abandonou abandonou a técnica hipnótica em seus tratamentos e passou a utilizar c.cf o método de concentração. Sendo assim, era possível acessar a psique de seus pacientes por meio da conversação.

A técnica de Freud para estimular o autoconhecimento

Freud, nas primeiras consultas com seus pacientes, indagava-os a respeito de algum fato que poderia ter dado origem aos seus sintomas atuais. Em alguns casos, a lembrança era obscura e, em outros, totalmente desconhecida.

Nos que nada se recordavam, pela sua certeza e persistência, conseguiam evocar certas lembranças. Já nos de lembranças obscuras, conseguiam progredir em suas memórias.

Após isso, induzia-os ao relaxamento do corpo, fazendo com que fechassem os olhos, para se concentrarem. É clássica, nas décadas de 50 a 70, a figura do divã. Embora o método fosse parecido com a hipnose, era, ao mesmo tempo, bastante peculiar.


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Sendo assim, novas lembranças levavam ao passado, trazendo as recordações de fatos mal resolvidos, sofrimentos e traumas que os levaram ao conflito.

Acreditando que, por meio do sugestionamento e insistência, trariam à luz as lembranças que o tornaram doente e que, certamente, ali se ocultavam. (Freud, 1996, pág. 282 e 283)

O desenvolvimento da técnica de Freud para o autoconhecimento

Desse modo, Freud progrediu em sua técnica psicanalítica (Análise da Psique). Começando com a hipnose, a Catarse (método Catártico), onde o paciente, pela conversa, “abria as portas” do seu inconsciente.

Utilizou também a “pressão”, por um curto período de tempo, de forma experimental e auxiliar nos tratamentos. Pressionava, literalmente, a testa do paciente. Dessa maneira, ele acreditava que conseguiria aflorar ao “consciente” aquilo que até então se encontrava no “inconsciente”.

No entanto, ele logo encontrou resistência de seus pacientes e passou, então, à utilização da “Associação Livre”, que consistia na escuta de cada um.

A técnica da Associação Livre

Sem nenhuma restrição ou censura e sem julgamentos, os ouvia e, após a investigação, análise e interpretação dos fatos, conseguia, então, acessar o seu inconsciente pela fala, pela conversa e pela narrativa.

Deu a esse método o nome de “Atenção Flutuante”. A histeria foi a mola mestra a impulsionar o estudo da Psicanálise. Sua observação clínica levou ao conhecimento de sua origem, interpretação e tratamento.

A histeria

O livro “Estudos sobre a histeria” (publicado entre 1893 e 1895) foi a obra que marcou o nascimento da Psicanálise. Porém, o crédito ficou com “A Interpretação dos Sonhos segundo Freud”, publicado em 1900.

A histeria teve sua origem em um trauma vivido na infância e que gerou angústia. No entanto, conscientemente, não se conseguia rememorar esse trauma e acabava por vivenciar no corpo uma descarga emocional.

Trauma infantil, descarga da emoção no corpo físico, alívio da tensão psíquica por meio da conversão/somatização

Desse modo, estes novos conhecimentos romperam os paradigmas já estruturados e Freud, com sua psicanálise, levou à compreensão de uma estrutura oculta, atrás do entendimento racional: o inconsciente.

Podemos fazer a seguinte separação:

  • Inconsciente: conteúdo reprimido;
  • Pré consciente: disponibiliza conteúdos, embora não os mantenha em níveis atuais conscientes. Mantém sua estrutura. Está ligado tanto ao inconsciente, quanto ao consciente.
  • Neurose: conflito interno oriundo de desejos, sendo incompatíveis com a realidade exterior e impossíveis de realizações, gerando um estado de ansiedade. Tem origem na história vivida na infância e conflituosa entre o desejo e a defesa (negação): na realidade, “o homem, este velho desconhecido de si mesmo!”

O homem e seu contexto

O ser humano é um mundo à parte, pois a sua vida é um emaranhado de coisas, pensamento e realizações. Um iceberg, que vemos o que está à tona, o que boia em sua superfície.

Porém, o mais importante: “a diretriz e origem de seus atos” são capazes de afundar o navio de sua vida, mudar sua trajetória ou estagna-lo. Não são visíveis aos olhos e, por isso, muitas das vezes, não são detectados por eles.

Cuidando apenas dos efeitos da somatização, efeitos em seu corpo, de algo totalmente desconhecido de suas causas, segue o homem, a sua angustiante trajetória.

O homem trata apenas aquilo que vê e que sente e não a raiz dos seus males. Desse modo, ocorre um efeito paliativo. Ele não vê, mas sente, assim como o ar, o mundo microscópico composto por como vírus, bactérias e átomos. Todos são invisíveis aos olhos humanos, mas detectados com instrumentação própria.

Assim, são os nossos sentimentos. Eles existem, nós os sentimos, porém, precisamos encontrar a sua origem e acessá-la. Daí a importância do autoconhecimento.

A importância do autoconhecimento

Antes, era necessária a observação, que levava ao conhecimento. O que leva o homem a sentir o que sente? A agir como age? De onde vem tudo isso?  A resposta é o tormento interior!

À medida que este homem evolui e passa a exercitar o autoconhecimento, torna-se um ser pensante, aumentando a consciência sobre si e sobre o mundo. Ele também percebe o seu conflito interno.

Como o fruto não cai longe de sua árvore, assim são as respostas de suas dores e angústias. Elas estão dentro dele mesmo. O homem sente em seu corpo (somatização), mas ele não se dá conta da causa por trás desse efeito.

Freud observou que para além do mero tratamento da somatização existe a necessidade de tratar uma causa primária a esta: um episódio traumático, um inconsciente, uma ferida da alma, que necessita vir à tona.

Quer saber mais?

Como sabemos, depois disso, os métodos foram evoluindo: hipnose, conversação e o auxílio de medicamentos, para a facilitar o processo.

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O artigo presente for escrito pela aluna do curso de Psicanálise Clínica Maria Teresinha Gaspar Lopes, exclusivamente para o nosso Blog.

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