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Bell Hooks: biografia, ideias e obras traduzidas

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Há um seleto grupo de escritores em que as obras acabam precedendo o seu nome e se fundindo com a sua própria história. É o caso de Bell Hooks (ou bell hooks, apenas em letras minúsculas, como ela mesma se intitula), portadora de uma voz poderosa e colossal em relação ao feminismo negro e minorias. Conheça uma parte importante da trajetória dessa incrível mulher!

Origens

Gloria Jean Watkins nasceu em 1952 em Hopkinsville, Kentucky, sul dos EUA, época de grande sensibilidade vivida pela população afrodescendente. A segregação racial permanecia tão palpável quanto pedra e isso era um desafio para ela e tantos outros negros do país. Isso ficava bem evidente no tratamento que recebeu durante a sua infância.

Gloria estudou em escolas públicas para negros, já que os Estados Unidos ainda alimentava a segregação racial mesmo no ensino. E assim que chegou à adolescência, passou a ser discriminada na escola integrada. Já que os alunos e professores, em sua maioria, eram brancos, a minoria restante era alvo contínuo de violência.

Contudo, Bell Hooks, moldou a sua própria história e se tornou uma das mais célebres autoras do movimento social negro no mundo. Formando-se com louvor em literatura inglesa em Stanford, possui mestrado na Universidade de Wisconsin e doutorado na Universidade da Califórnia. Ela escreveu mais de trintas livros publicados sobre os mais diversos assuntos.

Talento nato

Bell Hooks adotou esse nome em homenagem à avó e afirma que a sua obra é maior do que ele. Desde nova sempre se mostrou sagaz traduzindo perfeitamente em palavras a opressão que vivia em qualquer ambiente. Pertencente à chamada “classe trabalhadora”, a autora usou de sua vida, escola e vizinhança para trabalhar as baterias que alimentavam os sistemas de opressão.

Com isso, acabou pontuando três caminhos de dominação mais comuns, sendo eles:

Brancos contra negros

Sendo uma das maiores violências já documentadas, os opostos do branco contra negro se manifesta em diferentes aspectos. Hooks explora muito bem em seu trabalho a dinâmica envolvendo esse sistema de opressão e como ele dura até hoje. Sem contar que expõe com maestria as sequelas desse embate onde, quase sempre, o segundo acaba perdendo.

Ricos contra pobres

A desigualdade e a falta de oportunidades acabam por alimentar um desequilíbrio contínuo vivido até hoje. Por incrível que pareça, algumas pessoas no mundo possuem riquezas acima dos lucros financeiros de certos países. hooks indicou a movimentação de como isso impacta no meio social, especialmente aos menos favorecidos.

Homens contra mulheres

As mulheres historicamente sempre ficaram em posição e subserviência em relação ao homem, sendo vistas até como objeto. Mesmo nas minorias, o homem negro acabava passando à frente o modo inferior como elas sempre foram tratadas. Isso não apenas em relacionamentos, mas também no trabalho e na convivência do cotidiano.

Quebra de padrões

Bell Hooks ensinando a transgredir de várias maneiras, acabava condensando suas perspectivas em literatura coesa e bem estruturada. Ainda na faculdade, começou a escrever Ain’t I a Woman, “Eu não sou uma mulher” em tradução, lançado em 1981. Em 1992, o site Publichers Weekly indicou a obra como uma das mais influentes nos últimos 20 anos.

Hooks indicou que o feminismo acabava apontando as mulheres brancas, classe alta e focado em romantismo e igualdade. Ou seja, não tratava da opressão feminina como um todo e nas suas diversas faces por privilegiar um grupo específico. As mulheres negras, ao abraçar esse movimento, acabavam abdicando das discussões raciais e direitos civis.

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Com isso, a escritora foi alvo de críticas por sua postura e até formação, já que “não era acadêmica o bastante”. Porém, isso tinha apenas o intuito de desmoralizá-la, já que não obedecia aos padrões impostos e desejava acessibilidade para todos. Nisso, alimentou seu interesse pela educação, incluindo de pessoas negras e afastadas da academia da época.

Mulher de possibilidades

Observando Bell Hooks, livros mostram o quanto a escritora desejava a pluralização de vistas a respeito dos problemas das minorias. A mesma sempre defendeu a diversidade feminista, alimentando os mais variados pontos de vista em vez de apenas um. Sem contar que entende a prática pedagógica como um dos centros de luta antirracista e anticapitalista.

Assim, valoriza qualquer tipo de conhecimento e pedagogia, mesmo os distantes do meio acadêmico. Nossas práticas cotidianas, por exemplo, são alguns dos canais à formação de pessoas conscientes das possibilidades e papel que possuem.

A prática da teoria

A história de superação pessoal de Bell Hooks sempre alimentou a sua fome de compreender o mundo em que vivia. Dentro da educação, quando a nossa experiência de vida está muito vinculada à teorização, não existe divisão entre teoria e prática. Ela traz a teorização como caminho crítico de reflexão que acaba levando à cura usando a prática.

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Nisso, o seu papel feminista reivindicou sempre a teoria dentro do ativismo, seja oral ou escrito. Acaba desenvolvendo uma proposta de centralização da discussão pedagógica ao movimento sociopolíticoracial. Para as mulheres negras ocidentais, lecionar é político, contra hegemônico, anti-escravocrata e antissegregacionista.

Foi graças ao movimento feminista afro-americano que as mulheres continuaram a lutar contra desigualdades de maneira pluralizada. Por conta delas que nos anos 80 houve uma revitalização do feminismo multicultural e se olhou para outras questões sensivelmente. Assim, as mulheres foram mais críticas sobre raça, classe, gênero, orientação sexual e outras teorias feministas.

Substituições necessárias

Observando Bell Hooks, os livros apontam a necessidade de construir uma educação mais humanista, sendo antirracista, anti-homofóbica, antissexista. Assim, por meio disso, conseguiríamos reconhecer as particularidades de um indivíduo e dar voz para ele. Nisso, estimularíamos o senso crítico coletivo, avançando em direção à libertação das minorias.

Isso será possível quando lutarmos contra os métodos antigos de ensino, descentralizando o conhecimento e aproximando a teoria da prática. Valorizar a produção acadêmica feminista criada num centro elitista branco acaba por tirar visibilidade de fontes menos conhecidas. Hierarquizar o debate não ajuda o coletivo na prática.

Os dogmas teóricos se mostram falhos por abranger um círculo pequeno de pessoas e não colabora ao público. Em outras palavras, esse pensamento acadêmico serve apenas para manter da classe dominante intelectualmente. Assim, Bell Hooks ensinou a transgredir por meio da teoria da libertação, se mostrando um exemplo de resistência a ser seguido.

Obras traduzidas

Mesmo com um extenso currículo de publicações, Bell Hooks começou a ser traduzida ao idioma português recentemente. Isso é extremamente oportuno, pois ajuda a divulgar a sua mensagem onde ela precisa chegar. Dentre as obras traduzidas, trazemos:

“Erguer a voz: pensar como feminista, pensar como negra”

Aqui é ensinado que devemos nos opor aos padrões pré-estabelecidos e sempre criticá-los, não baixando a cabeça para eles. hooks mostra que devemos ter opinião própria, saber discordar e se manifestar diante de cenários injustos. Igualar-se a uma figura de autoridade quando um oprimido precisa de apoio e nossa ajuda.

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“Olhares negros: Raça e representação”

Essa coletânea de ensaios críticos se questiona sobre maneiras alternadas de olhar à negritude, branquitude e subjetividade dos negros. Focando no espectador, mira na experiência da negritude em relação à música, literatura e entretenimento em geral. Dessa forma, a autora fala numa intervenção de como falamos de representação e raça.

“Eu não sou uma mulher?”

Por fim, embora não o último da sua carreira, “Eu não sou uma mulher”, clássico que trabalha os preconceitos socioculturais e a mulher negra. A obra trabalha os pilares da construção de um mundo sem opressão racial e sexista. Originado do discurso de Sojourner Truth, mostra as falhas estruturais criadas e alimentadas por ideias racistas.

Considerações finais sobre Bell Hooks

Bell Hooks demonstra intensa genialidade e expressão por meio de todo o seu trabalho. É atemporal, montando uma linha de origem e ramificação de uma dos maiores males da humanidade, o racismo.

A dose de realidade empregada em cada linha exibe as feridas centralizadas a partir de uma concepção arcaica sobre minorias. É uma excelente referência para que mulheres, homens e crianças se sintam representados por uma porta-voz que partilha suas dores. Aos demais, é um canal contínuo de aprendizado e revisão da postura quanto aos segregados.

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