Capitão Fantástico

Capitão Fantástico (2016): análise e resumo do filme

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Você por acaso já assistiu ao filme “Capitão Fantástico” e gostaria de analisar criticamente alguns dos temas que a obra retrata? A proposta deste artigo é justamente essa. Assim sendo, confira!

Resumo do filme “Capitão Fantástico”

Começamos nossa reflexão com uma breve sinopse de “Capitão Fantástico” para que você relembre o enredo. O lançamento do filme ocorreu em 2016 e foi um grande sucesso, recebendo até um reconhecimento de Melhor Direção em Cannes.

Na natureza selvagem

O filme conta a história de Ben (Viggo Mortensen), um homem que vive na floresta com seus seis filhos. Assim, em ambiente selvagem, a família tem uma rotina rígida que contempla o fortalecimento físico e intelectual no desenvolvimento das crianças e adolescentes.

Uma criação diferente

Mesmo as crianças mais jovens leem obras literárias complexas, tal qual “Lolita”, de Vladimir Nabokov. Ademais, elas recebem o estímulo para emitir opiniões elaboradas sobre o assunto.

No que diz respeito ao emocional dessa família, todos são assombrados pela ausência da figura materna, pois ela está internada devido a gravidade de uma doença mental.

O ponto de inflexão que muda o roteiro

Quando essa mulher falece, a família é obrigada a se deslocar da selva para a civilização a fim de participar da cerimônia de despedida. 

Obviamente, o contraste entre a realidade conhecida até então e a nova realidade que se apresenta deixa vestígios em todos.

Análise do filme Capitão Fantástico

Agora que faremos algumas análises sobre temas recorrentes em “Capitão Fantástico”, vale lembrar que poderemos abordar partes do enredo consideradas como spoiler. 

Nesse contexto, lembramos que este é um texto que pressupõe o conhecimento dos nossos leitores sobre o filme. Logo, se você não assistiu ao filme ainda, faça isso (o longa está disponível para exibição no catálogo da Netflix).

Uma sociedade utópica sob ameaça

O que primeiro costuma chamar a atenção do telespectador no filme é o quão reservada é a intimidade familiar de Ben. No enredo, fica claro que ele e a esposa eram pessoas que idealizaram um estilo de vida afastado das influências do sistema capitalista que impera nos Estados Unidos.

Juntos, eles construíram para o próprio casamento e para os filhos uma realidade inatingível. No entanto, as regras rígidas garantiam os resultados esperados das crianças. Dessa forma, elas aprenderam habilidade notáveis:

  • caça,
  • letramento,
  • senso crítico,
  • culinária,
  • entre várias outras.

Assim sendo, o contato dessa sociedade utópica e socialista com a realidade capitalista é verdadeiramente ameaçador. 

A ameaça positiva

No entanto, vale lembrar que essa ameaça também apresenta alguns pontos positivos. 

Sem o contato com o mundo fora das florestas, o filho mais velho de Ben teria poucas chances de conhecer o amor ou a realidade em uma universidade de prestígio. Essa é uma oportunidade que, por sua vez, oferece uma gama de possibilidades profissionais relevantes.

Dessa forma, fica em questão o quanto uma sociedade utópica é capaz de satisfazer, pois que ela é limitante em vários sentidos. 

O quão real é essa utopia e o quanto os pais podem limitar o acesso dos filhos ao exterior dos limites que eles impuseram?

Os perigos da paternidade abusiva

A última pergunta acima serve de gancho para abordarmos a paternidade em “Capitão Fantástico”. 

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    É adequado afirmar que boa parte dos pais querem o melhor para os seus filhos. No entanto, no filme, os desejos dos pais para seus filhos extrapolam os limites das vontades individuais de um ser humano, o que é problemático.

    Mesmo tendo filhos adolescentes e velhos o suficiente para começarem a se responsabilizar pelas próprias decisões, a chateação e o controle de Ben se destacam. Assim, geram questionamentos sobre os limites da interferência dos pais na vida dos filhos.

    É importante entender que a criação dos filhos deve objetivar a autonomia nas escolhas da vida. Ou seja, na idade do filho mais velho de Ben, esse adolescente deve ser capaz de tomar decisões e assumir as consequências de suas escolhas. 

    Sem essa autonomia, os filhos ficam aprisionados em uma relação de dependência dos pais que não é saudável. Dessa forma, as relações amorosas, profissionais e emocionais sofrem.

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    A busca pelo equilíbrio social

    No que diz respeito ao contraste entre a vida em isolamento e a vida em sociedade, a discussão a que chegamos assistindo ao filme é: será que é possível atingir algum grau de equilíbrio?

    Nesse contexto de equilíbrio hipotético, existe a privacidade para que questões de ordem pessoal fiquem resguardadas na intimidade familiar. Porém, existe também um contato saudável com o coletivo para suprir necessidades emocionais que extrapolam os limites da família. 

    A resposta para esse questionamento não é óbvia, pois os extremos do isolamento e do excesso de exposição são mais evidentes. Contudo, essa pergunta oferece muito material para discussão. 

    Ademais, pensar sobre a possibilidade de um equilíbrio pode ser interessante para tentar aplicar versões balanceadas desse contato tanto no dia a dia quanto na criação dos filhos.

    O valor da liberdade

    Finalmente, é notável a discussão sobre o valor da liberdade em “Capitão Fantástico”. Há liberdade na escolha de Ben e de sua esposa de se afastarem de suas famílias e da sociedade em que viviam para constituírem sua própria família em um ambiente reservado.

    Ademais, também é um direito do casal ter seus filhos neste ambiente, além de criá-los de acordo com os valores em que acreditam.

    No entanto, existe uma linha tênue que divide a liberdade dos pais e a liberdade dos filhos, principalmente quando algum tipo de abuso afeta as crianças. 

    Nesse contexto, o isolamento total é um abuso? Seria um abuso também a privação da vivência coletiva? Essas são questões mais relevantes para a nossa sociedade do que parecem. 

    A educação no lar – homeschooling

    Atualmente, as discussões sobre a educação no lar são cada vez mais frequentes. Grupos de pais, convencidos de que seus valores serão deturpados pela coletividade na escola, preferem educar seus filhos em casa. Estariam eles certos ou errados?

    A educação no modelo de homeschooling substitui uma educação formal? Ela viola o direito das crianças a uma educação mais ampla?

    Como já dissemos, esse tipo de pergunta não é simples de responder. No entanto, o filme “Capitão Fantástico” lança luz sobre esses questionamentos, nos levando a pensar mais sobre eles. Assim, só por esse tipo de reflexão, o filme já vale a pena.

    Capitão Fantástico: Considerações finais

    Esperamos que, com essa breve discussão, tenhamos mostrado a profundidade das reflexões presentes em “Capitão Fantástico”. 

    Sabemos que eles geram muitos desconfortos, porém os desconfortos são importantes para revermos nossos pensamentos. Assim, reflitamos: será que eles fazem sentido ou nós queremos muito nos apegar a eles? No fundo, essa é uma reflexão que o protagonista também precisa fazer. 

    Para ler outras resenhas como esta de “Capitão Fantástico”, confira outros artigos no nosso blog. Porém, para conferir análises mais profundas sobre temas que estão presentes no filme, como comportamento humano e paternidade, faça a sua matrícula em nosso curso de psicanálise completo e EAD. Aguardamos você!

    2 thoughts on “Capitão Fantástico (2016): análise e resumo do filme

    1. Muito bom assunto! Hoje está muito complicado a criação dos filhos. A responsabilidade são dos pais e as escolas muitas vezes , por questões políticas querem distorcer todo o ensinamentos que os pais encontram em seus filhos. .

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