Cirurgia plástica segundo a psicanálise

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Quase todas as pessoas carregam alguma impressão sobre o próprio corpo que, se possível, mudariam. Nesse contexto,  desejo em mudar o formato do nariz, rosto ou barriga diz sobre a nossa percepção e mentalidade quanto a nós mesmos. Assim, veja o que a Psicanálise tem a dizer sobre cirurgia plástica.

Autoimagem

Especialmente perto do verão, onde exibimos mais o corpo, a preocupação com a aparência se mostra mais evidente. Nesse contexto, por exigência social, precisamos parecer adequados ao padrão imposto pelas revistas e internet. Assim, boa parte da população se mostra atenciosa com exercícios para alcançar isso.

Contudo, uma parcela decide atingir tal objetivo através da cirurgia plástica. No entanto, cirurgias deste tipo no geral têm contexto puramente estético, fugindo da ideia de tratamento de saúde. Assim sendo, o pensamento de algumas pessoas se resume a acreditar que apenas isso mudará sua vida. Entretanto, embora o médico ateste que foi um trabalho bem executado, o paciente acredita que não.

Acontece que o indivíduo operou o corpo, não a imagem que tem de si mesmo. Consequentemente, por se basear em um ideal de beleza etéreo, se frustrará com o resultado obtido. Assim sendo, tal busca pode levá-lo a cometer excessos, indicando a presença de transtornos mentais e de imagem.

Consequências da cirurgia plástica

A busca incessante pelo corpo perfeito pode transpassar o limite do seguro quando nos expõe a riscos de saúde. Nesse contexto, há um limite que deve ser imposto quando a nossa segurança está abalada. Caso contrário, poderemos adquirir sequelas terríveis. Dessa forma, veja abaixo as mais comuns:

Perda da imagem

Em alguns casos, as pessoas se mostram insatisfeitas com o resultado obtido. O queixo, glúteo, pernas… Tudo o que ela pediu e foi feito pode ser rejeitado e gerar um sentimento de frustração, levando às novas cirurgias. Assim, o processo contínuo de intervenção acaba entregando uma imagem bem diferente da que realmente era, o que é ruim.

Cicatrizes mal fechadas

O abuso de cirurgias plásticas pode afetar o tecido vivo da pele. Dessa forma, uma cirurgia mal executada pode conduzir a um novo problema. Nesse contexto, com a manipulação descuidada do tecido, o médico pode agredir gravemente o paciente sem dar chance do corpo se recompor. Isso resulta em cicatrizes chamativas e com um aspecto desagradável.

Infecções

Ao entrarmos em cirurgia, tornamos o nosso corpo mais debilitado e sensível. Nesse contexto, com a frequência dessa atividade no corpo, as portas para infecções ficam abertas, o que, a depender do nosso estado, podem ser de gravidade alta.

Autoestima abalada

Por incrível que pareça, a auto estima de alguém que fez cirurgia plástica pode ser rebaixada. Assim sendo, principalmente por não atingir o resultado que queria, o indivíduo se sente inadequado a um ambiente e “feio”. Dessa forma, a percepção que tem sobre si é bastante limitada por conta do ideal imaginado.

Depressão

As consequentes quedas em sua personalidade podem encaixá-lo em um quadro de depressão. Isso porque devido à aparência que tem contra a que desejava, nutre pensamentos destrutivos a respeito de si mesmo. Nesse contexto, a luta e o insucesso em conseguir a aparência perfeita acaba por debilitá-lo psicologicamente.

Mutilações

Para alcançar o padrão de beleza, algumas pessoas são capazes de tudo ao pensarem em cirurgias. Por essa razão, na busca por viabilizar mais rapidamente o processo, recorrem às clínicas clandestinas para se operarem. No entanto, isso é um erro gravíssimo. Essas clínicas não possuem certificado de segurança ou autorização para funcionar.

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Nesse contexto, você não tem acesso ao material utilizado em sala e nem sobre a formação do médico. Facilmente, poderá sofrer com falhas na cirurgia e isso acarreta em deformações graves no corpo. Assim, em caso de imprevistos onde se chega a situações extremas, pode acontecer de não ser socorrido a tempo.

Exemplos

Desde o ano de 2018, casos onde pacientes morreram por complicações na cirurgia vieram a público. Em relatórios divulgados, descobriu-se o uso de substâncias proibidas, como o metacril, usada segundo alguns para dar firmeza aos músculos.

A substância foi usada por um cirurgião apelidado de “Dr. Bumbum”. Contudo, o indivíduo em questão não possuía registro para atuar no Rio de Janeiro. Além disso, atendia pacientes em sua cobertura sem qualquer recurso de segurança ou autorização. Nesse contexto, a irresponsabilidade acabou por matar uma paciente, causada por embolia pulmonar.

Outro caso famoso é da morte de Mayara dos Santos. A paciente faleceu por conta da aplicação irregular de silicone industrial. Após a morte dela, outras pacientes entraram com um processo contra Patrícia Silva, conhecida como “Paty Bumbum”.

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Cuidados

Ao se pensar em qualquer intervenção cirúrgica, é necessário prestar atenção em alguns elementos. Nesse contexto, qualquer cirúrgia plástica deve ser trabalhada adequadamente antes de ser feita, prevenindo qualquer risco que o paciente possa ter. Dessa forma, tome muito cuidado ao decidir dar prosseguimento para elas. Assim sendo, veja abaixo algumas dicas que poderão te ajudar:

Profissional adequado

Levante uma lista de profissionais qualificados caso decida fazer a cirurgia. Assim, avalie o currículo de cada um e o certificado. Além disso, veja se o mesmo está vinculado à Sociedade Brasileira de cirurgia Plástica. Apesar de trabalhoso, a sua vida estará nas mãos deste profissional e é necessário ter garantias.

Equipamentos de segurança

Ao encontrar um médico adequado, é hora de fazer uma consulta. Nesse contexto, ao ser atendido, converse com o médico sobre as instalações do lugar. Seja incisivo e procure por equipamentos de segurança inerentes a uma UTI. Toda clínica particular ou hospital precisa tem em mãos os equipamentos necessários para assegurar o paciente.

Referências

Ao verificar o registro e as dependências de onde o cirurgião atua, tente achar outros pacientes atendidos por ele. Através deles, entenda mais do modo de trabalho do médico e qual a relação de cuidado que mantém com os pacientes.

O que reluz é o ouro interno

Embora a cirurgia plástica possa alterar aspectos físicos com os quais não nos identifiquemos, a primeira mudança deve vir de dentro. Devemos estar cientes de que não há um padrão a ser seguido, embora haja um sendo exposto. A beleza interna também contribui para exalarmos o que guardamos por dentro.

Por isso, antes de qualquer alteração externa, trabalhe o seu interior. Não se deprecie por conta de partes que você quer que sejam mudadas. Ressalto que o argumento não está indo contra ao uso da cirurgia, pelo contrário. Ela deve ser usada para realçar o que já temos de melhor. Afinal, o que reluz é o ouro interno.

Na busca por um ideal imaginário, concordamos em alterar partes do corpo. Às vezes, algumas pessoas transpassam limites e obtém resultados aquém do que desejavam. Devemos ter em mente que nossa imagem é única, não passável e não copiável. Nossas características só caem bem em nós mesmos.

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Por isso, nada de copiar o queixo, bochecha ou lábio de famosos. Use a cirurgia para melhorar o que você tem de maneira segura e saudável, sem metas etéreas. Trabalhe antes o seu Eu mental e evite excessos na mesa cirúrgica. Do mesmo modo que a cantora Beyoncé recitou em sua música “Pretty hurts”, a beleza pode realmente machucar.

Até aqui, espero que o texto tenha ajudado a alinhar algumas coisas sobre o assunto. Se ainda tiver dúvidas ou quer deixar um relato, entra em contato com a gente. Através do “Fale conosco”, você terá uma porta aberta para se abrir e comentar sobre algum caso que marcou você. Podemos não ser cirurgiões, mas temos bons ouvidos a uma conversa.

Considerações finais

Para saber mais sobre como a Psicanálise pode ajudar pessoas, confira as informações sobre nosso curso de Psicanálise EAD. Nele, você não só saberá aconselhar pessoas interessadas em cirurgia plástica como poderá exercer a profissão legalmente.

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