Coaching Feminino: de mulher prendada para mulher segura

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Neste artigo vamos abordar o Coaching Feminino, sob a ótica de Ser Coach para ser mulher. Nossa proposta é trazer um tutorial definitivo de como se transformar de “mulher prendada” em “mulher segura”.

O processo de coaching e o profissional de coaching existem há bastante tempo. É direcionado para desenvolver habilidades gerenciais e de liderança nos profissionais do mundo bussiness. Mas em tempos de youtubers e influencers, com a janela de comunicação das mídias sociais, surge uma onda em que qualquer um pode treinar tudo e todos para qualquer coisa.

Eis que o coaching chegou ao universo das demandas femininas. Todo tipo de gente se aventura a ensinar às mulheres, tudo o que se precisa saber para ser empoderadas, realizadas e felizes. É um mar de treinos, dicas, passo a passo, tutoriais que ao final não se sabe ao certo o que se precisa aprender.

Exemplos de temáticas do Coaching Feminino ou Coaching para Mulheres

  • Como conquistar,
  • como esquecer,
  • como mandar mensagens românticas,
  • como deixar ele louco na cama,
  • como se vestir bem em qualquer ocasião,
  • como fazer renda extra,
  • como ser sexy,
  • como ser feminista, como ser antifeminista,
  • como organizar a casa em três passos…

A mulher perfeita nunca decepciona, ela sabe ser sexy sem ser vulgar, ser independente sem ser autossuficiente, ser empoderada sem ser antipática, ser romântica sem ser chata, ser madura sem ser pedante, ser bonita naturalmente mesmo exausta!

Vamos rebobinar a fita e nos recordar da dura caminhada percorrida pela mulher para conseguir alguma autonomia, seja sobre seu corpo ou suas ideias. O Feminismo nos trouxe maiores possibilidades, nos abriu as portas do mercado de trabalho, da escolha de como educar nossos filhos, de como ocupar nossos dias.

Em contrapartida, a mulher pós-moderna é pressionada a executar brilhantemente infindáveis tarefas. O problema, no entanto, não reside na mulher ter que realizar bem suas funções, mas na impossibilidade de rejeitar alguns destes
apéis por medo de perder o título de “mulher segura”; título este tão fundamental para a aceitação e apreço social das mulheres como outrora fora o de “mulher prendada”.

Os papéis da mulher na contemporaneidade

Na sociedade atual, assim como nos tempos passados, as mulheres foram sutilmente treinadas para serem competitivas entre si, sempre medindo quem é a mais bonita, a mais agradável, a mais inteligente. Este torneio cotidiano de prendas e qualidades impediu que as mulheres pudessem desenvolver um sentimento autêntico de solidariedade umas com as outras.

Com isto não se quer reforçar o falso cliché de que a mulher é traiçoeira, os espaços de privilégio a serem ocupados pelas mulheres eram restritos, sendo necessário se destacar frente as demais.

Chegou a pós-modernidade e com ela as conquistas femininas; com as conquistas vieram também as exigências e responsabilidades. Nesta realidade inédita que confronta a mulher como nunca antes surgem medos, inseguranças e angústias.

O sentimento de solidão existe em toda mulher, ele se revela quando se está sozinha com seus pensamentos e obrigações se questionando se ao fim do dia terá conquistado a medalha de “mulher realizada”. Este percurso solitário de certa forma tornou as mulheres mais competitivas umas com as outras potencializando o sentimento de isolamento.

Ao mesmo tempo em que se tornaram alvos de diversas expectativas sobre suas capacidades e habilidades pessoais.

Coaching Feminino e a Idealização da Mulher

Entre estes vazios ficam infinitas perguntas sem repostas, onde submerge a individualidade e a subjetividade num oceano de comportamentos adequados e idealizados para a mulher. Nem tudo mudou!

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Daí estão disponíveis os tutoriais de como a mulher deve fazer isto ou aquilo, nesta ou naquela situação.

Os coachs nasceram para treinar o homem para ser bem-sucedido nos negócios. Considerando que estes espaços foram majoritariamente masculinos, a simples adaptação da técnica para as demandas femininas -um mercado carente e em expansão-, tem como ponto de chegada muito mais adestrar a mulher para se moldar ao ideal de feminino do imaginário masculino pós-moderno, do que propriamente ajudá-las na caminhada do autoconhecimento.

É preciso tomar cuidado com o discurso que apenas conduzir para um campo fantasmagórico de sucesso e perfeição que ninguém sabe ao certo onde é, mas é para lá que os vencedores e vencedoras vão. Vale lembrar que nem sempre a pessoa que está ensinando, seja homem ou mulher, tem formação para tal.

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É preciso que as mulheres olhem para dentro de si com auto amor, este é o primeiro passo para saber o que pode ser descartado. Descobrir isto não é nada impossível, basta confiar em seus sentimentos. A retórica de que é dificílimo saber o que se quer também foi criada para monetizar nossas angústias e inseguranças.

Não devemos absorver estes conteúdos para reforçar nossa superioridade ou inferioridade diante de outras mulheres, nem para alimentar a sensação de incompletude.

Artigo escrito por Isabella Oliveira, para o blog Psicanálise Clínica. Estudou Filosofia e Direito na PUC Minas. Escreve no site mulherdeverdade.home.blog.

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