como interpretar sonhos

Como interpretar sonhos: método de Freud

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Sempre que sonhamos algo intrigante, acordamos querendo saber o que aquilo pode significar. Desde tempos remotos, as pessoas se perguntam como interpretar sonhos. Existiram respostas místicas, mas foi Freud que, com a Psicanálise no livro “A Interpretação dos Sonhos” de 1900, propôs um método para compreender os sonhos. Vamos ver como funciona?

Diferentes perspectivas de interpretação dos sonhos

Embora o homem se considere um ser superior, ele não é o único animal que ao adormecer tem a capacidade de sonhar. Os cientistas acreditam que qualquer animal com cérebro desenvolvido como mamíferos e aves podem sofrer esse fenômeno.

Desde que vivemos em sociedade o homem ao se acordar após seu período de sono, relata as maravilhas de seus sonhos. Além disso, os terríveis presságios que surgem com seus pesadelos, historicamente atribuídos a mensagens vindas do divino.

Pensa-se então em deuses ou espíritos antepassados enviando-nos mensagens, prevendo o futuro. São grandes bonanças ou terríveis calamidades, mas que devem ser interpretadas. Daí o surgimento de pessoas que até os dias atuais atribuem significados, simbolismo a cada aspecto dos sonhos.

Sendo assim, se eu sonhar que estou tendo minha casa pegando fogo e outra pessoa também tiver um sonho similar, poderia ser interpretado como se ambos fossem perder a casa!

José era uma referência em como interpretar sonhos

O primeiro relato histórico escrito sobre um sonho é o que temos presente na Bíblia e no Torá. No livro intitulado Gênesis, existe uma passagem em que é relatado o sonho de José.

Ele posteriormente também se tornaria uma referência em como interpretar sonhos para o faraó do Egito durante o período em que os hebreus viveram próximo ao Egito. Nesta citação temos:

Como interpretar sonhos trouxe problemas para a vida de José

“Certa vez, José teve um sonho e, quando o contou a seus irmãos, eles passaram a odiá-lo ainda mais. Ouçam o sonho que tive”, disse-lhes. Estávamos amarrando os feixes de trigo no campo, quando o meu feixe se levantou e ficou em pé, e os seus feixes se ajuntaram ao redor do meu e se curvaram diante dele”. Seus irmãos lhe disseram: “Então você vai reinar sobre nós? Quer dizer que você vai governar sobre nós? ”

E o odiaram ainda mais, por causa do sonho e do que tinha dito. Depois teve outro sonho e o contou aos seus irmãos: “Tive outro sonho e, desta vez o sol, a lua e onze estrelas se curvaram diante de mim”.Gênesis 37:5-9

Mas afinal, se todos os homens sonham independente do local ou religião, poderia os sonhos serem realmente uma forma de mensagem vinda do Divino? E esta teria o intuito de nos revelar nosso futuro ou seria alguma outra forma de comunicação?

As ferramentas que possibilitaram a origem da Psicanálise

Em 1897 Freud durante seu período de autoanálise e chamado pelo próprio de “esplêndido isolamento”, se aprofunda no seu auto conhecimento usando como ferramentas:

  • a associação livre;
  • lembranças da infância;
  • relatos de seus sonhos.

Esses três pilares foram a matriz de origem de toda a ciência da psicanálise. Desse estudo surgiu, em 1900, um livro que mudou a maneira que a humanidade veria seus sonhos. Sendo assim, esse livro intitulado “A interpretação dos sonhos”, que foi lançado há 119 anos, ainda sim é atual.

Ele traz uma mensagem, que sim, os sonhos são realmente uma forma de mensagem com algo muito importante a ser contado. Entretanto, eles necessitam de uma interpretação, e que o remetente seja uma pessoa bem próxima, você mesmo.

A comunicação entre consciente e inconsciente

No livro, o autor relata as diversas relações dos sonhos que sugeriam uma comunicação entre o inconsciente com o consciente. Para que isso aconteça, Freud percebeu que era necessário o surgimento de três situações, acontecimentos, que seriam:

  • Estímulo sensorial: como uma necessidade fisiológica, vontade de beber água antes de dormir;
  • Restos diurnos: como presenciar um acidente;
  • Sentimentos e desejos reprimidos: como uma escolha que fizemos no passado.

Dessa forma, o inconsciente teria um jeito de se expressar ao consciente se utilizando de alguma forma de linguagem classificada por Freud.

  • A primeira, o deslocamento, em que as cadeias de pensamentos deslizam uma pelas outras como os slides de uma projeção.
  • Depois, a condensação, em que os pensamentos são condensados em uma única cena ou parte delas como em uma imagem criada em um caleidoscópio.
  • Por fim, a representação, em que geralmente um objeto ou animal toma um significado oculto que deve ser interpretado.
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A primeira interpretação de José

Nele os sete irmãos de José interpretaram seu relato como se ele fosse o “feixe de trigo”, maior que todos e permanecesse no centro, em posição de destaque. Os feixes de trigos menores representariam seus sete irmãos.

Eles se aproximam do feixe grande e o saúdam. Ou seja, o que gerou grande desagrado entre eles, mas que nessa mesma passagem temos de forma rápida a primeira interpretação de um sonho.

Conclusão

O sonho e como interpretar sonhos devem ser vistos como uma importante estrada, embora o caminho por vezes se mostrem complexos.

O sonho é uma rota para que possamos chegar ao inconsciente que por vezes nos manda uma “mensagem” através de sua interpretação, mas que podemos levar algum tempo para decifrar. Dessa forma, a interpretação dos sonhos pela visão da psicanálise é uma grande ferramenta para o conhecimento dos processos inconscientes humanos.



Artigo criado por Augusto Pereira, exclusivo para o blog do nosso Curso.

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