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O que é Psicanálise? Saiba tudo Através de Três Perspectivas Simples

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Você sabe o que é psicanálise? Apesar de parecer complexo, esta é uma pergunta que pode ser respondida a partir de três abordagens simples. Continue lendo para saber quais são elas!

Em primeiro lugar, é um método investigativo. Em segundo lugar, é um método terapêutico ou clínico. E, em terceiro lugar, é uma forma nova de abordar o ser humano, a cultura e a sociedade. Vejamos com detalhes quais são essas três abordagens.

Enquanto conceito, pode-se dizer que a Psicanálise articula-se como um campo de saber, um constructo teórico e prático. Ela investiga as diversas áreas de fazer/saber humano. Historicamente o termo foi cunhado por Sigmund Freud, médico vienense inserido no contexto sócio-histórico do século XIX. Pode-se dizer que a Psicanálise divide-se em três abordagens.

Primeira Perspectiva: Um Método Investigativo

Num campo/método investigativo sobre os processos inconscientes dos gestos, das palavras, dos delírios, das parapraxias; a tudo aquilo que escapa ao sujeito, a tudo aquilo que escorrega da tão famigerada ideia de consciência.

Para tal método, acredita-se que é na associação livre de ideias, ou gestos que o sujeito do inconsciente vem à tona. Ou seja, justo nisso que escapa ao campo de interesse e de pesquisa das Psicologias regidas pelo cogito cartesiano, como:

  • atos falhos
  • lapsos de memória
  • a ideia de erro

Na ideia de erro pode ser ao tocar uma nota indevida que revela o possível não-dito, mas está sempre presente.

Segunda Perspectiva: Um Método Terapêutico

Um método de psicoterapia baseado nesse pressuposto do inconsciente, que investiga acerca do desejo do sujeito, suas resistências. Soletra a sua relação transferencial com o analista a partir do seu contexto passado-presente.

Nesse processo pode-se dizer que a Psicanálise conta com uma arma fundamental: a escuta. Assim ela proporciona ao sujeito um ambiente onde todo o seu conteúdo inconsciente possa revelar-se e ser descoberto no processo.

Só é possível a partir de uma escuta que admita todos os matizes, às vezes contraditório, do ser-fazer Barroco. Freud em seus escritos demonstra o seu empenho e, tenta captar e permitir-se visitar a fantasia dos seus analisandos.

Todavia, o mesmo alertava para que essa escuta não fosse confundida com um fazer puramente discriminativo, calcificado. Sendo assim, aponta a importância de conciliar o comprometimento com a narrativa do outro com uma Atenção Flutuante:

“Não devemos atribuir uma importância particular a nada daquilo que escutamos, sendo conveniente que prestemos a tudo a mesma atenção flutuante.

Terceira Perspectiva: Uma Nova Forma de Abordar o Ser Humano, a Cultura e a Sociedade

Como um conjunto de teorias psicanalíticas e também psicopatológicas. Pode-se dizer que a “verdade” da Psicanálise não se inscreve como um algo rígido, imutável, inquestionável. Através de historiadoras como Elisabeth Roudinesco é possível perceber como a história da Psicanálise foi marcada por debates, conflitos e “reformulações” teóricas.

Ou seja, a partir dos pressupostos Freudianos, nesse aspecto é essa “autonomia” e esse desejo de Saber dos teóricos que possibilitam a vivacidade desse campo de saber.

A Psicanálise se entrelaça a outros tantos outros campos, como:

  • Filosofia
  • Música
  • Pintura
  • Educação
  • Literatura
  • Sociedade
  • Política
  • Comportamento

Um trabalho Artesanal a Partir de Três Abordagens Teóricas


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No processo de construção e estruturação do monumento que é a Psicanálise, Freud a partir dos contatos com Charcot e Breuer desenvolveu um trabalho artesanal. Isso envolveu um corte e costura das três abordagens teóricas e práticas da sua obra.

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1. Compreensão do Aparelho Psíquico

O primeiro modelo topográfico diz respeito aos elementos que compõem o aparelho psíquico inicialmente dividido em: Inconsciente, Pré-consciente e Consciente. Assim, são três partes de um todo que dialogam entre si.

2. Reflexão sobre a própria Psicanálise

Posteriormente Freud acopla a sua edificação o segundo modelo topográfico, adicionando os conceitos de Isso, Eu e Supereu (na tradução do português de Portugal) ou Id, Ego e Superego. Nesse sentido toda a metapsicologia freudiana vai ganhando corpo, revelando a criatividade e o incansável desejo de Saber do seu autor. Esse autor não se cansou de reformular seus pontos de vistas acerca da aparelhagem e dos fenômenos do psiquismo.

3. Hermenêutica e interpretação da cultura e da sociedade

Mas a Psicanálise também tem a perspectiva do olhar para fora de si. Pode-se dizer que a Psicanálise inscreveu-se desde o seu princípio até a atualidade como um campo de saber marcado pela subversividade. Imaginar que no século XIX um médico neurologista balançaria a aparente solidez da sociedade vienense é quase utopia.

Ele trazia a tona conceitos como Sexualidade Infantil e pulsão de Morte. Isto é, não cansou de nos surpreender, haja vista o sublinhado retrocesso vivenciado nas diferentes camadas das grandes sociedades na contemporaneidade.

Das Três Abordagens à Introdução da Criança no Desenvolvimento Psicossexual

Apesar do incansável trabalho de Freud e de dos posteriores psicanalistas de incluir a criança enquanto sujeito, é intrigante como a sua teoria do desenvolvimento psicossexual é ainda deturpada e erroneamente interpretada nos diversos campos da sociedade.

Além disso, nos campos de “ensino”. Espalham-se difamações a Psicanálise, essa tida enquanto “hiper centrada” na sexualidade, ao ponto de perceber a sexualidade em crianças. Tal tipo de discurso só revela o desconhecimento da própria elaboração conceitual acerca da ideia de sexualidade para Freud.

Assim, denuncia um olhar sobre o tema que traz como marca o conceito de formação reativa.

No meu ponto de vista é a partir do conceito de Pulsão de Morte que Freud eleva ao extremo a subversão da Psicanálise. Tendo confrontado o ideal iluminista através da verdade do Inconsciente Freud propõe que para além de uma Pulsão de Vida que busca conservar as unidades vitais, a autopreservação, existiria uma força que anseia a destruição das unidades vitais.

Isto é, a redução radical das tensões e o retorno ao estado inorgânico, estado esse de suposto repouso absoluto.

Conclusão

É nesse sentido que percebo a Psicanálise, formada através de três abordagens, inscrita como um saber que dialoga com o período Barroco. Esse suporta os contrastes que compõem o fazer-ser humano. Além disso, sem se render aos encantos de uma moral que normatiza e calcifica os seres.

Artigo escrito por Gabriel Vargas, exclusivamente para este blog do Curso de Formação em Psicanálise. Deixe seu comentário, dúvida ou sugestão abaixo.

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