crise da psicanálise

Existiu a crise da Psicanálise?

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A propalada crise da psicanálise como teoria e técnica era uma opinião corrente anos atrás, de alguns operadores das ciências ‘psi’ ou ciências P, (Psiquiatria, Psicologia e Psicoterapias) que como especialistas afirmavam que essa modalidade de ‘psicoterapia’ estava fadada a uma crise terminal, estaria na UTI já quase em óbito social.

Porém, em todo o tempo que falavam na crise não expressaram se era uma crise do ‘sujeito’ e ‘objeto’ da Psicanálise ou se era só de sujeito ou se era só do objeto.

A crise da psicanálise

Alguns operadores da saúde mental falavam que era uma crise de situação econômica, onde os psicanalistas ‘a priori’, não tinham mais mercado em face de grande formação de psicólogos e de psiquiatras. Outros mencionavam a questão dos planos de seguro de saúde que não contemplavam mais psicanalistas, apenas ‘psiquiatras’ e ‘psicólogos’ registrados em órgão de classe.

Havia uma corrente que tentava emplacar que a imagem dos psicanalistas estava muito mal com reputação maculada no tecido social. E tinham formadores de opinião em certas mídias que estimulavam uma hostilidade gratuita contra os psicanalistas. Havia também na academia uma reação favorável à Psiquiatria Biológica que estava muito ligada ao ‘boom’ da prática dos psicofármacos, os famosos remédios alopáticos industriais.

Outros ainda defendiam teses culturais contra o uso da fala e associações de ideias e se posicionam contra os sonhos e colocavam em xeque se o inconsciente existia. E alegavam que a Psicanálise estava na contramão das ideias da sociedade. Muitos críticos lançando mão da TLC, teoria da luta de classes, alegavam que era uma modalidade muito burguesa, inacessível aos proletários e de pouca procura pela pequena burguesia (classe média) que preferia a Psiquiatria e comprar remédios alopáticos.

A crise da psicanálise e a a formação de psicanalistas

E de fato arrefeceu um pouco a formação de psicanalistas que ficaram operando algumas instituições diante dos desafios que eram impostos por um ‘establishment’ que insistia que a Psicanálise estava com os dias contados. O intento era submeter a Psicanálise a um isolamento.

E evidente a desinformação era grande porque setores minavam as perspectivas futuras para a Psicanálise. Muitas pessoas começaram a se sentir desestimuladas a estudar Psicanálise. Entretanto, alguns operadores desta modalidade se insurgiram como analistas divergentes e passaram a indagar a crise e dividiram a tarefa em sujeito e objeto.

Começaram a investigar o sujeito da Psicanálise antes de darem um mergulho no objeto. A pergunta que elaboraram era quais seriam as condições necessárias para um bom analista e se elas estavam sendo negligenciadas. As pesquisas psicanalíticas deflagradas revelaram que a formação dos analistas (psicanalistas) era boa, que havia um foco forte no par analítico, (analista/analisando) e que os operadores tinham uma boa visão sistêmica do ‘paciente’ (analisando) como um todo.

Teorias Psicanalíticas e a crise da psicanálise

Que a visão chamada de novos e confusos vértices não se coadunavam com a realidade prática dos analistas laborando no dia a dia. Levantaram dados sobre o grau de respeito e notaram que estava sereno e tranquilo no campo ético, que os psicanalistas tinham capacidade e empatias firmadas, operavam de forma resilente, pois a resiliência entendida como um processo acima da paciência, e que os analistas não eram de ficar apenas no campo da intuição, mas manejavam bem as teorias do trauma, do desejo, da libido, do fixismo nas fases psicossexuais, produziam artigos, conhecendo bem as categorias de patologias entre outras, tratavam bem neuroses, como fobias e pânicos, depressões, ansiedades e angustias, perversões e psicoses.

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Conclusão dessa primeira fase era de que não havia crise alguma no sujeito. Falavam que os psicanalistas tinham capacidade negativa ao desconhecer teorias o que não constataram na pratica, a capacidade era positiva.

Perceberam ainda que os analistas eram pessoas francas e sinceras com os analisandos a nível global. O foco passou a ser o objeto da Psicanálise, que é inconsciente e tudo a ele associado e vinculado.

Segunda etapa e o ‘objeto’ da Psicanálise

Nesta segunda etapa, já vislumbravam que poderiam estar diante de uma grande e deliberada mentira social patrocinada por alguns interesses escusos. Porém, faltava examinar a fundo o ‘objeto’ da Psicanálise. As proposições e investigações do sujeito davam conta de que não tinha crise alguma mas tinha apenas 50% em mãos.

Faltava de fato um mergulho amplo e profundo no objeto. Os detratores da Psicanálise argumentavam que não era uma ciência por não usar um método cientifico moderno e o pela não aceitação de sua falseabilidade. E que precisavam de teorias produzias fora de si mesma e que não passava no teste de laboratório onde tudo é repetido e observado.

Alguns operadores concorrentes tentavam expor que a Psicanálise não operava os mecanismos de defesa objeto da Psicologia. E que as fases psicossexuais eram falhas e que fase uretral haja sido proscrita. Que era uma mera técnica machista dominada por homens na academia.

A crise da psicanálise e a invalidação a teoria psicanalítica

Tentavam invalidar a teoria psicanalítica o que não logrou êxito em vários países, pois a teoria é transnacional e havia contribuições cognitivas emergentes surgindo como por exemplo de Jacques-Marie Émile Lacan (1901-1981) que não estavam no ‘script’ dos detratores. Se fosse dentro dos limites nacionais teriam conseguido prosperar no intento.

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    A avaliação e crítica da teoria freudiana do desenvolvimento da personalidade e dos transtornos mentais numa interface com aparelho psíquico tanto da 1ª com da 2ª tópica e o pensamento psicoterapêutico não foram abalados. Alegavam que a longa formação exigida provocava problemas práticos e que haviam distorções e uma ênfase excessiva na sexualidade.

    E acrescentaram que o pesquisador ele mesmo era um psicanalista. Todas as crítica quanto ao objeto foram sendo desconstruídas paulatinamente. Houve um apoio interessante da emergente Filosofia Prática quando começaram a criticar o uso excessivo do Prozac e outras formas alopáticas que não surtiam efeitos. Era a medicalização do analisando colocada em dúvida.

    A Psicanálise e sua identidade inabalável

    Restava uma crítica emergente de que havia uma natural diminuição do interesse na formação psicanalítica. Ficou também constatado que era uma inverdade e uma impostura teórica e intelectual. Restou como derradeiro alegarem que a Psicanalise como psicoterapia não tinha perspectivas futuras.

    O que era uma mentira esfarrapada. A Psicanálise sempre manteve sua identidade inabalável. Pois, os problemas que a Psicanálise trata no tecido social nunca desapareceram. Muito pelo contrário, até se agravaram. A Psiquiatria e a Psicologia queriam dominar o mercado.

    Separações não terminaram, divórcios, adições, neuroses, psicoses, traumas, frustrações, sonhos, insônia, libido, perversões continuaram existindo e atormentado pessoas. Conclusão era de que não só o sujeito como o objeto da Psicanálise não estavam e nunca estiveram em crise. Era uma grande mentira intelectual e social.

    Nunca houve crise da psicanálise

    Foi um engodo muito bem arquitetado e difundido no seio da sociedade. Restava entender porque tentaram submeter a Psicanálise e outras áreas, numa crise fabricada imensa, que redundou numa grande mentira social e impostura intelectual. Finalmente, foi descoberto o que aconteceu não só com a Psicanálise, mas outros ramos do saber alvos previamente selecionados onde aplicaram a teoria das cinco forças do Michael Eugene Porter (n. 1947) um professor da Harvard Business School, autor de livros sobre estratégias de competitividade.

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    Ele estudou na Universidade de Princeton. Desenvolveu uma teoria como método de competição de mercado que aportou no Brasil também, e foi aplicado. As 5 (cinco) forças de Porter são: ameaça de produtos substitutos; ameaça de entrada de novos concorrentes; poder de barganha de negociação dos clientes; poder de negociação dos fornecedores e rivalidade entre os concorrentes com formação de nichos e bolhas comerciais.

    São os pilares de reavaliar seu posicionamento estratégico. Ele ensinou como construir barreiras e tirar dos cenários concorrentes, potenciais substitutos e novos entrantes com seus diferencias. O que motivou uma investida forte contra Psicanálise e outros ramos foi de cunho meramente mercadológico usando a ‘T5F’, teoria das cinco forças.

    A sobrevivência da Psicanálise

    Muitas áreas foram abaladas e quebraram pois, não souberam digladiar com os operadores da T5F que dispunham até de consultorias especializadas para fulminar e tirar do mercado concorrentes. A Psicanalise sempre incomodou setores que se julgavam superiores e que estavam disputando fatiamento de mercado com a entrada da chamada linha rentista monetarista pós moderna.

    E como a Psicanálise tinha o que chamavam de condições subjetivas apropriadas era no entendimento de muitos usando a T5F que poderiam potencializar o fim da Psicanalise que resistiu e sobreviveu gerando mais democratização e reformas que ausentes, ajudavam os operados da teoria de Porter.

    Mas, a Psicanálise sobreviveu por ser transnacional e por possuir pessoas abnegadas. Muitos desconheciam o perigo e risco do modelo Porter. A Psicanálise foi vítima da ‘T5F’, mas não conseguiram os resultados desejados por ser uma psicoterapia que possui uma teoria consistente sistêmica global e nunca foi abalada no seu objeto e sujeito.

    Conclusão

    Tentaram aplicar o método para colocar um ponto final na Psicanálise, mas não conseguiram. Ela se firmou mais ainda na pós-modernidade.

    A Psicanálise só será abalada com o fim dos seres humanos, como o planeta, só se acabarem com o fim do oxigênio. O oxigênio dos seres humanos é o psiquismo que a teoria de Porter não conseguiu vencer.

    A Psicanálise é um clássico que sempre será tremendamente atual.

    O presente artigo foi escrito por Edson Fernando Lima de Oliveira ([email protected]) é licenciado em Filosofia e História. Possui PG em Ciências Políticas, acadêmico e pesquisador de Psicanálise Clinica e Filosofia Clinica.

    One thought on “Existiu a crise da Psicanálise?

    1. Matéria muito boa, de grande valor.
      Estou conhecendo agora a psicanálise, e estou apaixonada.
      De grande proveito p vida pessoal. Gratidão!

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