cura pelo amor

A Cura pelo Amor na Psicanálise

Posted on Posted in Teoria Psicanalítica

Quando se fala em psicanálise, até o mais leigo no assunto, conhece a definição de Freud, seu fundador: “ A psicanálise é, em essência, uma cura pelo amor”. Nada mais humano pensar no ato psicanalítico como um ato de amor.

Pois antes de tudo, apesar da técnica, a psicanálise é o acolhimento do sujeito que está em sofrimento psíquico. Acolher o outro com empatia é amorosidade. É ajudar na transformação e no crescimento do sujeito analisado, dividido entre dúvidas e angústias.

Entenda sobre a cura pelo amor

Em sofrimento Foi Freud, através do método da Associação Livre, quem deu voz ao Eu do sujeito reprimido e recalcado pelos acontecimentos sofridos da infância. Através da fala livre, sem amarras e nem censuras, o sujeito da análise coloca suas angústias, e dúvidas existenciais para fora. Aliviando seu sofrimento psíquico.

O método permite formar vínculos de afeto com o psicanalista e numa espécie de simbiose, o sujeito passa a transferir o que o incomoda inconscientemente para a figura do analista. Formando assim, o par analítico. O par analítico é quando o psicanalista torna-se, através da transferência, o espelho do analisando.

Ou seja, o analisando transfere para o analista, sentimentos recalcados que estavam no seu inconsciente desde a infância, desconhecidos por ele. Ao se tornarem conscientes, o analisando passa por um processo de descobertas .

Pensar para se descobrir a cura pelo amor

Não é um processo fácil. É um caminho doloroso. O analisando resiste as descobertas. Afinal, reconhecer afetos recalcados mexe com lembranças desagradáveis . Não é agradável, por exemplo, descobrir que as repetições em relacionamentos difíceis, acontecem, não por uma má sorte do destino, mas pela compulsão a repetição em se envolver em relações complexas.

O que são essas repetições? São situações vividas pelo analisando durante a infância, guardadas no inconsciente. Durante as sessões de análise, à medida que elas avançam, durante o processo de transferência para o analista, passam a fazer parte do consciente.

O analisando então revive sentimentos infantis, que embora, causassem dor e desprazer, na época, ele os repetia ou repete durante a vida adulta, por serem sentimentos conhecidos. E os sentimentos conhecidos funcionam como zona de conforto. Mesmo que sejam doloridos.

Cura pelo amor, defeitos e repetições

Nem sempre descobrir nossos defeitos e repetições equivocadas pela vida, é uma situação agradável.

Mas o exercício da reflexão é um caminho para a mudança do que não está bom. Do velho.

Daquilo que já não serve mais. Mas inconscientemente, o analisando insiste ou insistia ainda em revivê-los.

Pensar Incomoda

Um trecho do poema “ Eu Nunca Guardei Rebanho” de Alberto Caeiro, heterônimo do poeta Fernando Pessoa diz : “ Pensar Incomoda Como Andar à Chuva/Quando o Vento Cresce Parece que Chove Mais.” Embora pensar incomode, porque o analisando mexe com sentimentos adormecidos que nem ele fazia ideia de que existiam, é um processo de amadurecimento.

Assim, como no poema de Caeiro que compara o pensar como o andar na chuva. À medida que o sujeito vai andando na chuva, a chuva aumenta. O mesmo acontece com o pensamento : quanto mais eu penso, mais eu tenho necessidade de pensar. É como encontrar uma luz e se guiar por ela. O sujeito sai do vazio pela falta do pensar e torna-se alguém crítico de si mesmo.

Leia Também:  Hipnose moderna: conceito e aplicações

Volta-se para dentro, como já diz Jung “ Quem olha para fora sonha, Quem olha para dentro desperta.” E o despertar é o acordar das ilusões. Das fantasias contidas na psique. E até para se libertar das ilusões e dessas fantasias, é preciso coragem para se desapegar. O desconhecido assusta. As mudanças enfrentam resistências.

A Escuta do Analista e a cura pelo amor

E é no despertar que entra a escuta de acolhimento do analista. Está ali, disponível. Observadora. Aberta para a fala do analisando. Chamando-o assim, para a reflexão e o despertar do inconsciente. O analista está preparado, inclusive, para ser rejeitado pelo sujeito da analisa. Sempre acontece.

    NÓS RETORNAMOS PARA VOCÊ



    Quero informações para me inscrever na Formação EAD em Psicanálise.

    Durante o silêncio da análise. Nos chistes. No ato falho. E principalmente nas resistências. E cabe ao analista, como se diz, popularmente “ tirar água de pedra.” Num mundo cada vez mais individualista e narcísico, em que encontramos pessoas dispostas a falar compulsivamente, a dar opinião sem embasamento ou simplesmente falar por falar, escutar, não é somente uma arte. É também um ato de amor.

    Quem ama o ser humano escuta-o atentamente. Investiga minuciosamente, a psique do Outro. Dividido em seus questionamentos. O analista recebe a fala sem julgamentos. Não opina. Escuta para o outro se escutar. Pois é através da escuta atenta do analista que o sujeito psicanalítico se reencontra. É uma escuta de acolhimento. Empática. É uma escuta que permite ao analisando sair de si mesmo para se transferir para o analista. E é nesse processo de transferência que ele passa a se compreender para amadurecer. Se transformar para mudar.

    Alma Humana

    O fundador da Psicologia Analítica, Carl Jung, na frase “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”, resume o processo de amor psicanalítico. Analista não é herói. Não é um mago, que num passe de mágica, vai tocar a varinha no sujeito angustiado pelos dramas e fantasias existências e curá-lo.

    Muito menos um conselheiro capaz de resolver o problema do outro com uma palavra amiga. Nem um professor com o conhecimento da verdade. O psicanalista também é um ser humano com suas dúvidas, angústias e descobertas, não só durante a sua própria análise, mas também durante a análise do sujeito.

    O psicanalista está presente e disposto a viajar e investigar o inconsciente do analisando, através da escuta. Com intervenções pontuais no momento certo. Intervenções e não conselhos. É preciso respeitar a história de vida de cada um.

    Conclusão

    É preciso respeitar as escolhas do analisado. A descoberta de suas feridas narcísicas guardadas no inconsciente.

    O triple clássico para a formação do Psicanalista é a análise pessoal, o ensino teórico e a supervisão clínica. O psicanalista precisa estudar e ler muito a vida inteira, se o seu desejo é clinicar.

    Porém, nenhum preparo fará sentido, se não tiver a consciência de que, do outro lado do setting analítico, está alguém igual a ele, se descobrindo e redescobrindo diariamente.

    O presente artigo foi escrito por Celamar Maione([email protected]). Jornalista. Pós Graduada em Direitos Humanos e Psicologia Forense. Autora de dois livros. Estudante de Psicanálise.

    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *