origem de denegrir

Denegrir: significado, história e etimologia da palavra

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A palavra “denegrir” tem suas raízes no latim “denigrare”, um termo histórico que carrega uma significância profunda, especialmente no contexto de discriminação racial. Originária do latim, “denigrare” significa literalmente “manchar a reputação de alguém”.

Essa expressão é construída a partir do prefixo “de-“, indicando uma ação negativa, e “niger”, que se traduz como preto ou escuro. O sufixo “-ar”, derivado do latim “-āris”, está associado à ação de sujar ou manchar, especialmente no que se refere à honra ou à reputação de uma pessoa.

Desde o século XVI, a palavra “denegrir” tem sido documentada e utilizada em diversos contextos, muitas vezes associada a conotações negativas. Essa associação reflete um padrão histórico de discriminação racial, onde características negativas são frequentemente ligadas à cor preta, em contraste com a representação do branco como símbolo de pureza e virtude.

Este contraste é evidentemente projetado em muitos dicionários e textos culturais, onde o branco é frequentemente associado a qualidades iluminadas e puras. Portanto, uma compreensão mais profunda de termos como “denegrir” não apenas enriquece nosso vocabulário, mas também promove uma maior consciência sobre como as palavras podem moldar percepções e atitudes em nossa cultura.”

Definição de denegrir

Denegrir é algo que denigre. A origem etimológica de denegrir nos remete ao latim denigrāre , que significa “enegrecer” ou “manchar”. Denegrir, portanto, consiste em formar uma mancha (simbólica) na fama, reputação ou opinião de alguém.

O que denigre é algo que macula, insulta, entristece, ofende ou ultraja. Pode ser um efeito  produzido por alguém de fora ou a consequência de uma ação errada ou infeliz da própria pessoa.

Por exemplo:

  • “a imagem do jovem bêbado na rua humilha a cidade”;
  • “o dono da empresa tinha uma atitude aviltante para com os seus funcionários”;
  • “é degradante que algumas pessoas tenham que vasculhar o lixo à procura de comida”.

É interessante notar que, historicamente, a palavra ‘denegrir’ tem sido usada em diversos contextos, não apenas com conotações negativas. Em literatura clássica e poesia, por exemplo, o termo era frequentemente empregado de forma metafórica para descrever o escurecimento ou sombreamento de uma cena ou sentimento.

Esta utilização enfatiza como as palavras podem adquirir diferentes nuances de significado ao longo do tempo, refletindo as mudanças culturais e sociais

Exemplos

A difamação é muito associada à humilhação. Se um patrão acusa um empregado de furto e o obriga a despir-se na frente de todos para mostrar  a sua inocência, pode-se dizer que deu ao trabalhador um tratamento degradante.

Da mesma forma, se alguém está bêbado e embriagado. É provável que ele se envolva em comportamentos degradantes que, se estivesse sóbrio, nunca desenvolveria.

Urinar em público e insultar quem a aborda são atos que denegrem a sua condição. E que ela própria pratica sem se dar conta devido à inconsciência que o álcool lhe produziu.

O post tem bastante informações. Por isso, continue lendo para saber mais sobre a história dessa palavra.

Atitudes que ao longo da história fizera-se presente

Devemos expor que ao longo da história houve atitudes ou termos denegridores que um coletivo ou grupo realizou contra outro.

Um bom exemplo disso é que os judeus durante séculos foram indignados com todos os tipos de insultos e foram até mesmo alvo dos nazistas. Eles que os mataram, trancaram e realizaram muitos experimentos humanos com eles nos campos de extermínio.

Podemos constatar que mulheres, homossexuais ou homens e mulheres de raça negra estão entre os grupos populacionais que se viram centro de ações e opiniões degradantes.

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    Embora tenha havido progresso em muitos aspectos, ainda hoje eles enfrentam situações em que são objeto de repulsa. Além disso são ridicularizados e sofrem  desprezo.

    Publicidade denigrida

    Além de tudo isso, devemos enfatizar que tinha também o que se conhece como publicidade denegrida. É um termo utilizado para designar qualquer anúncio publicitário que, pelas imagens ou slogans que utiliza, ofende ou agrava determinados grupos sociais.

    Assim, por exemplo, em mais de uma ocasião a sociedade se levantou contra a publicidade que denegria as mulheres pelas atitudes machistas. Tais atitudes as viam como um ser humano incapaz de fazer mais do que o trabalho doméstica.

    Além disso, que elas precisam de um homem que a protegesse ou que tinham capacidade intelectual questionável.

    É possível vincular o denegrir à discriminação. Imagine uma cidade em que as pessoas que não professam a religião majoritária fossem forçadas a usar um chapéu amarelo. A fim de que todos possam reconhecê-las, elas serão confrontadas com uma atitude denegrente.

    Linguagem racista

    Costumamos ouvir expressões racistas que fazem parte de uma linguagem tão coloquial e internalizada que poucas vezes são questionadas.

    Palavras como denegrir ou expressões como cobrar em preto, dinheiro preto, ter o preto, ser a ovelha negra da família ou brincar de índio revelam uma linguagem racista. E isso usa o termo preto como sinônimo de azar ou ilegal, ou índio como sinônimo de incivilizado.


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    A linguagem é a ferramenta que usamos para nos comunicar

    A linguagem designa realidades, nomeia-as, torna-as visíveis e às vezes as encobre. Assim como a realidade (que não é uma, mas muitas) está em constante mudança, a linguagem também. Como um elemento vivo, continua adaptando-se aos contextos e aos momentos históricos dos quais falamos.

    O problema surge quando observamos que a estrutura social que compõe nossas realidades é racista, sexista e classista. É inquestionável então que a linguagem que dá conta dessa estrutura também seja assim.

    Para construir uma sociedade mais justa e inclusiva, temos a tarefa de desmontar essas opressões e desigualdades. Partindo, neste caso, da análise da linguagem e da consequente mudança no uso de um determinado vocabulário.

    Racismo da palavra denegrir

    “Ter o gato preto” significa ter azar. Da mesma forma, “cruzar com um gato preto” é, em muitas culturas, um símbolo de má sorte. “Ser a ovelha negra” de uma família é ser o diferente, o mais desfavorecido. Por trás do uso contínuo e comum dessas expressões está o desejo de inferiorizar os negros ou radicaliza-los, dando-lhes um simbolismo envolto em conotações negativas.

    Dessa forma levando a acreditar que o preto está associado a algo escuro, pouco claro, ilegal, sujo e, portanto, indesejável. Sendo meras construções humanas que partem de pressupostos racistas (sim, com fortes cargas históricas), são desmontáveis.

    Um primeiro passo é questionar quais expressões e termos usamos quando falamos (a linguagem é um reflexo do pensamento). E depois de analisarmos que essas e outras expressões são racistas e opressivas, parar de usá-las.

    Considerações finais sobre Denegrir

    A palavra “denegrir” é um exemplo de como a linguagem pode ser usada para perpetuar o racismo. O uso dessa palavra reforça a associação negativa entre a cor negra e algo negativo.

    Finalmente, é essencial refletir sobre como a linguagem evolui e o papel que todos nós desempenhamos nessa evolução. Ser consciente das palavras que escolhemos usar é um passo crucial para criar um ambiente mais inclusivo e respeitoso, onde todas as pessoas se sintam valorizadas e compreendidas.

    Se você “denigre” alguém, você tenta denegrir sua reputação. Faz sentido, portanto, que “denegrir” possa ser rastreada até o verbo latino denigrare, que significa “denegrir”. Quando “denegrir”, que teve o primeiro uso no século 16, significava lançar calúnias sobre o caráter ou a reputação de alguém.

    Com o tempo, desenvolveu um segundo sentido de “fazer preto” (“fumaça de fábrica denegriu o céu”). Mas esse sentido é um tanto raro no uso moderno. Hoje em dia, é claro, “denegrir” também pode se referir a menosprezar o valor ou a importância de alguém ou algo.

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    4 thoughts on “Denegrir: significado, história e etimologia da palavra

    1. Willis Cesar Viana da Silva disse:

      Denegrir não possui na sua etimologia cunho racista. Pelo contrário, diante do crime, de racismo, o sujeito da ação é que pode ser considerado racista. Não da para criminalizar uma palavra, somente a pessoa o ser humano. Tudo isso não passa de discurso ideológico sem cunho histórico ou científico. A língua portuguesa é outra vítima, somada a cultura, educação e mídias, entre outras usurpados por uma ideologia do progressismo, politicamente correto, da esquerda socialista, marxista, leninista chavista, peronista e comunistas…

    2. Claudio Pinto disse:

      Falou-se muito. Argumentos não faltaram, mas não vi o cunho racista da palavra. Talvez porque não haja. Na verdade as relações apresentadas neste post, tentando “linkar” a palavra a um ato não fazem sentido.
      o texto como apenas me causou o receio vivido quando li 1984 (George Orwell), onde o protagonista relatara as perdas causadas pela “Novilíngua”.

    3. É isso mesmo! As palavras, em sua etimologia, pode até nem ter cunho racista, mas o seu uso e o contexto de uso é que lhes dá esse “poder”. Se existe a palavra “difamar” que tem o mesmo significado, pq não a usar? Assim como a palavra “viado” que etimologicamente não ofende ninguém, mas seu uso mata pessoas. A questão nunca esteve na palavra e sim em seu uso e em seu contexto de execução.

    4. Quanto mais tentam me obrigar a não utilizar, mais eu utilizo. Que se danem essas patricinhas e mauricinhos, filhinhos de papai, tentando lacrar com bandeiras de instagram. Que se danem esses movimentos que almejam apenas arrecadar grana com seus supostos movimentos do bem. Enquanto persistirem essas questões o racismo não acabará. Hoje é tanta “concientização”, tantas ações e tantos grupos anti-racistas e… nunca fomos tão racistas. Deixem as palavras em paz e parem de ser militantes de internet!

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