Dermatilomania

Dermatilomania: significado, causas, tratamentos

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Algumas pessoas carregam comportamentos compulsivos que acabam por colocá-las como alvos de si mesmas, dada a gravidade. Esse é o caso da dermatilomania, na qual o indivíduo cria um vício sobre a sua própria pele. Vamos entender melhor a sua natureza, causas e o tratamento.

O que é dermatilomania?

Dermatilomania diz respeito ao ato compulsivo de causar escoriações na pele, o chamado skin picking. Basicamente, existe um descontrole onde o indivíduo coça, toca, arranha ou limpa sem necessidade até que se crie lesões na sua pele. Graças a isso que costuma apresentar feridas e outros machucados com bastante frequência.

Ainda que o indivíduo tenha consciência do seu problema, o mesmo não consegue resistir ao impulso. Sua pele se torna alvo de um comportamento ansiosos e até perigoso, dependendo da intensidade da ferida. É bastante comum que ele se sinta como fracasso ou culpado por seu descontrole.

Objetos pontiagudos costumam ser os mais utilizados para causar as feridas na pele. Entretanto, muitos também usam as próprias unham ou mesmo os dentes dependendo da região e do momento. Um bom exemplo de alvo são as espinhas e cravos, marcas de nascimento, sardas, pintas ou até casquinhas de ferida.

Quais as causas?

Até o momento, cientistas apontam que a principal causa para a dermatilomania se encontra na ansiedade. O ato de machucar a própria pele seria um caminho mais rápido para descarregar esse incômodo psíquico. Em adolescentes a mudança hormonal e a transição podem ajudar no desenvolvimento desse problema.

Além disso, mudanças nos componentes psicológicos e neurológicos podem influenciar no afloramento dessa postura. Por exemplo, baixa autoestima ou mesmo a depressão em estágios mais acentuados. Ademais, o Transtorno Obsessivo Compulsivo também colabora a esse quadro patológico de mutilação.

De um modo geral, a dermatilomania se trata de uma compensação na busca do alívio de qualquer frustração. Ela pode vir como sequela de outros problemas comportamentais de maior ou menor grau, dependendo da natureza.

Sintomas

Na dermatilomania incomodar a própria pele pode vir de um ato automático ou mesmo consciente e sem controle. Se estranha o comportamento de alguém é preciso se manter alerta já que o problema não é conversado abertamente. Os sintomas mais comuns são:

Fixação em cutucar a própria pele

É quase que impossível a essa pessoa resistir a tentação de ficar observando a própria pele com frequência. Por meio disso buscará algum tipo de imperfeição para que consiga alterar. Como dito linhas acima, pode mexer desde um simples sinal até uma espinha, causando feridas.

O ato é automático e sem controle

Quando perceber, a pessoa com essa mania já estará mexendo na própria pele como que naturalmente. Em casos mais graves, algumas pessoas chegam ao ponto de cutucar a pele de outra pessoa. Note que enquanto conversam, você ou quem porta esse comportamento gesticulará normalmente enquanto se mutila.

Feridas que nunca saram

Por ficar mexendo em seus machucados com frequência, eles demoram muito mais tempo para se curarem. Isso porque quando a casca que protege a ferida se cria imediatamente ela é tirada. O gesto pode ser feito com objeto cortante, unha e até com os dentes, dependendo de onde a ferida está.

Roer unhas, arrancar cabelo o mastigar a própria bochecha

Esse comportamento compulsivo pode vir acompanhado de diversos outros. Assim, o dermatilomaníaco pode roer suas unhas sem parar, tirar seu próprio cabelo manualmente ou morder a bochecha por dentro.

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Dermatilomania X Automutilação

Existe um equívoco muito comum quando se associa a dermatilomania com a automutilação, já que existem diferenças claras. A dermatilomania é uma compulsação psíquica/comportamental que é difícil de ser controlada. Por sua vez, a automutilação surge com o objetivo intencional de externalizar um dor interna e/ou sobrecarga emocional.

Aprofundando a automutilação, a mesma é proposital, consciente e com a meta de lidar com um sofrimento emotivo. Isso pode vir à tona de variados modos, sendo o mais comum os ferimentos no próprio corpo. Por exemplo, algumas pessoas utilizam da lâmina de barbear para criar traços distorcidos na própria pele com grande risco suicida.

De todo modo, prestar atenção aos sinais de qualquer um desses quadros é de extrema importância. Isso porque, segundo os psicólogos, podem ser cumulativos, com a dermatilomania levando à automutilação. Esse laço pode acontecer quando alguém sente culpa pelas feridas que causa a si mesmo e cria novas para se punir.


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Raízes e cotidiano

Nota-se que a dermatilomania se torna mais aparente no início da adolescência, ainda que possa acontecer depois. Indo além, cerca de 74% das mulheres, em média, são as mais afetadas pelo transtorno. Com base nisso é possível pensar que o padrão social imposto a elas pode ser um dos fatores do problema.

É esperado que logo após a realização da compulsão o desejo de mexer na pele diminua. Enquanto isso, o prazer e o alívio surgem brevemente antes de dar lugar ao constrangimento. A partir daqui a culpa toma lugar, causando feridas emocionais, físicas e o desejo imediato de esconder as marcas.

A fim de mascarar esses danos, a maquiagem, roupas longas ou qualquer acessório são utilizados no disfarce. Essa vergonha de si mesmo pode fazer com que uma pessoa escape e evite situações que possam expor eles aos demais.

Sequelas

Como é de se esperar, um comportamento como a dermatilomania acaba trazendo problemas e sequelas ao indivíduo. Mesmo que uns pareçam menores do que outros, todos são partes complementares de uma dolorosa espiral de queda. As consequências mais comuns são:

Feridas que nunca cicatrizam

Assim que uma ferida cria a famosa “casquinha”, o dermatilomaníaco vai retirar. Além de não permitir que a ferida nunca cicatrize por completo, cria manchas escuras na própria pele. Sem contar um risco de causar infecção.

Não usa roupas curtas

É preciso esconder as feridas que cada vez mais estão surgindo com frequência. Não importa o clima, a pessoa recorrerá a roupas longas para cobrir seus ferimentos. Com isso, dificilmente verá esse indivíduo usando blusa, saia curta, bermuda, sunga ou mesmo biquíni.

Vergonha de buscar ajuda

A vergonha que sente vai impedir que procure ajuda pensando que será julgado por seu impulso. É preciso ter em mente que um profissional pode ajudar no recondicionamento e evitar danos maiores. Sem contar que o propósito dele é ajudar na sua condição, não condená-la.

Como realizar o tratamento?

Encarando a dermatilomania, como tratar o problema envolve, primeiramente, o uso da psicoterapia. Por meio dela o profissional junto ao paciente farão o descondicionamento para que o impulso se dilua gradativamente. Nesse caso, se pode usar esparadrapo nas pontas dos dedos ou luvas para dificultar a prática impulsiva.

Feito isso, o uso de medicamentos ajudarão a regular as respostas danosas envolvidas no problema, como ansiedade e depressão. Ademais, o trabalho e apoio de pessoas próximas ajudarão a fortalecer a vontade de ficar saudável. Com o tempo, o ato de se cutucar vai perder valor e o prazer envolvidos.

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Considerações finais sobre dermatilomania

O maior órgão do corpo humano, a pele, pode servir como um longo saco de pancadas para as nossas perturbações mentais. A dermatilomania resulta de uma força ansiosa que torna o descarrego um ato impulsivo. Independente do momento, as mãos vão procurar o corpo para descontar suas frustrações.

Entender, aceitar e se mexer à solução do problema deve ser uma das primeiras medidas a serem tomadas. Caso o portador do problema continue onde está, deixará a porta aberta para que outros problemas surjam. Sem qualquer vergonha é preciso admitir sua necessidade por ajuda e recuperar a sua vida.

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