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Descoberta da Sexualidade na infância e adolescência

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É notório que ao abordamos o assunto sexualidade e suas dimensões como tema e área de conhecimento, iniciamos com o primeiro teórico, chamado Freud, a falar da descoberta da sexualidade na infância e na adolescência. Neste artigo você vai descobrir porque a sexualidade tem seu início na infância e só se extingue com a morte.

A descoberta da sexualidade infantil

Entre tantos motivos relevantes, explanamos sobre o desenvolvimento sexual segundo a vertente psicanalítica, explicitando as fases psicossexuais propostas por Sigmund Freud.

Sua teoria sobre a descoberta da sexualidade infantil, embora inovadora, lhe custou muito mal estar com seus colegas médicos e principalmente com teólogos cristãos da época. A sexualidade era vista como prática perversa e pecaminosa.

Naquela época, havia o mito de que a apologia a sexualidade, a liberdade sexual e a intelectualidade eram condições meramente masculinas.

A difícil aceitação de conceitos revolucionários

A prostituição, aborto, homosexualidade, até mesmo uma amizade mais próxima, era conceituada pela sociedade daquela época como amoral que resultavam em severas punições.

Apesar de tudo, Sigmund Freud, consegue introduzir uma nova maneira de pensar sobre a sexualidade no seu texto “A moral sexual cultural e a nervosidade moderna” (1908).

Ele dizia que a cultura da época se edificava sobre o “sufocamento das pulsões” e que a pulsão sexual não está, em sua origem a serviço da reprodução e que tem por meta o ganho de prazer.

As consequências da repressão sexual

O psicanalista mostrava que a limitação do comércio sexual fazia aumentar o medo frente à vida e a angústia frente à morte. Medo e morte estão associados aos limites da sexualidade, principalmente nas formas de seu exercício.

Freud introduz a questão do desejo e do prazer em dissociação com o medo e a punição-morte. O mal na sua concepção, deixa de ser um problema da ordem do divino, porém aparece como uma forma de punição, recalcando e sufocando o desejo, a atividade e a capacidade do próprio juízo de valor pessoal.

A mulher, o sexo e os dogmas religiosos

Ao final de sua obra, Freud reconhece que a questão do feminino teria de ser repensado, levando-se em conta a relação primeira e intensa da menina com sua mãe.

Freud soube ouvir as mulheres de seu tempo, abrindo o caminho para que o desejo e o prazer se desvinculassem do religioso e da punição cultural. Abriu o caminho para que os enigmas das mulheres se fizessem ouvir.

O primeiro grande conceito de Freud

Freud enunciou o inconsciente como fonte de onde é possível ouvir o que é o bom e o que é mal para o sujeito. As teorias científicas surgem influenciadas pelas condições da vida social, política, econômica e nos seus múltiplos aspectos durante um determinado período da vida do autor.

O primeiro grande conceito desenvolvido por Freud (1856-1939) foi o do Inconsciente. Ele inicia seu pensamento teórico assumindo que não há nenhuma descontinuidade na vida mental.

Ele afirmou que nada ocorre por acaso e, muito menos, os processos mentais. Há uma causa para cada pensamento, para cada memória revivida, sentimento ou ação. Cada evento mental é causado pela intenção consciente ou inconsciente e é determinado pelos fatos que o precederam (determinismo psíquico).

Conflitos de ordem sexual

Uma vez que alguns eventos mentais “parecem” ocorrer espontaneamente, Freud começou a procurar e descrever os elos ocultos que ligavam um evento consciente a outro. Quando um pensamento ou sentimento parece não estar relacionado aos pensamentos e sentimentos que o precederam, as conexões estão no inconsciente.

Uma vez que estes elos inconscientes são descobertos, a aparente descontinuidade está resolvida. O consciente é apenas a ponta do iceberg.

Freud em suas investigações na prática clínica sobre as causas e funcionamento das neuroses, descobriu que a grande maioria de pensamentos e desejos reprimidos referiam-se a conflitos de ordem sexual. Eles são localizados nos primeiros anos de vida dos indivíduos.

O segundo conceito mais importante elaborado por Freud

As descobertas colocam a sexualidade no centro da vida psíquica e é desenvolvida o segundo conceito mais importante da teoria psicanalítica: a descoberta da sexualidade infantil.

Os principais aspectos destas descobertas são:

  • A função sexual existe desde o princípio de vida, logo após o nascimento e não só a partir da puberdade como afirmavam as idéias dominantes.
  • O período da sexualidade é longo e complexo até chegar a sexualidade adulta, quando as funções de reprodução e de obtenção de prazer podem estar associadas, tanto no homem quanto na mulher. Esta afirmação contrariava as idéias predominantes de que o sexo estava associado, exclusivamente, a reprodução.

Três ensaios de sexualidade

Foi no segundo dos “Três ensaios de sexualidade” , que Freud postulou o processo de desenvolvimento psicossexual, advindo da descoberta da sexualidade na infância.

As fases do desenvolvimento psicossexual

  • Fase oral (0 a 1,5 anos, aproximadamente) – a zona de erotização é a boca e o prazer ainda está ligado à ingestão de alimentos e à excitação da mucosa dos lábios e da cavidade bucal. Objetivo sexual consiste na incorporação do objeto.
  • Fase anal (entre 1,5 a 3,5 anos, aproximadamente) – a zona de erotização é o ânus e o modo de relação do objeto é de “ativo” e “passivo”, intimamente ligado ao controle dos esfíncteres (anal e uretral). Este controle é uma nova fonte de prazer.
  • Fase fálica – (Entre 3,5 a 6 anos, aproximadamente) a zona de erotização é o órgão sexual. Apresenta um objeto sexual e alguma convergência dos impulsos sexuais sobre esse objeto.
  • Fase Genital – finalmente, na adolescência é atingida a última fase quando o objeto de erotização ou de desejo não está mais no próprio corpo, mas em um objeto externo ao indivíduo – o outro.

Comportamentos infantis relacionados à sexualidade

Às vezes, o comportamento infantil não é recolhido por entrevistas diretas devido a questões éticas. As crianças podem ser diagnosticadas devido ao seu comportamento: brincadeiras sexuais, como a insistência em ressaltar as genitálias dos bonecos.

As crianças podem ser curiosas sobre o próprio corpo e de outros, onde começam a explorar a sexualidade. É importante ressaltar que o comportamento infantil é totalmente diferente do adulto, a não ser nas crianças que foram abusadas sexualmente.

Muitas das vezes a criança que sofreu abuso mostra um comportamento diferenciado como medo, agressividade.

Em crianças mais velhas pode ocorrer a depressão e algumas podem nem demonstrar algum tipo de normalidade. As crianças sempre têm a curiosidade de conhecer as suas partes intimas e as dos adultos. Na idade escolar a criança começa a escolher amigos do mesmo sexo e menospreza o sexo oposto.

Da puberdade à vida adulta

A puberdade é um período de mudanças biológicas e fisiológicas. A parte física e mental amadurecem. Há mudanças como o crescimento de pêlos, testículos nos meninos e seios, quadril nas meninas. A primeira ejaculação começa aos 13 anos nos meninos e as meninas menstruam entre 12 e 13 anos.

No início da adolescência período que vai de 12-15 até os 18 anos , começa uma atividade endócrina intensa no organismo, que resulta numa exacerbação da libido. Daí o indivíduo retoma, de forma acelerada, as fases do desenvolvimento sexual intenso, experimentados durante os estágios pré-edipiano e edipiano.

Adolescência final e adulto jovem, a partir dos 16-18 anos e pelo resto da vida podem ser observados os chamados pontos de fixação, que são correspondentes às fases não solucionadas, que passam um quadro de imaturidade em algumas áreas do caráter, equilíbrio afetivo, suas eleições sexuais.

Conclusão

Assim, podemos concluir que, a partir da descoberta da sexualidade na infância, Freud pôde resolver diversos casos que tiveram origem em algum momento na infância e que envolvia a sexualidade dos mesmos pacientes. O psicanalista também pôde entender que a sexualidade nos acompanhará.

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