Desiderata: como a Psicanálise interpreta o poema?

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Através de poucas palavras, conseguimos o poder de mudar a percepção do mundo sobre um referido assunto. Contudo, quando fazemos isso por meio de poemas, a interpretação ganha toques ainda mais reflexivos, já que espelham a realidade de outro modo. Assim sendo, descubra mais sobre a mensagem deixada no poema Desiderata.

Desiderata: a história do poema

A escolha do nome Desiderata não veio por acaso, já que este significa “coisas que são desejadas”. O belíssimo poema é uma condensação de valiosos conselhos que conseguiram percorrer o mundo. Isso porque as ideias apresentadas ali carregam uma profunda reflexão sobre a vida. Ao fim da leitura, é possível reavaliar alguns pontos e buscar o que realmente importa a nós.

Max Ehrman foi o responsável por conceber essa valiosa obra. O filósofo e advogado compilou no extenso poema tudo o que acreditava serem os caminhos ao bem-estar e felicidade. Felizmente, as reflexões propostas nos atingem de forma certeira e nos faz questionar determinadas escolhas que tomamos em vida.

Infelizmente, Max não viveu o suficiente para observar como o seu trabalho impactou o mundo, tendo falecido em 1945. Sua esposa, Bertha K. Ehrman, é que publicou os poemas de marido em 1948 como forma de honrá-lo. Dentre eles, Desiderata encabeça a lista, mas houve um certa polêmica por conta de sua procedência.

Equívoco

A origem do Desiderata foi colocada à prova por diversos veículos. Isso porque existia uma lenda de que um monge sem nome havia concebido o trabalho. Assim, para algumas pessoas, as palavras condensadas no poema foram diretamente ligadas com a filosofia hindu. Segundo relatos, o monge teria reunido tudo o que sabia e deixou que a mensagem fosse espalhada ao mundo.

Tal trabalho teria sido encontrado na cidade de Baltimore, há mais de duzentos anos. De acordo com os relatos que sustentavam essa versão, aquelas palavras já estavam vivas desde o ano de 1692. Infelizmente, o poema acabou por circular entre diversos autores e muitos omitiam a verdadeira origem do trabalho.

Ao chegar nas mãos de um presbítero, esse anotou os dados da igreja onde ministrava como forma de marcação. Nas laterais do poema havia a inscrição “Igreja de Saint Paul, 1692”, o que ajudou na confusão quanto à origem. Mas como se sabe, Max Ehrman o escreveu e sua esposa o publicou após sua morte.

Interpretações

É preciso deixar passar algum tempo após ler o Desiderata. Isso porque a nossa estrutura interna passa por uma reconstrução existencial quanto aos valores que carregamos. A felicidade é um objeto que deve ser alcançado, mas como você está fazendo para ter isso? Além disso, o poema trabalha outros questionamentos, como:

“Você é filho do universo, assim como as árvores e as estrelas: você tem o direito de estar aqui.”

Aqui trabalhamos o conceito de igualdade, onde tudo tem o mesmo valor existencial. Dessa forma, nós não somos melhores ou piores do que qualquer outra coisa. Existe uma perfeita simetria entre o que somos e carregamos.

“Siga placidamente por entre o ruído e a pressa e lembre-se da paz que pode haver no silêncio.”

Max Ehrman resgata aqui o valor do sossego que pouco atentamos. Em meio a tantas tribulações, acabamos por nos entregar e nos espelhar nelas. Nos tornamos criaturas apressadas e estressadas, sem viver o agora de forma plena. Sendo assim, precisamos ressignificar o conceito de silêncio e quietude.

“Evite as pessoas escandalosas e agressivas. Elas afligem o nosso espírito.”

O ódio e a raiva pouco agregam valor à nossa vida. Se não queremos isso ao nosso bem-estar, por que devemos nos manter perto de pessoas assim? Nesse caminho, corte contato com pessoas extremamente raivosas a tudo. Dessa forma, você preservará a plenitude espiritual que precisa.

O que podemos tirar dele?

O poema desiderata aborda verdades existencialistas que deixamos de lado em um mundo tão físico. Contudo, as suas belas entrelinhas conseguem transmitir valiosas mensagens para a nossa vida. São objetos simples, mas que ajudam a construir o caminho que precisamos à felicidade. Isso a começar pela:

Não se trata de acreditar diretamente em uma divindade ou crença, mas, sim, acreditar em você. Parece algo tão difícil de ser feito em determinadas passagens de nossas vidas. Acabamos por nos sentir impotentes e desconfiamos do nosso potencial. Sendo assim, tenha fé em você, no que faz e no que acredita.

Amor

Um dos pilares de nossa vida ganha uma nova roupagem. O amor deixa de ser uma idealização simplista e dispensável passa a se tornar uma constante em nossa existência. Dessa forma, buscamos senti-lo de maneira mais consciente e trabalhamos a sua permanência.

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Esperança

O ambiente pessimista em que vivemos retira qualquer fôlego de vida ao que vem depois. A esperança é a primeira que morre, contrariando o popular ditado. Contudo, Desiderata nos faz crer que ela existe e deve ser preservada. Assim, jamais devemos perdê-la.

A autenticidade e a humildade

O Desiderata aborda questões bastante pertinentes ao tempo em que vivemos. Ele nos conduz a sermos nós mesmos, carregando autenticidade em nossas ações. Dessa forma, o afeto deve ser dado e distribuído de forma natural e voluntário, sem forçar. Caso não o façamos, melhor guardamos para nós até que estejamos prontos a emiti-lo.

Além disso, a humildade e compreensão devem ser trabalhadas e demonstradas quando necessário. Existem pessoas que chegaram antes de nós e carregam uma história própria e por isso merecem respeito. Assim como aqueles que ainda estão aprendendo e merecem compreensão de quem já sabe. A própria experiência se encarregará de ensiná-los.

Nada melhor do que retirar um rico aprendizado de forma poética. É isso que o desiderata faz: nos ensina. O trabalho criado por Max Ehrman nos faz pensar em como estamos guiando a nossa própria vida. Por meio dele, podemos retirar um tempo para refletir e revalidar algumas questões bastante pertinentes.

Sendo assim, se permita uma leitura, mostrando um esforço para entender o que precisa ser mudado. Não é necessário ser um Machado de Assis para captar a profunda mensagem emitida pelo poema. Basta se permitir. Querer melhorar algumas concepções sobre a vida pode fazer com que dê um direcionamento melhor para ela.

Entendendo elementos culturais a partir da Psicanálise

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