Dores da alma: Um Olhar Psicanalítico para o Termo

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No século XIX, Sigmund Freud, médico, psiquiatra e neurologista, observou que teria mais sucesso se pudesse acessar a causa das dores da alma de seus pacientes.  Ele buscava formas de tratar doentes psiquiátricos além do tradicional método da medicina, onde se trabalha com a intenção de sanar os sintomas.

A partir disso, Freud começa a estudar maneiras de acessar a memória. Sua principal intenção era conseguir provas que pudessem lhe convencer e levar acalanto aos que sofrem dos males da alma.

O psiquiatra viajou e conheceu, então, a hipnose. Em seu retorno, começou a utilizar a técnica de sugestão hipnótica com seus pacientes.

Porém, Freud ainda tinha dúvidas sobre a eficácia do método. Ele se uniu ao médico Josef Breuer e, assim, passou a utilizar técnicas aliadas à hipnose para buscar no “fundo” da memória momentos traumáticos. Isso faz com que o paciente consiga expor os seus pensamentos, temores e as dores da alma.

O método catártico para a cura das dores da alma

Dessa forma, já em nível consciente, o próprio “mal sofrido” transforma-se em antídoto e traz a cura. Denominou-se método catártico esta técnica.

O termo Psicanálise foi empregado por Freud em 1986, visando “decompor” a psique. Durante o estudo, Freud percebeu, então, que sem nenhuma hipnose, apenas instigando, investigando, analisando e avaliando o paciente, tais esforços traziam alívio e cura dos sintomas.

Então, o psiquiatra descobriu que, apenas com essa insistência de que o paciente sabia o que trazia o sofrimento a ele, conseguia solucionar o problema. Desse modo, surgiu o método de associação livre.

Os conceitos da psicanálise freudiana

O século XIX, em transição para o século XX, foi marcado pelos conceitos fundamentais da psicanálise freudiana.

O conceito de Inconsciente vem como um marco para o tratamento psiquiátrico, sendo o destrinchar do funcionamento da mente humana. Desse modo, através da repressão dos sentimentos, o indivíduo solidifica e guarda todas as suas dores da alma.

Freud, então, define o aparelho psíquico em:

  • Inconsciente, local onde encontram-se os assuntos reprimidos;
  • Pré-consciente, onde “arquiva-se” conteúdos que podem ser facilmente acessados;
  • Consciente onde encontra-se a atenção, percepção e raciocínio, momentâneos.

Freud fundamentou as neuroses, que foram consideradas como afecções psicogênicas. Elas têm origem na história emocional infantil do indivíduo e estão ligadas diretamente com o desejo e a defesa.

Sendo assim, Freud utiliza-se da palavra “libido”, não tratando-a exclusivamente da questão sexual. Porém, ele colocou em voga o desenvolvimento sexual desde a infância, o que foi uma revolução para a época.

Então, apresentou o conceito de que o indivíduo busca o prazer através de seu próprio corpo e ressaltou a importância de que cada fase seja vivenciada, pois cada uma deixa marcas no funcionamento psíquico do indivíduo.

As fases classificadas foram:

  • oral (boca);
  • anal (ânus);
  • fálica (órgão genital);
  • período de latência, onde os interesses vão para outras áreas como cultura;
  • fase genital, onde a zona erotizada é fora do corpo.

Podemos destacar os seguintes conceitos importantes:

1. Pulsão

Move o indivíduo pela busca da satisfação, podemos ressaltar os mecanismos de defesa utilizados por subjetividades neuróticas.

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2. Recalcamento

É responsável pelo que é arquivado em nível inconsciente, como uma barreira que tem a função de proteger e reprimir tais memórias.

3. Formação reativa

É onde o indivíduo age de forma oposta ao que ele deseja, para não se deparar com a situação de desejo, aqui aplica-se o ditado popular “quem desdenha, quer comprar”.  

4. Regressão

A volta a um ponto onde uma expressão mais primitiva traz uma reação exacerbada devido há um acontecimento do passado.

5. Projeção

É o ponto em que o indivíduo não reconhece que as questões projetadas fora, como sendo suas.

6. Racionalização

O indivíduo produz um texto mental baseado somente no lado racional, querendo assim tratar o sofrimento que fere o ego.

Em um momento onde a experiência e os resultados vão se acumulando, Freud propõe uma reformulação do aparelho psíquico, apresentando os seguintes conceitos de ego, id e superego:

  • ID: onde as pulsões aqui já abordadas, querem realizar os sonhos e desejos acima de qualquer moral;
  • EGO, tenta organizar a satisfação de forma que haja a possibilidade dentro de uma realidade;
  • SUPEREGO que vem moralizar o processo de satisfação do desejos dentro da moral atuando como um juiz.

Já no início do século XX, o universo psicanalítico aguça a curiosidade de diversos estudiosos e faz com que muitos contemporâneos a Freud deem suas contribuições para o crescimento da prática.

Novas teorias surgiram ricamente como outros olhares e com tantos outros pontos a serem considerados na busca incansável de decifrar a mente humana e as dores da alma.

O olhar de Freud sobre a Psicanálise

A Psicanálise foi um presente deixado por Sigmund Freud, pois o sofrer faz parte do desenvolvimento do indivíduo. Com seu olhar ora curioso, ora amoroso, Freud concentrou seus esforços e intelecto à observar o ser humano.

Ele não se limitou a medicar para anestesiar os sintomas e não aceitou simplesmente o que aprendera como médico, psiquiatra ou neurologista. Freud trouxe um novo olhar para as dores da alma e o sofrimento humano.

Sendo assim, ele moveu uma grande rocha que impedia a solução de diversos males, trazendo a cura pela fala e um legado para a humanidade.

Quer aprender mais sobre esse grande presente deixado por Sigmund Freud? Acesse o nosso blog sobre Psicanálise e leia vários outros artigos que vão ajudá-lo a expandir o seu conhecimento em Psicanálise Clínica.

Se tiver dúvidas sobre o assunto, deixe um comentário que teremos prazer em respondê-lo!

Este artigo sobre dores da alma foi enviado por Diohara Gonçalves, especialmente para o Curso de Psicanálise Clínica.

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