O Ego e seus mecanismos de defesa

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Hoje, falaremos sobre o ego e seus mecanismos de defesa. Dessa forma, trataremos de três pontos principais sobre este assunto. Por isso, confira o nosso artigo!

1. O ego dentro de sua estrutura

Para começar as nossas discussões, é preciso compreender o que é o ego. Nesse sentido, na segunda tópica estrutural de Freud, o id, o ego e o superego são apresentados. Assim, esses três elementos são muito importantes na vida do ser humano.

Segundo Freud, o ego está em contato com a realidade. Ou seja, há um princípio da realidade, já que ele é que sente as emoções e repassa para o id e o superego. Enquanto o id vive em torno de suas vontades, porque  faz o que lhe “der na telha”. Logo, não se importa com regras, pois vive para o seu prazer.

Já o superego é o oposto do id e vive em torno da moral e da ética. Desse modo, Freud mostrou a existência da psique humana por meio de suas teorias. E assim, nos revela que dentro dessas estruturas estão os mecanismos de defesa do ego.

A importância do ego

Mas por que do ego? Pois, é o ego que traz para a realidade a fala do id e do superego. Porém, um ego fragilizado pode pender para o id, deixando o indivíduo mais voltado para as suas próprias vontades.

Desse modo, a pessoa não se atem para realidade da vida em sociedade. Ademais, pode deixar-se levar mais pelo superego, deixando o sujeito “engessado” por tantas regras. Desse modo, o ego deve ser fortalecido.

Ou seja, se não tiver o controle sobre o id ou o superego, serão necessários os mecanismos de defesa. Para assim aliviar a tensão da realidade. Pois, estão sobre uma outra realidade individualizada do sujeito.

Duas realidades diferentes

Quando se fala em duas realidades, pode até parecer meio confuso, mas não é. Ou seja, pode-se viver em um mundo de fantasias, onde tudo é muito mais imaginativo do que real.

Assim, como resultado há o cansaço mental. Isso porque leva a pessoa para fora de uma realidade social, descontextualizando-a frente aos padrões em que se vive.

Outro ponto é que, um ego saudável sempre buscará o equilíbrio. Pois, saberá impor limites para seu narcisismo e não ficará preso em fases psicossexuais.

Quando os mecanismos de defesa do ego aparecem?

Dessa forma, os mecanismos surgem quando há ataque do id ou do superego contra o ego. Segundo Freud, o ser humano não era dono de si, pois existe diálogos entre o id, ego e superego.

Então, quando o ego não é forte o suficiente para tomar suas próprias decisões, pode sofrer muito com os ataques vindo da primeira e terceira parte dessa estrutura. Anna Freud ao tratar da livre associação, mostra uma interessante ação do id contra o ego:

O paciente transgride a regra fundamental da análise ou, como dizemos, ergue “resistências”. Isso significa que a incursão do id deu lugar a um contra-ataque do ego ao id. A atenção do observador é desviada agora das associações para a resistência, isto é, do conteúdo do id para a atividade do ego. O analista tem uma oportunidade de testemunhar, então, a entrada em ação, pelo ego (…) e compete-lhe agora fazer disso o objeto de sua investigação. Observa, então, que, com essa mudança de objeto, a situação na análise também mudou subitamente. Ao analisar o id, o analista é auxiliado pela tendência espontânea dos derivados do id para virem à superfície: seus esforços e os do material que tenta analisar têm uma direção semelhante. Freud, Anna. ( 1975, P.16-17)

Os mecanismos de defesa do ego, segundo Anna Freud

Segundo Anna Freud, um dos mecanismos de defesa do ego é a “resistência”. Assim, no setting analítico, observamos o ego e o id se mostrando. Desse modo, quando isso é trabalhado por um profissional, as chances de sucesso na saúde psíquica são muito grandes.

Também é trazido a palavra “testemunhar”. Então, ao perceber a fala do inconsciente, entender qual mecanismo de defesa está exposto, o analista praticamente enxerga o ego, o id ou o superego. Assim, busca um diálogo maior do ego com suas outras estruturas.

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    Portanto, é possível identificar quais os problemas que estão deixando o ego enfraquecido. Nesse cenário, ressaltamos a importância de se conhecer os mecanismos de defesa enfatizando o conhecimento do ego. Contudo, esclarecemos que o ego não é maior do que o id ou o superego.

    Mas é preciso que ele tenha força para aguentar a pressão e cumprir com seu propósito.  Ou seja, trazer o que está no inconsciente para realidade de forma saudável.

    O trabalho do psicanalista com os mecanismos de defesa do ego

    Desse modo, a partir dos mecanismos de defesas do ego que o analista pode começar a estudar e elaborar as questões reflexivas que serão repassadas para o paciente. Pois, quando acontece algo ao ego que ele não suporta, é preciso ter uma defesa para aliviar a tensão.

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    Assim, é como se houvesse uma mudança de foco. Então, o que é conhecido como “recalque” é aquilo que não foi suportado e ficará no inconsciente. Portanto, tudo que foi recalcado no inconsciente uma hora ou outra volta.

    Desse modo, o recalque está encoberto por algum mecanismo de defesa do ego. Então, cabe ao psicanalista encontrar e trabalhar em cima dessa falta de saúde psíquica. Por isso, a interpretação da linguagem inconsciente é muito importante. Assim como a tradução clara para o paciente.

    Sobre o saber ouvir

    Logo, ao compreender e decifrar o inconsciente, o indivíduo conhece mais sobre si mesmo. Sendo assim, seu ego se tornará mais fortalecido. Portanto, a análise é a maneira mais indicada para escutar esse mundo inconsciente.

    Dessa maneira, para que haja saúde psíquica é importante ouvir e entender essa fala que vive submersa em cada um. Porque esse outro mundo tem suas regras e valores. E ainda, os valores, nem sempre parecem com aqueles vividos na realidade.

    Por isso, a análise visa entender o inconsciente. Sendo assim, o principal objetivo é amadurecer e fortalecer um ego que está adoecido. Pois, não foram preparados para a vida.

    2. Breve histórico sobre a origem do termo “mecanismos de defesa do ego”

    Freud mencionou os mecanismos de defesa pela primeira vez em 1894. Assim, no livro “As Neuroses de defesa”, o psicanalista explica a resistência do ego e também a gratificação como forma de aliviar as dores inconscientes.

    Contudo, Freud ainda não tinha estruturado suas ideias sobre esse tema. Então, em um segundo momento, Freud utiliza o termo “repressão”, mas foi deslocado para outros fins da Psicanálise.

    Nesse sentido, a partir de 1926 o termo ganhou destaque. Pois, Freud utiliza-o no livro “Inibições, sintomas e ansiedade”. Assim, usado de forma geral, os mecanismos de defesa também consideram a repressão dentro desse todo. 

    O que é a repressão?

    Desse modo, a repressão é conhecida como recalcamento ou recalque. Assim, é algo que já aconteceu ou pode acontecer na vida de uma pessoa. Então, se o ego não consegue lidar com determinada questão, sente-se ameaçado. Logo, manda essa conta para o inconsciente, podendo sair a qualquer momento.

    Nesse sentido, de forma geral, a repressão é quem manda todo mecanismo de defesa para o inconsciente. Contudo, na Psicanálise não há um consenso sobre a interpretação de repressão e recalque. Ou seja, muitos não enxergam que os termos possuem o mesmo significado.

    Sendo assim, para os franceses o sentido da repressão é o seguinte. Ela é utilizanda como um desaparecimento da consciência. Ou seja, dos objetos colocados no consciente e pré-consciente. Por isso, segundo Wilson Castello de Almeida,

    Recalcamento (refoulement, em francês) seria a operação com as características de transpor para o inconsciente conteúdos ideativos e representacionais ligados à pulsão, como: pensamentos, imagens e recordações. (ALMEIDA, 2009, p. 32)

    Diferenças entre repressão, supressão e opressão

    Além da repressão, é interessante salientar a “supressão”. Pois, é uma forma de jogar fora, de forma consciente, sentimentos ou ideias que não foram muito aceitas pelo Ego ideal. Nesse sentido, a “opressão”, seria estar em um lugar de desconforto.

    Isto é, seja por um indivíduo tirano ou algo similar que deixa em estado de tensão ou incomodo. Assim, esses termos não devem ser confundidos. Pois, mesmo que em algum momento podem se entrelaçar, cada um tem seu significado próprio. 

    Nesse sentido, os mecanismos de defesa foram percebidos e sofreram mudanças ao longo da história. Mas o fato é que eles dão entendimento às conversas dentro do psiquismo humano. Sendo assim, estão relacionados a uma fase primitiva dos instintos.

    Mecanismos de defesa do eu e a questão da identidade

    Isso ocorre porque estamos sempre buscando satisfação. Assim como a realização dos nossos desejos internos. Por isso, os mecanismos de defesa falam muito sobre quem realmente somos. Ademais, sobre o que está ocorrendo em nosso inconsciente.

    Nesse sentido, às vezes, ou quase sempre, nem sabemos quem realmente somos. Pois, agimos através dos diálogos entre o id, o ego e o superego. Então, quando percebemos os mecanismos de defesa fica mais fácil trabalhar esses instintos.

    Isso porque em muitos dos casos eles podem ser prejudiciais para vida do ser humano. Já que a gratificação pode estar baseada na pulsão de morte, que seria a parte ruim. Ou ainda, na pulsão de vida, que é a parte boa.

    3. Os mecanismos de defesa do ego

    Agora já entendemos a estrutura e a origem dos mecanismos de defesa do ego, mostramos os principais. Confira!

    Anulação

    É a forma de trocar um fato ocorrido que causaria dor psíquica, por um outro que traga alivio. Desse modo, um exemplo seria o dos indivíduos que trocam de emprego o tempo todo. Ou ainda, que trocam parceiros amorosos.

    Conversão

    Nesse cenário, o mecanismo de defesa é jogado para o corpo físico. Assim, pode trazer inúmeras reações, como tremores, anestesias, falta de ar, vontade de defecar e dores de cabeça. Portanto, o corpo acaba sofrendo para que o psiquismo se alivie da tensão que não foi resolvida.

    Deslocamento

    Ocorre quando um sofrimento psíquico é sofrido. Porém, ao invés de resolver a questão na hora, “desconta” em outras pessoas. Assim, quando um chefe descarrega a tensão de sua empresa, ou de sua vida pessoal em um dos seus funcionários.

    Então, esse funcionário agredido chega em casa e desconta tudo que sofreu em sua família. Assim, é como se fosse um ciclo vicioso, um sofre e precisa descarregar. Então, para quem sempre sobra a conta? Para os mais vulneráveis. 

    Dissociação

    Este pode se referir ao campo da psicose em que o indivíduo é despersonalizado. Nestes casos a mente sai da realidade e cria outra realidade. Assim, ela tenta suportar o que foi jogado no inconsciente.

    Contudo, a dissociação pode ocorrer em outras esferas. Ou seja, com esquecimentos ou sonos repentinos em momentos que precisariam estar em alerta. Assim, essa é uma fuga para suportar a dor que o psiquismo não deu conta.

    Escotomização

    A frase “tenho olhos, mas não vejo” exemplifica a escotomização. Pois, o indivíduo vê algo, mas é como se não tivesse visto, já que sua mente bloqueia o entendimento do que foi observado naquele instante. Ou seja, uma recusa muito intensa.

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    Humor

    Esse aspecto é muito interessante, pois mostra que a psique criou esses mecanismos para aliviar ou retirar a dor vivida. Sendo assim, o humor deve ser visto com reflexão, porque pode ajudar a enxergar a vida com mais leveza. Afinal, quem ri de si mesmo torna a vida mais agradável e menos tensa.

    Inibição

    A inibição pode ocorrer em uma família que priva muito os seus filhos. Assim, trazem o medo de se expressar em diversas áreas da vida, seja ela na área intelectual, social ou sexual.

    Desse modo, a inibição pode prejudicar muito uma pessoa, pois ela estará limitada ao seu verdadeiro potencial. Uma vez que é travada pelo seu psiquismo e não pelo que realmente poderia ser.

    Isolamento: ego e seus mecanismos de defesa

    O isolamento é uma fuga social ou de qualquer lugar ou objeto que reative a dor que um dia foi vivenciada. Nesse caso, a melhor forma de achar que se livrou de um mal é distanciando-se dele. Ou seja, não enfrentando-os.

    Lembrança encobridora

    Nesse contexto, um bom exemplo é a frase popular “rir para não chorar”. Às vezes, o riso é uma forma de apagar a tristeza que se sente. Por isso, uma pessoa quando lembra de um amigo muito querido que faleceu ao invés de chorar, cai no riso.

    Contudo, de uma forma que não consegue se conter. Então, essa é uma lembrança encobridora, pois é trocada uma emoção por outra.

    Negação

    Podem existir vários tipos de negação, em especial, quando um familiar muito próximo e querido morre. Assim, ao receber a notícia, a pessoa não dá muita importância, às vezes vai ao velório, mas não tem nenhuma expressão de dor.

    Porém, com o passar um tempo “a ficha cai”. Como consequência, a pessoa fica destruída, chora, fica muito triste e de fato, vive o luto. Então, em um primeiro momento essa pessoa negou inconscientemente a realidade vivenciada, pois o psiquismo entendeu como uma dor muito grande. Depois, usou a negação para aguentar a realidade.

    Outros mecanismos de defesa do ego que você precisa conhecer

    Postergação de afetos

    Por exemplo, um indivíduo ajuda muitas pessoas que sofreram um acidente de carro. Contudo, após o ato heroico, vem um medo repentino. Então, se fosse para fazer tudo novamente, acredita que não teria forças suficiente para tal feito.

    Ao contrário, surgiria a pergunta “Por que fiz tal ato?” E assim, julga-se a inconsequência de seus atos em um momento de perigo. Assim, esse contexto traz luz para entendermos mais esse mecanismo de defesa do ego.

    Racionalização ou intelectualização

    Esse pode ser um jeito do indivíduo não querer aceitar uma mudança que tanto lhe faz sofrer. Assim, com isso, são criadas várias explicações para dar base a essa inércia. Como resultado, a pessoa pode chegar ao ciclo da autossabotagem.

    Surdez Emocional

    Significa que ter ouvidos para ouvir não dê o entendimento das situações. Pois, a falta de entendimento pode não ser pelo grau de intelectualidade. Na verdade, esse é um mecanismo de defesa que leva a pessoa a não entender determinadas situações.

    Isso porque existe um trauma vivenciado que está no inconsciente. Assim, por mais que se escute, não será compreendido, já que o psiquismo está defendendo o ego fragilizado.

    Formação Reativa

    Pode transformar uma realidade em outra, como nos casos de ódio em amor, crueldade em compaixão, arrogância em humildade e assim por diante. Ainda, a formação reativa ocorre quando um religioso radical ataca um alcoólatra, sendo que os dois descarregam seus próprios vícios.

    Porém, o religioso sente-se que está na posição de estar fazendo o que é certo. Contudo, em contra partido enxerga o alcoolista como um mal, sem perceber o mal que está causando ao outro.

    Regressão: ego e seus mecanismos de defesa

    De forma resumida, acontece quando não enfrentamos ou vivemos o presente momento. Mas ficamos preso a algo acontecido no passado. E asssim, não conseguimos enxergar a realidade do agora como algo positivo.

    Assim, muitas pessoas acreditam que os tempos da juventude é que foram bons. E assim, vivem amargurados com a sua realidade. Entretanto, a vida acontece e faz parte de uma evolução natural em que tudo se move. Ou seja, tudo se modifica.

    Fixação

    Esta é muito similar à regressão. Porém, seu foco principal é manter-se hipnotizado por fantasias, pensamentos ou qualquer outra coisa que tire o foco de enxergar a realidade presente.

    Desse modo, Freud aborda o assunto e traz a ideia da capacidade de ficar preso em algumas das fases psicossexuais.

    Clivagem, Cisão, Divisão ou Splitting

    A partir da teoria de Klein, a cisão dá a ideia do seio bom e seio mal. Assim, a criança percebe o seio mal como algo do qual prejudica a sua vida, levando-a a pulsão de morte. Assim, esse é o primeiro contato com essa realidade.

    Em contrapartida, a mesma criança se alimenta desse mesmo seio mal, passando a vivenciá-lo como um mantenedor de sua vida, trazendo o saber sobre um seio bom. Dentro dessa primeira forma de enxergar a vida, a cisão pode ser o começo para o recalque e a repressão.

    O Splitting é uma forma inteligente de enfrentar situações que podem tirar do sério. Nesse contexto, a pessoa que usa a inteligência emocional, sai, toma uma água, conta até dez e volta com a “cabeça fria” para não agir dentro de uma emoção que poderia trazer sérias consequências.

    Já a divisão é como foi passada a ideia de bem ou mal, positivo ou negativo. Resumindo, não importa se chama de clivagem, cisão, divisão ou Splitting, essa base está para trazer discernimento em uma primeira instância. Mas, acompanha o ser humano pelo resto da vida, mostrando a realidade do bem e do mal.

    Então, por meio disso, apresenta um psiquismo que está sempre em processo de evolução. Logo, cabe ao indivíduo escolher qual o caminho trilhar.

    Projeção

    Ocorre quando acha algo virtuoso no outro, mas que sente falta disso em si mesmo. Assim, podem ser em diversos campos, como emoções, desejo ou intelectualidade. Ainda, não precisa ser um outro ser humano, mas em qualquer objeto que traga sentido para uma necessidade que é vista como uma falta.

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    Ou ainda algo que não era tão bom como o que encontrou no outro.

    Introjeção: ego e seus mecanismos de defesa

    Acontece quando se torna parecido com algo de que se admira. Nesse sentido, podem ser artistas, um pai ou uma mãe. Por isso, na infância é muito comum ver os filhos imitarem seus pais. Contudo, na fase adulta pode ser um mecanismo de defesa do ego.

    Identificação

    Resumindo de forma simples, identificação é aquilo que nos deixa com as características de algo ou alguém. Um bom exemplo a ser citado sobre esse tema seria um ditado popular que diz “somos frutos do meio”.

    Ou seja, se nascemos em um determinado país, a maior probabilidade é trazer fortes traços culturais, sociais ou econômicos. Ou ainda, poderia ser o que as pessoas dizem: “sou escritor, sou porteiro, sou médico e outros mais”. Desse modo, esses grupos trazem uma certa identidade pelo meio em que vivem.

    Identificação projetiva

    Nesse mecanismo, o indivíduo se projeta no outro. Como seria o da mãe, onde a criança se percebe pelo outro e não por si mesma. Esse mecanismo de defesa também está dentro de alguns pontos psicóticos, como os  borderlines. Ainda, em casos de despersonalização, os casos que estão incluídos nas patologias narcísicas.

    Ego e seus mecanismos de defesa

    Elaboração

    É uma forma de reelaborar uma situação que foi recalcada e sempre retorna. Um exemplo dessa situação seria no setting analítico, onde o tratamento é para fortalecer o ego, escutando o inconsciente e mostrando a realidade que foi vivenciada.

    Mas por um outro ângulo, na maioria das vezes, se chega a um sucesso esperado. Assim, o paciente consegue obter saúde psíquica.

    Idealização

    Similar ao platonismo, porém, não de forma filosófica. Assim, ao se idealizar com a mulher perfeita, carro ou casa dos sonhos, esses exemplos nos mostra uma fantasia criada em torno de um objeto. Isso pode ser bom ou ruim.

    Ou seja, bom no sentido de manter a energia psíquica para manter um amor, correr atrás dos objetivos materias de forma lucida.  O ruim seria idealizar a perfeição de um psicopata, isso traria muitos danos a uma pessoa. Ou ainda, querer comprar tudo que vendem nos anúncios.

    Pois, quase tudo é feito para alimentar sonhos, mas na realidade não precisamos de tanto para viver.

    Renúncia altruística

    De forma positiva, a pessoa deixa de ser arrogante ou orgulhosa para ser humilde. Assim, essa virtude é muito bem vista pelo meio social, em que na maioria das vezes, há um narcisismo exarcebado para se mostrar produtivo.

    Reparação: ego e seus mecanismos de defesa

    Ocorre quando se pede desculpa a alguém por uma falha cometida. Contudo, não se pode deixar de citar os casos de cinismos, pessoas que traem, mas levam flores a sua esposa para aliviar sua consciência. Assim, a gratidão é uma das bases da reparação, se for de verdade, há muitas chances de obter um psiquismo saudável.

    Simbolização

    É muito utilizado em lugares para trazer sentido a algo abstrato e imaginário. Um grande exemplo de simbolismo é a pomba branca que simboliza a paz. Assim os mitos, as lendas, o folclore e muitos outros saberes se utilizaram da simbolização para dar sentido a própria vida em sociedade.

    Rejeição, forclusão ou preclusão

    De um modo simplificado, seria a perda da realidade, já que nós vivemos em uma sociedade em que todos participam de um mesmo senso ideológico, político, social e outros. Então, uma pessoa que vive em um mundo paralelo ao que foi criado, não consegue entender os padrões.

    Assim, como também não é entendida. Logo, essa quebra do real pelo imaginário leva a pessoa para um estado que é entendido como psicótico. 

    Mecanismos de evasão

    Por exemplo, trabalhar sem sentir prazer, por uma imposição psicológica social. Ou ainda, o conformismo ideológico que deixa o ser humano sem querer impor suas próprias verdades, mas aceita tudo que lhe é imposto. Nestes contextos, também há o autoritarismo sadomasoquista e a destrutividade.

    Narcotização: ego e seus mecanismos de defesa

    Meio para aliviar das dores sociais e da realidade da vida. Assim, o indivíduo se anestesia em drogas, jogos ou sexo. Desse modo, isso ocorre de forma consciente e ao mesmo tempo inconsciente, pois esse mecanismo de defesa, assim como muitos outros, é colocado no lugar de um vazio ou falta que não foi suprida na vida.

    Considerações finais sobre o ego e seus mecanismos de defesa

    Somos seres que vivem por uma pulsão, seja ela de vida ou de morte, tudo depende da estrutura da qual fomos inseridos. Então, vivemos para realizar os desejos que foram produzidos em nós. Assim, Freud ao trazer a teoria psicossexual, só mostrou ao mundo um ser humano que é fruto do meio.

    Ou seja, que tem suas questões inatas, mas a maior parte da bagagem que se traz vem do contexto onde se é inserido. Por isso, a realidade humana está pautada nos valores que são atribuídos externamente, mexendo em um inconsciente que tem viva própria.

    Portanto, os mecanismos de defesa do ego são criados frente a essa realidade humana, para que cada indivíduo possa suportar o que seria insuportável. Nesse sentido, é preciso fortalecer um ego que precisa estar em harmonia com mundo inconsciente e ao mesmo tempo consciente.

    Assim, manter o ego na defensiva. Logo, para ter um ego ser fortalecido é necessário ter uma boa educação, experiências de vida, autoestima fortalecida, saber administrar a ansiedade e ter consciência da realidade da vida.

     

    Este conteúdo sobre o ego e seus mecanismos de defesa foi escrito por Diego Góes Rodrigues para o Curso de Formação em Psicanálise Clínica.

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