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Erotomania: significado e exemplos do transtorno

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Idolatrar uma pessoa famosa é um comportamento comum a qualquer indivíduo que acompanhe o mundo do entretenimento. Todavia, o limite do saudável e seguro acaba se perdendo quando essa postura se torna patológica. Entenda melhor o significado de erotomania e alguns exemplos simples.

O que é erotomania?

Erotomania fala a respeito da certeza absoluta que uma pessoa está apaixonada por você. Ainda que isso se direcione mais as celebridades, pode atingir qualquer pessoa que tenha algum poder ou status social. Um indivíduo defende ser o alvo de tentativas ou situações amorosas envolvendo o seu ídolo.

Também conhecida como síndrome de Clérambault, esse tipo de comportamento é construído com pensamentos delirantes. Isso porque a pessoa passa a se alimentar de uma irrealidade e valida as suas próprias fantasias nisso. Dessa forma, vai defender até o fim que possui a razão construindo argumentos mais lógicos.

Mesmo que pareça absurda e seja rara, esse delírio pode resultar em violência e até morte do alvo amoroso. Não apenas dele, mas também de quem é considerado rival do indivíduo com o problema.

Causas

Até o momento, as causas concretas da erotomania não foram levantadas por completo. Ela acaba dependendo de alguns fatores pré-dispostos de origem psicogenética no indivíduo. Alguns estudiosos apontam isso como reação anormal da personalidade ou sendo parte secundária de quadros psicóticos.

A erotomania pode ser um desvio sério ou sequela de outros tipos de psicose. Sem contar que traumas na cabeça ou alterações mentais colaboram a isso. Por exemplo, esquizofrenia, traumatismo cranioencefálico, convulsões, Alzheimer, hemorragia interna, entre muitos outros problemas.

Características da erotomania

Apesar de ser um objeto incomum no cotidiano, não é complicado reconhecer os sinais da erotomania. O distúrbio se destaca pelos seus sintomas particulares e acaba por chamam a atenção das pessoas. Os mais comuns são:

Acreditar que o alvo da sua paixão deixa pistas

Se for alguém que more próximo, a forma de se movimentar dela, seus gestos, seria uma forma de comunicar seu desejo. Quanto a pessoas famosas, o erotomaníaco pensa que a celebridade deixa indícios do seu amor por ele na mídia. Contudo, ambas as partes mal se conhecem e não mantém contato, mas valida que o alvo do seu delírio começou.

Idolatrar excessivamente pessoas famosas específicas

Em muitos casos, o objeto de desejo do seu delírio acaba por não existir. Entretanto, os alvos favoritos são celebridades, sejam atores, cantores, atletas, políticos, empresários… Sempre que esse indivíduo encontra algo sobre tal pessoa demonstra uma atenção, carinho e felicidade acima do comum.

Doer-se com o fato de que o outro continua a viver sem ela

Quando o erotomaníaco descobre que o seu alvo vai se casar ou mesmo tem um filho, isso é um gatilho ao sofrimento extremo. Isso porque ela não consegue deixar de imaginar um relacionamento sentimental e uma vida junto a esse indivíduo. Não entende que a pessoa nunca correspondeu ou deu qualquer chance para envolvimento.

Perfil

Quem possui erotomania, sendo homem ou mulher, tem vida reservada e pouco participativa socialmente. A maioria não é casada, foge do padrão de beleza, não mantém relações sexuais frequentes e possui cargos sem destaque. Com isso, essas podem ter personalidade muito sensível, desconfiar com facilidade e se sentirem superiores aos demais.

Entretanto, seja na sua fantasia ou realidade, a pessoa desejada é superior a esse indivíduo em tudo. Sempre são mais inteligentes, bonitas, ricas, reconhecidas ou mesmo ser uma combinação de tudo isso. Nisso, o indivíduo com o problema se sente afastado de sua solidão graças ao amor que o outro supostamente recebe.

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Entre famosos e anônimos, os primeiros têm oito vezes mais chances de serem alvos do erotomaníaco. O maior fator determinante a isso é a frequência que a pessoa surge na mídia e não a sua aparência ou idade. Quanto mais exposta essa celebridade estiver, mais fácil fica se apegar a ela.

Fases

A erotomania é um processo sequenciado e interligado, de modo que possui um caminho pré-definido. Essas fases indicam um comportamento doentio que pode causar sérios problemas à psique do indivíduo. A sequência se constrói em:

Esperança

A primeira fase do problema é a esperança. Em suma, a pessoa acredita piamente que é amado pela outra pessoa e isso é uma crença inabalável. Existe um orgulho aqui, já que o relacionamento é super valorizado e as dificuldades envolvidas dão mais sustento a isso, mesmo sendo fantasia.

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Despeito

A fase do despeito envolve um misto de emoções do doente com a pessoa que é desejada. O mesmo acaba nutrindo os seus sentimentos de conciliação e vingança. Isso acontece porque ele acredita que o seu orgulho está ferido já que o outro não corresponde ao que sente.

Rancor

Por fim, o ódio pela pessoa desejada acaba se fazendo presente e maior. Com isso, o doente começa a fazer acusações falsas e até ameaças de vingança. Por outro lado, também pode afirmar que se sente ameaçado e perseguido por aquele em que deposita o seu amor.

Ficção

O cinema possui excelentes exemplos de como esse problema se desenrola, como no longa Bem me quer, mal me quer. Angélique acaba desenvolvendo uma paixão desmedida para um cardiologista bem sucedido e já casado. Embora os seus amigos a incentivem a desistir desse delírio, nada parece ser capaz de diminuir os seus sentimentos.

Acontece que a sua persistência faz com que acredite ser amada pelo médico e se torna obsessiva com a ideia. Cada vez mais a protagonista mergulha nas suas fantasias e envereda por um caminho perigoso em sua deturpação. Além dela mesma, o médico e outras pessoas próximas acabam se expondo a um perigo.

A autora articula de maneira oportuna as teorias envolvendo a erotomania, indo além do amor e falando da paranoia erótica. Com isso, o longa cresce e evolui enquanto conversa sobre o tema. O próprio espectador desavisado pode acabar sendo enganado e pego na reviravolta.

Tratamento

O tratamento primário para a erotomania é o uso de antipsicóticos que possuem ação limitada sobre o problema. Esses remédios ajudarão a diminuir a intensidade do delírio e de suas ideias interligadas. Porém, se mostram mais viáveis para controlar o comportamento, dando a chance do paciente se inserir novamente na sociedade.

Em relação à terapia psicológica, a psicoterapia individual, segundo alguns especialistas, não funciona tão bem aqui. Por outro lado, as terapias de suporte envolvendo a família e intervenções ambientais e sociais são mais proveitosas. Mas quase sempre é recomendado o afastamento dele com o objeto do seu delírio amoroso.

Em casos mais graves, a doença incapacita o indivíduo e o indivíduo se torna dependente de acompanhamento contínuo. Não raro os que não respondem à medicação acabam recebendo a indicação de eletroconvulsoterapia, a ECT. Ao fim, aqueles que não podem ser atendidos ambulatorialmente recebem a indicação para serem internados.

Considerações finais sobre erotomania

A erotomania se mostra como a “doença das celebridades”, mas não há nada de glamour aqui. Seja famoso ou anônimo, alguém pode se tornar a mira de sentimentos e pensamentos violentos de outra pessoa. Isso pode se mostrar um risco altíssimo para ambas, já que a postura delirante inibe qualquer limite de noção real ou segurança.

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Caso conheça alguém na situação descrita acima, procure dar o seu suporte junto com auxílio médico. Esse amor idealizado será quase palpável, mas também o sofrimento vindouro será. Com o apoio de um especialista é possível resgatar esse indivíduo e reduzir seus impulsos e comportamentos e níveis saudáveis.

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