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Espiritismo e Psicanálise: Allan Kardec, Chico Xavier e Freud

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Falaremos aqui das relações entre Espiritismo e Psicanálise. Abordaremos os vínculos conceituais e procedimentais entre Allan Kardec, Chico Xavier e Sigmund Freud.

Há relação entre Espiritismo e Psicanálise?

Sabemos que a Psicanálise é leiga ou laica: não é fechada em uma religião, embora sua abordagem respeite as crenças religiosas. Muitos psicanalistas são padres, pastores, rabinos, espíritas. E há também psicanalistas agnósticos e ateus. Ainda assim, vale este texto, um exercício feito de forma ensaística e despretensiosa.

Este artigo é uma visão pessoal do autor. Entre psicanalistas, temos pessoas das mais diferentes convicções: ateus, agnósticos, católicos, evangélicos, budistas e espiritualistas. Todas as crenças são respeitadas neste texto.

Neste sentido, a ideia é fazer uma reflexão sobre os princípios das teorias do pai da Psicanálise, do pai do Espiritismo e de Chico Xavier, uma figura ilustre que melhor propagou princípios de Kardec em solo brasileiro. É apenas uma chave de leitura, não é uma visão doutrinária sobre o tema.

Como Freud enxergava as doenças da alma?

Eu dedico esse texto ao cadáver de Sigmund Freud, que só não se revirou no caixão, porque virou pó. Freud conquistou a América, mas emitiu um alerta que continua servindo para os dias atuais: cuidado com o Behaviorismo!

A Psiquiatria americana ainda prefere a Terapia Cognitivo-Comportamental (de aspecto mais científico) a Psicanálise. Isso ocorre mesmo nos casos de psicopatologias, que serviram como fundamento para a construção da Psicanálise (Neurose Obsessiva, por exemplo) e como cânone da eficácia do tratamento psicanalítico. Sendo assim, esses doentes deveriam ser encaminhados para o tratamento psicanalítico impreterivelmente.

A Psiquiatria considera as patologias mentais de acordo com a Classificação Internacional de Doenças, em sua 10ª revisão (CID-10), estabelecida pela Organização Mundial de Saúde. De modo excepcional, os Psiquiatras americanos criaram uma codificação própria, denominada “Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais” (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – DSM).

Isso se deu pelo afã de melhor agrupar as doenças conforme a semelhança etimológica. Contudo, no fim das contas, ambas as listagens são deveras extensas, com diferenciações terminológicas desnecessárias ou improdutivas.

De qualquer forma, a Psiquiatria acompanha a Cátedra Médica, que é qualificada por intermináveis classificações patológicas e também acompanhada de inúmeras fórmulas químicas.

Mas, afinal, quantas listas de doenças e medicamentos são necessárias para arrancar a humanidade de um profissional de saúde? Ou seria somente mais um caso de neurose obsessiva compulsiva por nomes?

É imperioso ressuscitar Freud para melhor lidar com as psicopatologias, tanto no que tange ao diagnóstico como ao tratamento e ao processo de cura.

Ressuscitar aqui é no sentido figurativo. Acreditar que a alma sai do corpo e depois retorna significa tão somente uma fase de sono Rapid Eye Movement – movimento rápido dos olhos – (REM) ou uma alucinação na vida de vigília.

Data maxima venia ao mito de “Er” de Platão e às crenças de Allan Kardec e Chico Xavier no

Visão do Espiritismo sobre as doenças da Alma

Bem como a um dos maiores mitos dos cristãos: a Ressuscitação de Jesus Cristo o que faz com que Espiritismo e Psicanálise se relacionem.

O Positivismo Científico Médico corresponde ao pensamento de que quanto maior o rol de nomes de doenças, mais vasta a variedade de medicamentos e tanto maior a possibilidade de curar os doentes.


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Apesar dos medicamentos serem importantes para aliviar os sintomas psicopatológicos, nenhuma droga farmacológica conseguirá solucionar os conflitos da alma humana. Esse conflito é amenizado pelas crenças e mais uma vez se evidencia a importância da ação conjunta de Espiritismo e Psicanálise.

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O pensamento positivista passa a impressão que o uso do alfabeto inteiro não é suficiente para o sistema de catalogação médica das doenças. Nem mesmo o alfabeto combinado com números não parece o bastante. É necessário pontos e mais números para se chegar a Classificação Internacional de Doenças (CID).

O avanço tecnomirabolante da toda poderosa indústria farmacêutica, com seu corolário de amplo espectro de drogas psicotrópicas, confere uma falsa sensação de que as psicopatologias são curadas simplesmente com cápsulas e comprimidos. Isso favorece a depreciação da Psicanálise, que supostamente estaria fadada a ser só mais uma mera tagarelice.

Classificação das Doenças

Afinal, de que adianta a Psiquiatria classificar tantas doenças e não conseguir tratar os adoecidos com eficácia?

A guisa da conclusão há três situações que geram indignação e incredulidade em relação a essa solene Ciência Positivista, que contempla uma visão americanizada da Psiquiatria.

Há um trecho sobre Fobias que deve ser considerado: “Não existem drogas específicas para o tratamento das fobias e a psicanálise deve ser um pouco mais ‘agressiva’, pela tendência destes pacientes a se esquivarem dos objetos de suas fobias. As várias técnicas de terapia breve, principalmente a hipnoterapia e a terapia de dessensibilização têm se mostrado mais eficazes na resolução destes transtornos”.

Convém especular o que significa Psicanálise “mais agressiva”, uma vez que o termo ‘agressivo’ encontra sinonímia em enérgico, bravo, ameaçador, provocativo e hostil?

Como funciona o Tratamento Psicanalítico

O tratamento psicanalítico não engloba sugestão terapêutica, tampouco aconselhamento. “Faça isso, não faça aquilo!” A neutralidade é elemento fundamental para alcançar a meta psicanalítica e garantir a eficácia terapêutica.

Isso não significa ficar inerte, sem fazer nada, apenas em silêncio fúnebre. O tratamento psicanalítico envolve um constante trabalho de observação e interpretação dos comportamentos da pessoa adoecida.

Talvez parte do descrédito na Psicanálise deve-se aos Psicanalistas falsos ou ignorantes, que escondem a sua falta de instrução na técnica terapêutica, por detrás do silêncio. Até mesmo o silêncio deve ser observado e interpretado com muita atenção, levando em consideração todo o contexto em que acontece.

Hipnoterapia e Dessensibilização não são eficazes porque apresentam somente efeitos temporários, já que não atuam na causa do problema, que é obscuro motivo do medo exagerado e sem justificativa racional. Assim, só a Psicanálise resolve efetivamente as Fobias. Ela é capaz de desvendar o segredo guardado a sete chaves pelo enfermo.

Por fim, a Fobia foi tema de livros consagrados de Freud, que solucionou os casos de pacientes com Fobia sem ser “agressivo”.

Espiritismo e Psicanálise podem ter visões diferentes para o mesmo problema. Mas há uma convergência: ambos concordam que é preciso olhar para as causas ocultas de um transtorno.

  • Para a Psicanálise, estas causas estariam reprimidas no inconsciente, gerando sintomas.
  • Para o Espiritismo, estas causas seriam questões espirituais não resolvidas, inclusive de outras vidas.

O TOC visto pelo Espiritismo e Psicanálise

Sobre o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), podemos considerar a seguinte passagem: “A Psicanálise tem sido desconsiderada como alternativa terapêutica, embora existam relatos informais de sucesso”.

Sob a perspectiva da Psicanálise, o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), que consta no CID, é equivalente à Neurose Obsessiva, em razão das características semelhantes, senão idênticas do quadro clínico e da própria similitude da terminologia da condição patológica.

Ora, a Neurose Obsessiva é um dos principais tipos de Neuroses investigados por Freud, sendo objeto de estudo destacado em seus livros, cujos títulos mencionam inclusive a palavra ‘Neurose’: “História de uma Neurose infantil (O homem dos lobos)” e “Observações sobre um caso de Neurose Obsessiva (O homem dos ratos)”.

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Assunto recorrente em suas obras, o estudo da Neurose deu alicerce para a criação da própria Psicanálise. Por isso, a Psicanálise jamais deve ser desqualificada no tratamento de TOC.

Diz-se que na Hipocondria a psicoterapia é geralmente pouco eficaz. Essa “pouca efetividade” pode ter cabimento para a Psicologia Comportamental ou outras, mas não para a Psicanálise.

Ela é bastante eficaz no tratamento da Hipocondria, pelos mesmos argumentos mencionados previamente, tendo em vista que a Hipocondria é uma espécie sui generis da Neurose Obsessiva.

A pessoa hipocondríaca apresenta uma ideia ou um pensamento intrusivo que a leva acreditar e temer uma doença grave, não detectada. Assim, ela manifesta um comportamento padronizado e recorrente (compulsivo) de usar medicamentos.

Como vimos, Espiritismo e Psicanálise convergem quanto às razões inconscientes de nossos sintomas, embora divirjam sobre a natureza dessas razões. Isso se aplica a pacientes com TOC e hipocondria, inclusive.

Outro caso: o TIG, transtorno de identidade de Gênero

Já no Transtorno de Identidade de Gênero, o papel do psicanalista é pequeno, mas pode ser um bom coadjuvante.

Em primeiro lugar, uma crítica formal da exposição do pensamento acima, concernente ao seu caráter paradoxal: se a Psicanálise fornece boa ajuda, como pode ter um papel pequeno? Aquilo que oferece boa ajuda é importante, ou seja, tem um papel grande.

Em segundo lugar, uma contestação do pensamento expresso, quanto ao seu conteúdo. A base da Teoria da Psicanálise está toda amparada na Sexualidade humana, em seu sentido amplo. Então ela pondera os seus aspectos biológicos, psicológicos e sociais.

Conclusão

Assim, o papel do Psicanalista, nesses casos, é grande, mas o tratamento medicamentoso pode ser um pequeno adjuvante e melhorar com a crença em alguma religião.

Vemos então que, ainda que existam divergências, para os adeptos do Espiritismo a junção de Espiritismo e Psicanálise pode constituir uma dupla importante na recuperação de um transtorno psíquico.

Autor: Rafael Vidovix

 

2 thoughts on “Espiritismo e Psicanálise: Allan Kardec, Chico Xavier e Freud

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