fase oral para o bebê

Fase oral para o bebê: o que é, qual importância?

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Você conhece a Fase oral para o bebê? Que atire a primeira pedra os pais/ cuidadores que nunca tiraram um brinquedo da boca de seu pequeno bebê infinitas vezes ao longo de um mesmo dia. Ou então a mãozinha ou os dedinhos (que nem sempre estão, digamos, razoavelmente limpos), aquele enfeite da sala, o mobile do berço, a naninha…. Sobra até para o “coitado” do seu próprio pé ser devorado/ mordido e deliciado por esse serzinho ávido por novas descobertas.

Mas você sabia que tem um por que essa criança agir dessa maneira? Apesar de muitos pais se preocuparem (com razão, pois podem ingerir e se engasgar com objetos pequenos que passam despercebidos) essa fase é extremamente importante para o desenvolvimento do bebê e é através desse meio que eles vão conhecer esse novo mundo que agora lhes abriga.

Como se inicia a fase oral para o bebê?

Logo na fase fetal a criança já desenvolve o instinto de sucção. Freud em seus estudos pontuou que a fase oral percorre desde o nascimento até próximo aos dois anos de idade da criança. O seio materno torna-se então o aliado perfeito para esse instinto de sucção que a criança traz consigo no nascimento.

Esse ato torna-se tão prazeroso que o fator alimentar fica estabelecido como desejo secundário e ali ela vai entendendo que a boca é um meio maravilhoso de proteção, satisfação e conhecimento além de uma forma de se reviver, em partes, o “aconchego” que vivenciava no útero.

Embora nessa fase a boca seja a “estrela do show”, todos os outros sentidos são fundamentais para a comunicação com o meio externo.

Fase oral para o bebê: Quem sou eu? Quem é você?

No início a criança não percebe os objetos como tais, só depois dos primeiros meses é que ela passa a entender que ela é algo e que existem objetos separados. Por algum tempo a criança vai acreditar que ela e mãe são o mesmo ser.

Sabe o movimento de sucção ao mamar que a criança faz de soltar o seio/mamadeira por um tempo, olhar para os olhos da mãe e depois voltar? É importantíssimo para ela entender que é um ser separado da mãe.

Essa mãe, durante muito tempo vai existir para a criança como um objeto parcial, ou seja – seu seio, mamadeira, sua mão, seu rosto são objetos separados e distintos na vida mental do bebê. Só na última parte do primeiro ano de vida é que será desenvolvida a relação de objeto continua.

Dedo na boca, mão na boca, pé na boca, brinquedo na boca

A partir desses primeiros conhecimentos a criança se torna um ser que vai levar tudo, tudo mesmo que encontrar a boca como forma de conhecer o mundo, tanto fisicamente como psiquicamente. Zimerman (1999), pontuou “a finalidade da libido oral, além da gratificação pulsional, também visa a ‘incorporação’, a qual por sua vez, está a serviço da ‘identificação’.”

Quando o bebê se torna um pouco mais independente e consegue agarrar os objetos, nada vai passar despercebido pela “sede de curiosidade” do bebê, e dessa maneira – juntamente com o nascimento dos primeiros dentes- essa será a forma mais prazerosa de conhecer o mundo para eles.

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Freud denomina esse fenômeno de auto erótico e prova que o prazer obtido do seio ou da mamadeira não se baseia apenas na gratificação da fome, mas na estimulação da mucosa oral erógena. Um exemplo é o da criança que chupa os dedos. “Se não fosse assim, o infante retiraria desapontado o polegar, visto este não produzir leite.”

Importância de uma fase oral

Assim como todas as outras fases do desenvolvimento psicossexual, a fase oral é de extrema importância para a vida do ser humano e caso não seja concluída de uma maneira satisfatória pode acarretar em fixações ao longo da vida desse sujeito. Ou seja, se a pessoa se depara com um conflito em sua vida adulta, ela retornará a esse ponto da vida que lhe trouxe muito prazer ou certa frustração.

Por isso, a importância de uma fase oral equilibrada. Caso a mãe não possa mais amamentar, o desmame dever ser feito de maneira gentil e progressiva, dessa maneira a chance de se acarretar algum trauma é menor.

Não menos importante e extremamente delicada é a introdução alimentar, pois nem todas as crianças aceitam comer logo de cara e isso pode requerer muita paciência e jogo de cintura do cuidador. A ideia aqui é a mesma, sempre tentar oferecer a comida de maneira gentil e aos poucos sem perder a paciência ou forcar a criança a comer.

Há também o outro lado, dos excessos. Então cuidado para que essa criança não coma e não seja amamentada ao extremo, equilíbrio é tudo. Além, é claro de sempre receber todo o cuidado dos pais/cuidadores com contato físico com beijo, carinho e abraço, ou seja fazer logo cedo com que essa criança se sinta amada.

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    Consequências de uma fase oral não satisfatória

    Tudo que é relacionado a boca, ficará fixado nessa fase. Então, o adulto que lá na frente possui problemas ligados a esse órgão, provavelmente ficou fixado a essa fase psicossexual.

    Características como comer muito, falar muito e de forma ansiosa, fumar e ou/beber em excesso, mascar chicletes podem ser sinais. Não é incomum a dificuldade de contato físico como beijar.

    Também é possível verificar características de personalidades que expressem grande dependência, ansiedade de desamparo, baixa tolerância a frustração, além de tendências ao abandono, desejo de aprovação e necessidade de ser amado constantemente.

    O presente artigo foi escrito por Ana Carolina Turci([email protected]). Jornalista, mãe e estudante de psicologia apaixonada pelos mistérios da fantástica mente humana. Sempre “instigada” pela psicanálise encontrou por meio desse curso muitas respostas para esse quebra cabeças nesse riquíssimo campo de conhecimento.

    One thought on “Fase oral para o bebê: o que é, qual importância?

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