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Ficar na defensiva: como entender em psicanálise

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Como você reage quando é pressionado? Se sente mal? Sufocado? O instinto de defesa humano trabalha contra adversidades, mas isso se torna um desconforto a quem opta por ficar na defensiva. É sobre isso que vamos discutir neste artigo.

Por que se defender?

“Na defensiva eu arranhei, mordi, machuquei, quase matei. Se puder, evite o leão, mas não seja um”. Com essa citação do pensador Charles Canela, iniciamos nossa conversa.

Imersos em um mundo onde o imprevisível é regra, às vezes, tendemos a ficar alertas diante de qualquer ameaça que possa surgir. Somos confrontados diariamente, em diferentes níveis e formas, até atingirmos um ponto de pressão. Assim, a força exercida por estímulos externos nos obriga a optar por uma armadura: ficar na defensiva.

Essa atitude nada mais é do que um conjunto de medidas que servem para nos preservar de qualquer dano, especialmente o emocional.

Portanto, nossa fragilidade interna nos obriga a adotar uma postura mais evasiva e até ofensiva quando somos confrontados. Tudo porque queremos sair da situação de perigo. No entanto, essa atitude nos transforma e pode ser danosa para nós e os outros.

O que provoca?

O ser humano tem a necessidade de estar no controle. Isso significa segurança e a sensação de que ele terá sucesso em qualquer coisa em que ingressar. Entretanto, não estar pronto às adversidades faz com que nós entremos em alerta.

Aguardando um possível perigo, tomamos uma postura mais agressiva como defesa. A ideia é enfrentar a situação de dificuldade de maneira improvisada, já que isso não terá um roteiro definido. A sensação de ofensa por ser confrontado nos leva a pecar em alguns aspectos sociáveis de relacionamento, como a educação. Assim, desrespeito em algumas ocasiões se transforma em argumento.

Sintomas/Sinais

Nesse contexto, uma pessoa que fica na defensiva transmite sinais claros que fluem do lado emocional para o lado físico. Devido à tensão, as reações se tornam visíveis e fáceis de serem identificadas. São elas:

*Agressividade: quem cede por ficar na defensiva precisa afastar o confrontador o mais rápido que conseguir. Para isso, utilizará de críticas e outras técnicas depreciativas, como o sarcasmo, arrogância e ironias. Em casos extremos, a violência verbal será o último recurso.

*Irritabilidade: a face é um excelente termômetro do que acontece dentro de nós. Quando estamos irritados não é diferente. Uma pessoa que fica na defensiva exibe sinais claros de descontentamento, como chistes, movimentos circulares nos olhos e a boca encontrando a bochecha.

*O corpo muda na defensiva: diariamente carregamos a mesma postura corporal. Dependendo da pose, transmitimos sinais de confiança e até autoridade, mas alguém na defensiva contrai o corpo. Desse modo, esse ato se relaciona com a ideia de resiliência, aliviando os danos do que ele acredita ser um embate. Os comentários de outro tornam a postura de um “defensor” mais rígida e ameaçadora.

*Interromper a conversa: para não prolongar a situação, interromper a conversa é um jeito fácil de se evadir. Impedir que o outro exponha seus argumentos é uma forma de repelir a fonte do que ele acredita ser um confronto.

*Ansiedade: antecipar alguma situação como um problema é um dos sinais de ficar na defensiva. O “defensor” já toma um encontro como uma repreensão.

Consequências

Ficar na defensiva constantemente será a fonte de muitos problemas, tanto físicos, como emocionais e até profissionais. A carga gerada por esse escudo acarreta danos em nossa vida. Dessa forma, deixa marcas em nossa identidade e se torna uma má referência quando alguém pensa em nossa imagem.

*No corpo: o estresse alimenta um fio condutor pelo corpo que gera um desgaste físico grande. Permanecer alerta com frequência exaure o físico. É como se o corpo esperasse receber algum golpe e antecipa a dor.

*Na mente: a pessoa que fica na defensiva, além de estresse, desenvolve uma relutância em acolher críticas. Ela vê isso como outra forma de agressão. A intolerância de receber um feedback o impede de melhorar o seu desempenho no trabalho, nutrindo um círculo vicioso que o prejudicará em algum momento.

*Na carreira: negando-se a aceitar críticas, o indivíduo impede o seu progresso em qualquer ambiente que esteja. Abdicando-se de entender o motivo de não alcançar determinado objetivo pelo ponto de vista alheio, o sucesso profissional se torna uma ilusão distante. Dessa maneira,  essa pessoa vai ficar cada vez mais frustrada ao não conquistar suas metas.

Um exemplo humorado se encontra no seriado americano intitulado “Todo Mundo odeia o Chris”. A mãe do protagonista, Rochelle, demonstra sérios problemas em aceitar críticas no ambiente de trabalho, respondendo de imediato com agressividade. Assim, usando como desculpa a dupla jornada de trabalho que o marido tem, ela afirma que “não precisa disso”.

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Entender de vez o porquê de ficar na defensiva

Como lido anteriormente, o indivíduo inseguro simula situações onde será alvo de um ataque. Mesmo quando em repouso, gasta a própria energia se preparando para um confronto que talvez nem acontecerá. Ao invés disso, que tal trabalhar na direção contrária? Para diagnosticar a fonte e trabalhar nela pode derrubar os obstáculos que te impedem de crescer e alcançar o seu potencial, basta:

*Trabalhar a autoestima: saiba o seu valor. Determinadas situações chegam até você para avaliar se será capaz de lidar com elas. É um teste de amadurecimento. Dessa forma, entenda seus atributos e como você pode ajudar a melhorar algo em que está envolvido.

*Reconhecer limitações: tentou, não deu certo? Tudo bem. Ter a noção de que trabalhou com todas as ferramentas que detinha até então poderá ser apaziguador. Desse modo, você saberá que insistiu e tomará isso como uma experiência ao que vir depois.

*Ser aberto às críticas: usamos um padrão para executar nossas atividades. Portanto, estamos acostumados a enxergar o todo sob uma única perspectiva. Outra pessoa é capaz de avaliar nossas ações e sugerir mudanças que melhorem nossas atividades. Uma crítica construtiva ajuda no desenvolvimento pessoal, então não relute em aceitá-las.

*Procurar: saber qual a necessidade do outro nos ajuda a chegar em um objetivo mais certeiro. Entenda o que alguém precisa. Mostre interesse. Se ainda assim a situação ficar aquém do que imaginou, você será lembrado como alguém atencioso.

A importância da resiliência

É natural e preciso carregar uma resiliência. Isso nos protegerá contra danos que podem desencadear abalos em nossos egos. Ainda assim, precisamos lidar com as fragilidades e os excessos. Portanto, é importante perceber nossos pontos de ruptura. Além disso, lidarmos com nossas falhas e reconhecer o quanto precisamos melhorar é crucial.

Entenda como uma ajuda e tire proveito disso. Dessa maneira, terá uma oportunidade de crescer e se aprimorar. Não resista. Seu futuro “Eu” agradecerá às lições aprendidas e servirá como exemplo de agente da mudança. Nada melhor do que virar uma boa referência, não acha?

Agora é com você. Deixe seu comentário abaixo. Escreva alguma experiência sobre ficar na defensiva que viveu ou presenciou. Acrescente ainda o seu ponto de vista da situação e o que teria feito de diferente.

Se quiser dar alguma sugestão, entra em contato pelo Fale Conosco. De peito aberto e sem resiliência, estaremos prontos para te ouvir. Por outro lado, caso queira saber mais sobre como conversar com as pessoas sobre esse tipo de comportamento, confira nosso curso! Você aprenderá muito sobre como auxiliar pessoas com diversos tipos de problema.

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One thought on “Ficar na defensiva: como entender em psicanálise

  1. Eu estouestudando sobre esta patodefensividade, pois estou em processo de mudança, daí encontrei este artigo que me ajudou bastante, Obrigada.

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