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Sociopata: 9 características do transtorno

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A palavra sociopata ganhou destaque nos últimos anos e quase sempre é associada ao indivíduo violento e que não sente culpa pela sua conduta agressiva. No entanto, será que esse transtorno se resume a isso? Neste artigo separamos algumas informações importantes sobre esse distúrbio, os sinais do problema e como a psicanálise trata a questão.

Para já esclarecer, é possível dizer que não se encontra uma pessoa com esse transtorno tão facilmente como se imagina. De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, mais conhecido pela sigla em inglês DSM-V, menos de 4% da população mundial sofre com essa doença. O que muita gente não sabe é que o transtorno é mais abrangente, apresenta outras características que necessariamente não são de um assassino louco.

Ao ler esse artigo, você vai entender o que é sociopatia, os sinais desse transtorno de personalidade e até a diferença entre os termos, como a psicopatia.

Entendendo a sociopatia

Antes de falar das características do sociopata, é importante conhecer um pouco mais sobre o transtorno. A sociopatia é o nome dado a uma série de comportamentos que ocorrem juntos em um indivíduo. Essas ações são sinais de um transtorno incluído no DSM-V, o chamado Transtorno de Personalidade Antissocial. Esse sim é um diagnóstico.

O transtorno em si é marcado por um padrão repetitivo de comportamento sempre inconformado com as normas sociais e até mesmo com as leis. Assim, as ações de um indivíduo que tem a doença são sempre contrárias ao bom convívio e respeito.

Um exemplo disso está no filme clássico ‘Laranja Mecânica’, em que o personagem Alexander DeLarge é claramente um jovem antissocial. Ele sente prazer na dor do outro e não esconde seus gestos impulsivos.

Nesse contexto, com base no personagem, podemos citar os sinais desse transtorno.

9 características de um sociopata

1. Não se importar com o sentimento dos outros

Esse é considerado um dos principais sinais da sociopatia. Não importa o que esteja acontecendo, o indivíduo que sofre com este transtorno não se importa com os envolvidos. É comum que haja ausência completa de empatia.

2. Ignora as regras sociais e as leis

O sociopata desconsidera totalmente as regras de bom convívio e encontra sérias dificuldades para seguir as leis. Aliás, quem tem esse transtorno encara um grande desafio para lidar com normas e regras simples do cotidiano.
Dessa forma, cumprir horários, acordos e até manter as contas em dia se tornam tarefas difíceis.

3. Sem culpa e não aprende com a punição

Outro sinal é não sentir qualquer tipo de arrependimento ou culpa por ações agressivas ou que geraram sérias consequências a outras pessoas. No entanto, quando punido, o indivíduo simplesmente não aprende com o ocorrido. Não há autocrítica.

4. A culpa sempre é dos outros

É possível dizer que quem tem sociopatia também sempre responsabiliza o outro. Portanto, de maneira alguma a pessoa assume seus atos. Sempre há um terceiro que provocou sua ação. Assim, o indivíduo jamais consegue enxergar que ação ou reação depende de si.

5. Dificuldade para construir relacionamentos

O sociopata possui a habilidade de estabelecer rapidamente o contato com outras pessoas, mas certamente não consegue levar adiante um relacionamento mais profundo e íntimo. Não se sente à vontade para expor a si mesmo.

6. Falta de Paciência

A ausência de paciência com as pequenas coisas do cotidiano é um sinal comum. É normal para quem tem o transtorno reagir rapidamente de forma violenta, cruel e agressiva. As mudanças ocorrem repentinamente diante dos acontecimentos no cotidiano.

7. Busca sempre o prazer e o poder

Para quem tem o transtorno não faz sentido lutar por algo se não houver pelo menos prazer ou poder como recompensa. Eles sempre buscam isso e passam por cima de pessoas se for necessário.

8. Conta mentiras e desonesto

Contar histórias pode aproximar os outros deste tipo de pessoa que sofre com o transtorno. É por isso que ele cria enredos para envolver seus ouvintes. Além da mentira, ele desconhece ou ignora a importância da honestidade para as relações.

9. Sem senso de perigo

Para quem tem esse transtorno o perigo não existe. É natural para ele que não haja risco diante das situações e seu instinto impulsivo prevaleça.

Psicopatia ou Sociopatia

Confundir psicopata ou sociopata é algo relativamente comum, mas ambos quadros apresentam sinais diferentes e não são diagnósticos.

Ambos nomes são apenas traços de pessoas que sofrem com algum transtorno de personalidade. O único diagnóstico que engloba o sociopata e psicopata é justamente o transtorno de personalidade antissocial.

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Podemos dizer que o psicopata, ao contrário de quem tem as características da sociopatia, consegue ser mais calculista e frio. Diante das situações consegue se manter mais neutro, ainda que faça algo grave e violento. Tudo que ele faz é bem planejado e não há o impulso.



Como uma pessoa se torna sociopata?

Não há uma resposta exata que trata desta formulação. Aliás, a resposta dessa pergunta certamente não é tão simples e segue sendo pesquisada por grandes especialistas.

O que se sabe até aqui é que fatores genéticos e ambientais influenciam diretamente no desenvolvimento pessoal de cada indivíduo. Por exemplo, uma criança que cresce em um ambiente violento e que já tem uma predisposição para ser sociopata, acaba unindo os dois elementos e materializa o transtorno.

De acordo com alguns especialistas, o transtorno dá sinais antes mesmo dos 15 anos de idade.

Aliás, para a psicanálise, esse transtorno pode estar relacionado ao Superego e o chamado complexo de Édipo, conceito elaborado pelo psiquiatra austríaco Sigmund Freud e que trata da internalização das proibições, dos limites impostos e da autoridade, como os pais.

Não dá para diagnosticar em qual momento da vida esse transtorno desenvolve, mas é comum que os sinais estejam presentes mais na fase adulta. A doença em si não tem cura, mas há tratamento com medicamentos e acompanhamento.

Conclusão

A sociopatia faz parte de alguns traços no indivíduo e a partir dela é que se faz um diagnóstico de transtorno.

Mais do que agressividade, quem sofre com a doença realmente se sente indiferente ao outro, não se importa com o que está acontecendo.

O transtorno não é tão comum quanto se imagina. Como vimos, apenas 3% da população mundial apresenta esses sinais.

A psicanálise acredita que a genética e o ambiente são os dois principais fatores que favorecem o surgimento do transtorno. Como outros distúrbios da personalidade, não há cura.

Só o acompanhamento e o tratamento médico podem ajudar a controlar o problema.

A psicanálise é um campo clínico de investigação teórica da psique humana, o que inclui o estudo desses tipos de transtornos. Aliás, nós aqui da Psicanálise Clínica formamos profissionais na área que buscam entender cada vez mais sobre o comportamento humano. Conheça mais sobre o curso da Formação em Psicanálise.

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