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O que é Superego: conceito e funcionamento

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O superego é um conceito fundamental da teoria estrutural de Freud. Mas, o que é superego, como ele se forma, como ele funciona? Qual definição ou conceito de superego, de acordo com a teoria psicanalítica?

O que é superego

Neste artigo, veremos que o superego é uma parte da nossa mente (e da nossa personalidade), responsável pelos ditames morais.

Em síntese, para Freud, representaria o pai e tudo o que fosse normativo. Isto é, é no superego que está nossa renúncia do prazer em prol do benefício da vida coletiva em sociedade.

Superego – elemento estrutural psíquico

Entender o que é superego não é dasiadamente difícil. O superego é um elemento estrutural do aparelho psíquico, responsável por imposição de sanções, normas, e padrões.

Tem sua formação pela introjeção dos conteúdos (superegóicos) advindos dos pais, e começa a se constituir com a resolução dos conflitos edípicos da fase fálica, a partir de cinco ou seis anos.

O complexo de Édipo

Para entendermos o que é superego, precisamos entender o Complexo de Édipo: o filho que “mata” o pai para ficar com a mãe, mas sabe que ele mesmo se torna pai agora e poderá, também, ser morto.

Para evitar isso, criam-se as normas sociais: o moral (o certo e o errado), a educação (para ensinar a cultura de não matar o novo “pai”), as leis, o divino etc.

O herdeiro do complexo de Édipo

Considerado como herdeiro do complexo de Édipo, o superego começa a se constituir a partir do momento em que a criança renuncia ao pai/mãe, como objeto de amor e ódio.

Nesse momento a criança se desprende da figura dos pais e começa a valorizar a interação com outras pessoas.

Nessa etapa, voltam suas atenções para relacionamentos com seus companheiros, nas atividades escolares, esportivas e tantas outras habilidades. (FADIMAN & FRAGER, 1986, p. 15)

A constituição do Superego

Assim a constituição do superego contará com aparatos adquiridos com a passagem pelo complexo de Édipo, mas também com subsídios incorporados das imagens, falas e atitudes dos pais e pessoas significativas para o mundo infantil.

Na resolução do conflito edipiano, predominará na menina o superego materno e no menino, o superego paterno, embora conforme a cultura (patriarcal ou matriarcal) o pai ou a mãe assuma o papel na formação do superego de ambos os sexos.

O superego surge também como noção de proteção e amor

O superego surge desse modo, como noção de certo e errado, não apenas como fonte de punição e ameaça, mas também de proteção e amor.

Ele exerce autoridade moral sobre as ações e o pensamento, surgindo a partir de então atitudes como vergonha, repulsa e moralidade, com o objetivo de fazer frente à tempestade ulterior da puberdade e a alicerçar o caminho dos desejos sexuais que vão despertando. (FADIMAN & FRAGER, 1986, p.15).

O moral

“Pode-se então afirmar que o princípio que rege o superego é o moral, o que o torna responsável pela repreensão dos impulsos sexuais não resolvidos na fase fálica, (período entre cinco e dez anos denominado latência). Nessa fase os impulsos pré-genitais que não lograram êxito […] serão, a partir de então, recalcados ou transformados em atividades socialmente produtivas” (REIS; MAGALHÃES, GONÇALVES, 1984, p.40, 41).

O período de latência se caracteriza pelo desejo de aprender. A criança acumula conhecimento tornando-se mais independente, começa a ter noções de certo e errado, está mais apta a controlar seus impulsos destrutivos e anti-sociais.

O controle do Superego

Uma série de eventos acontecem com a finalidade de reforçar o controle do superego, dessa forma o antigo medo da castração é substituído pelo medo de doenças, da perda, da morte ou da solidão.

Nesse momento, a internalização do sentimento de culpa (na passagem pelo complexo de Édipo) por desejar algo, considerado por alguém importante para a criança, como errado, a interdição passa a ser interna também e é realizada pelo superego.

É como se […] “ouvisse esta proibição dentro de si. Agora, não importa mais a ação para sentir-se culpado: o pensamento, o desejo de fazer algo mau se encarrega disso.” (BOCK, 2002, p.77).

O cuidado com o indivíduo na tenra idade

A maioria das crianças a partir de cinco anos já falam mesmo tendo um vocabulário limitado, nesse momento o que ela internaliza e ajuda a construir o superego é formado pelas respostas que recebe de seus pais e professores, a questionamentos levantados por elas, como por exemplo, sobre a vida, o tempo, a morte, o envelhecimento.

O período de latência é uma fase de construção de valores que nortearão a conduta do indivíduo como nas demais fases.

É importante responder as perguntas sobre sexualidade, morte, com cuidado e responsabilidade, pois a criança está fortemente influenciada pela linguagem, evitando assim no futuro uma frustração pela resposta recebida.

Exemplificando a ação do superego

Para exemplificar a ação do superego na vida de um indivíduo, D’Andrea (1987) dá o seguinte exemplo:

[…] uma criança introjeta a figura de um pai que costuma dizer que o dinheiro é a coisa mais importante da vida. Então, no superego da criança cria-se o conceito de que o certo é ter dinheiro. Esta informação parcial obtida do pai pode ser mais tarde projetada numa figura do mundo externo […] esta mesma figura pode ser um usuário [pessoa gananciosa], ou mesmo um ladrão e por “imposição do superego” a criança se identificará negativamente. (D’ANDREA, 1987, p.77)

O conceito de Superego

Só forma na mente sadia. Está integrado ao Id e ao Ego e é o controlador de ambos. É comparado a um filtro ou sensor, e é influenciado pelos princípios religiosos, cultural, história do povo, etc.

Esse estatuto para “viver bem em relação” denomina-se “consciência” ou “voz da consciência”, e é o conhecido na nomenclatura psicanalítica, desde a publicação de o Ego e o Id, de Freud, em 1923, como Superego, a terceira das instâncias em que consiste o aparelho psíquico na topografia hipotética de Freud.

A atividade do Superego pode manifestar-se de várias maneiras. Assim, pode reger as atividades do Ego – em particular as atividades anti-instintivas, defensivas – de acordo com os seus padrões morais.

Dando origem a sentimentos punitivos

O Superego funciona, também, de maneira a dar origem, dentro do Ego, a um sentimento de culpa, de remorso, ou a um desejo de penitenciar-se ou de fazer reparação.

Podemos acrescentar que, constituem o Superego todo processo de educação e controle da sociedade, exercido de modo sistemático e assistemático.

Estas são as cinco funções do superego:

  • auto-observação;
  • a consciência moral;
  • censura onírica;
  • a influência principal na repressão;
  • a exaltação dos ideais.

Conclusão

O Superego representa todas as restrições morais e todos os impulsos para a perfeição.

Se nós trabalhamos com aspectos relativos à autoridade, como Estado, ciência, escola, polícia, religião, terapia etc., devemos compreender o que é o superego. E, assim, evitar que nossos ditames morais engessem a liberdade e a criatividade das pessoas.

O conhecimento de sua existência e formas de atuação constitui uma grande ajuda para a compreensão de diferentes sintomas, da conduta social do homem e de problemas sociais agudos, como a delinquência.

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2 thoughts on “O que é Superego: conceito e funcionamento

  1. Encantada por este site. Estou decidida a fazer formação em psicanálise e este foi o site mais claro e bem estruturado que encontrei. Só há a opção EAD para este curso?

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