O que é Complexo de Édipo? Conceito e História

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O complexo de Édipo é um termo psicanalítico criado por Sigmund Freud. Freud cunhou esse termo em sua teoria de estágios psicossexuais do desenvolvimento ou teoria da sexualidade. O complexo de Édipo é um termo basicamente usado para descrever os sentimentos de um menino e sua mãe. Seu desejo pela mãe e o consequente ciúme que ele sente do pai. É como se o filho visse o pai como um rival, ao querer a atenção e afeto de sua mãe.

Freud, em sua teoria do desenvolvimento psicossexual afirmou que ela se divide em três fases.

  • A fase oral: do nascimento até aproximadamente três anos de idade
  • A fase anal: dos três anos até cerca de 5 ou 6 anos de idade
  • A fase fálica: dos 5 ou 6 anos até a entrada na puberdade.

De acordo com Freud, o complexo de Édipo tem um papel muito importante na fase fálica do desenvolvimento psicossexual. Além disso, para ele, a conclusão desta etapa envolveria a identificação do menino com o pai. E isso contribuiria para o desenvolvimento de uma identidade sexual madura. Trata-se, portanto, de uma fase que, geralmente, é superada pelo menino.

Além disso, também existe uma fase análoga ao Complexo de Édipo para as meninas. A qual é conhecida como Complexo de Electra. Na qual as meninas sentem desejos pelos seus pais e ciúmes de suas mães.

O Complexo de Édipo foi proposto pela primeira vez por Freud em seu livro A Interpretação dos Sonhos. Ainda que ele não tenha começado a usar o termo, formalmente, até 1910.

A denominação desse termo é retirada da peça de Sófocles intitulada “Édipo Rei”. Na peça o personagem Édipo acidentalmente mata o seu próprio pai e acaba se casa com a sua própria mãe.

Complexo de Édipo: Resumo da História

A peça “Édipo Rei” de Sófocles faz parte de uma trilogia, que inclui as obras “Antígona” e “Édipo em Colono”.

No enredo, um bebê tebano é deixado para morrer no Monte Citerão, entre Tebas e Corinto. Entretanto, um pastor coríntio o leva para sua cidade, na qual ele é adotado pelo rei Pólibo.

Já jovem, ao consultar o oráculo de Delfos para saber sobre a sua origem, Édipo ouve uma terrível profecia. A de que o seu destino é matar o seu pai e desposar a sua própria mãe. Para fugir desta profecia, ele abandona Corinto.

Mas, para a tragédia grega, o destino é uma trama inescapável.

Em suas andanças, Édipo encontra por uma estrada um homem idoso, com quem acaba discutindo. Então, Édipo mata esse homem e quase toda a sua comitiva, restando apenas um homem.

Ao chegar a Tebas, a Esfinge lhe propõe um enigma: “qual animal se apoia em 4 patas de manhã, duas patas à tarde e três à noite?”.

Édipo desvenda o enigma: o homem, que no início da vida engatinha, na idade adulta caminha sobre duas pernas e, idoso, caminha com bengala.

Ao responder, Édipo salva a sua vida e a da cidade. Como recompensa, ele é nomeado rei de Tebas e desposa a irmã do então rei, Creonte. Jocasta, viúva de Laio, assassinado.

Após 15 anos uma peste assola Tebas. Após consultarem o oráculo de Delfos para saberem o que fazer para salvar a cidade. O oráculo diz que o assassino do rei Laio deve ser punido. Então, o cego Tirésias diz a Édipo que o assassino está mais perto do que eles imaginam. Nesse momento, um mensageiro de Corinto chega e revela que o rei de lá falecera e diz que Édipo é filho legítimo do rei. Também é quando aparece o sobrevivente da comitiva de Laio. Quem, por sinal, é o mesmo homem que abandonara o bebê no Monte Citerão.


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A criança que agora está diante dele, é o rei de Tebas, Édipo.

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Assim, revela-se que Édipo:

  • matou o pai (Laio) e
  • casou-se com a mãe (Jocasta).

Após essa descoberta, Édipo fica desolado. Fura os próprios olhos, passa a perambular sem destino pelo mundo, como seu castigo. A rainha Jocasta se suicida.

Características do Complexo de Édipo: Freud

Segundo Freud, todo os seres humanos devem a sua origem a um pai e a uma mãe. Não havendo, assim, como escapar dessa triangulação, a qual constitui o centro do conflito humano. Essa triangulação define a estrutura psíquica do indivíduo. E ela não está presente apenas em sua infância, mas em toda a sua vida.

O Complexo de Édipo é um conceito universal na psicanálise. Um conceito que fala sobre sentimentos como o amor e o ódio, quando direcionados àqueles que mais nos são próximos, nossos pais.

Dando-se durante o desenvolvimento psicossexual da criança. O complexo de Édipo ocorre durante a fase fálica. Ao atingir três anos de idade, ela passa a ser alvo de várias proibições até então desconhecidas. É quando a sociedade começa a lhe impor regras e limites. Ela já não pode mais fazer o que quer, e a sua liberdade começa a ser cerceada.

Nesse momento, a criança começa a identificar as distinções entre si e os seus genitores. Sendo, portanto, uma das fases mais importantes de seu desenvolvimento, psicológico e sexual. A qual, segundo Freud, poderá se refletir por toda a sua vida adulta, inclusive em sua vida sexual.

Por isso o Complexo acabou se tornando um dos conceitos mais famosos da teoria psicanalítica. Freud levou muitos anos elaborando e repensando essa teoria, até chegar ao seu conceito final. O Complexo de Édipo, segundo Freud, é um processo central ao desenvolvimento do conceito de identificação.

Como se Resolve o Complexo de Édipo?

Para resolver esta fase e desenvolver um adulto com uma identidade saudável. A criança deve se identificar com o genitor do mesmo sexo. Assim ela resolve o conflito incestuoso e característico do Complexo de Édipo.

De acordo com Freud, essa fase envolve o id e o ego:

  1. O primitivo id quer eliminar o pai, e o ego, realista, sabe que o pai é muito mais forte.
  2. É quando surge a angústia da castração no menino, que teme que o pai mais forte se imponha contra ele.
  3. Ao descobrir as diferenças físicas entre o homem e a mulher, a criança acha que o pênis do sexo feminino foi removido.
  4. Com isso, o menino também acha que o seu pai irá castrá-lo por desejar a sua mãe: é o chamado Complexo de Castração.
  5. Para resolver esse conflito, o filho menino deve se identificar com o pai. Isto é, aceitar o pai, manter uma relação com o pai e elaborar um apreço à figura paterna. Afinal, se o filho desafiar o pai, estará na posição vulnerável depois.

Basicamente, para superar o complexo de Édipo e seguir em frente, o filho deverá aceitar a supremacia do pai e a impossibilidade de ter o amor conjugal com sua mãe. Assim, o “eu” estará livre para se fixar a outros objetos de amor, isto é, realizar-se com outra pessoa, ter uma profissão, assumir um papel de responsabilidade pessoal, familiar e social.

A partir dessa superação é que se forma o superego. O qual atua como uma autoridade moral interna. Por isso, essa fase, para Freud, é tão importante para o desenvolvimento psicossexual do indivíduo.

No livro Mal Estar da Civilização, Freud sugere que o mito de Édipo está na base da cultura, no sentido de civilização ou organização social. A escola, a religião, a moral, a família e as leis são alguns exemplos de construções sociais que buscam impor aos mais novos as regras que vão preservar o status quo.

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O equivalente feminino do Complexo de Édipo é o chamado Complexo de Electra, conforme proposto por Carl Jung, tema que trabalhamos em outro artigo.

3 thoughts on “O que é Complexo de Édipo? Conceito e História

    1. Sim, Cláudia, é plenamente possível resolver na fase adulta! Este Complexo e outras frustrações ou traumas da infância (em especial em relação aos pais) são alguns dos principais temas abordados em terapia psicanalítica. A pessoa pode procurar um(a) terapeuta, ou pode também estudar Psicanálise (por exemplo, nosso Curso de Formação On-line em Psicanálise), como forma de Autoconhecimento. Gratidão! Equipe Psicanálise Clínica.

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