O que é Complexo de Édipo? Conceito e História

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O complexo de Édipo é um termo psicanalítico criado por Sigmund Freud. Freud cunhou esse termo em sua teoria de estágios psicossexuais do desenvolvimento ou teoria da sexualidadeEntão, para saber mais sobre esse assunto, continue lendo o nosso artigo. Vamos falar sobre o conceito de Complexo de Édipo, o personagem da tragédia clássica grega que inspirou Freud e vamos refletir sobre a atualidade do Complexo de Édipo e sua possibilidade de aplicação para vários formatos de estruturas familiares.

O que é complexo de Édipo?

O complexo de Édipo é um termo basicamente usado para descrever os sentimentos de um menino a sua mãe (atração) e ao seu pai (repulsa). Isto é, o desejo do menino pela mãe e o consequente ciúme que ele sente do pai. É como se o filho visse o pai como um rival, ao querer a atenção e afeto de sua mãe.

Afinal, a criança se confundia com a própria mãe durante a gestação. Depois, na fase de amamentação e primeiros meses de vida, a criança se diferencia da mãe, mas continua tendo da mãe um grande foco de atenção. Gradativamente, a criança sente que a mãe lhe diminui a atenção, e percebe a existência do pai como uma suposta causa.

Freud, em sua teoria do desenvolvimento psicossexual infantil, afirmou que ela se divide em fases, das quais se destacam:

  • Fase Oral: do nascimento até aproximadamente dois anos de idade.
  • Fase Anal: dos dois anos até cerca de três ou quatro anos de idade.
  • Fase Fálica: dos três ou quatro anos até aproximadamente seis anos de idade, normalmente quando surgiria o Complexo de Édipo.
  • Fase de Latência: dos seis anos de idade até o início da puberdade, quando tende a se declinar ou se dissolver o Complexo de Édipo.

De acordo com Freud, o complexo de Édipo tem um papel muito importante na fase fálica do desenvolvimento psicossexual. Além disso, para Freud, a conclusão bem resolvida desta etapa envolveria a identificação do menino com o pai. E isso contribuiria para o desenvolvimento de uma identidade sexual madura e independente. Trata-se, portanto, de uma fase que, geralmente, é superada pelo menino.

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Além disso, também existe uma fase análoga ao Complexo de Édipo para as meninas. A qual é conhecida como Complexo de Electra. Na qual as meninas sentem desejos pelos seus pais e ciúmes de suas mães.

O Complexo de Édipo foi proposto pela primeira vez por Freud em seu livro A Interpretação dos Sonhos. Ainda que ele só tenha começado a usar o termo, formalmente, a partir de 1910.

A denominação desse termo é retirada da peça de Sófocles intitulada “Édipo Rei”. Na peça o personagem Édipo acidentalmente mata o seu próprio pai e acaba se casa com a sua própria mãe.

Complexo de Édipo: Resumo da História

A peça “Édipo Rei” de Sófocles faz parte de uma trilogia, que inclui também as obras “Antígona” e “Édipo em Colono”. No enredo de Édipo Rei, o rei de Tebas (Laio) é advertido pelo oráculo para que não tenha filho, pois este filho mataria o próprio pai (o rei).

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O nascimento e o abandono de Édipo

Laio não acata o conselho: tem um filho. Depois, Laio se arrepende e ordena que o filho seja sacrificado.

Então, um servo do rei Laio deixa o bebê tebano para morrer no Monte Citerão, entre Tebas e Corinto, amarrando o bebê pelos calcanhares, em uma árvore. Entretanto, um pastor coríntio salva o bebê e o leva para sua cidade, onde o bebê é adotado pelo rei Pólibo.

Já jovem, ao consultar o oráculo de Delfos para saber sobre a sua origem, Édipo ouve uma terrível profecia. A de que o seu destino é matar o seu pai e desposar a sua própria mãe. Para fugir desta profecia, ele abandona Corinto, acreditando que Pólibo é seu verdadeiro pai.

Mas, para a tragédia grega, o destino de Édipo é uma trama inescapável.

Édipo enfrenta a comitiva e, depois, a Esfinge

Em suas andanças, Édipo encontra por uma estrada um homem idoso, com quem acaba discutindo. Então, Édipo mata esse homem e quase toda a sua comitiva, restando apenas um homem.

Ao chegar a Tebas, a Esfinge que afligia a cidade com grandes castigos propõe a Édipo (como a qualquer outro que tentasse entrar na cidade) um enigma: “qual animal tem quatro patas de manhã, duas patas à tarde e três à noite?”.

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    Édipo desvenda o enigma: o homem. No início da vida o ser humano engatinha (4 patas), na idade adulta caminha sobre duas pernas e, idoso, caminha com duas pernas mais uma bengala.

    Ao responder, Édipo salva a sua vida e a da cidade: pois a Esfinge se suicida.

    Édipo é nomeado rei de Tebas e casa-se com Jocasta

    Como recompensa, Édipo é nomeado rei de Tebas e desposa a irmã do então rei Creonte. Esta esposa de Édipo é Jocasta, viúva de Laio, que fora assassinado. Após 15 anos, uma peste assola Tebas.

    Após consultarem o oráculo de Delfos para saberem o que fazer para salvar a cidade, o oráculo diz que o assassino do rei Laio merece uma punição. Então, o cego Tirésias diz a Édipo que o assassino está mais perto do que eles imaginam.

    Nesse momento, um mensageiro de Corinto chega e revela que o rei de lá falecera e diz que Édipo é filho legítimo do rei Laio. Também é quando aparece o sobrevivente da comitiva de Laio. Quem, por sinal, é o mesmo homem que abandonara o bebê no Monte Citerão.

    Está cumprido o destino trágico na História de Édipo

    O jovem que agora está diante dele é o rei de Tebas, Édipo. Assim, revela-se que Édipo:

    • matou o pai (Laio) e
    • casou-se com a mãe (Jocasta).

    E fez as duas coisas sem saber que Laio era seu pai e que Jocasta era sua mãe.

    Após essa descoberta, Édipo fica desolado. Fura os próprios olhos e, cego, passa a perambular sem destino pelo mundo, como seu castigo. A rainha Jocasta comete suicídio.

    Características do Complexo de Édipo: Freud

    Todos os seres humanos devem a sua origem a um pai e a uma mãe. Para Freud, não haveria, assim, como escapar dessa triangulação (bebê – mãe – pai), a qual constitui o centro do conflito humano. Essa triangulação define a estrutura psíquica do indivíduo. E ela não está presente apenas em sua infância, mas em toda a sua vida.

    O Complexo de Édipo é um conceito universal para a compreensão sobre o que é psicanálise. Um conceito que fala sobre sentimentos como o amor e o ódio, quando direcionados àqueles que mais nos são próximos, nossos pais.

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    Dando-se durante o desenvolvimento psicossexual da criança. O complexo de Édipo ocorre durante a fase fálica. É aproximadamente quando o bebê alcança quatro ou cinco anos de idade. Esta fase traz várias proibições até então desconhecidas. É quando a criança começa a perceber que a sociedade lhe impõe regras, limites e costumes. A criança já não pode mais fazer o que quer, e a sua liberdade começa a ser cerceada.

    Nesse momento, a criança começa a identificar as distinções entre si e os seus genitores. Sendo, portanto, uma das fases mais importantes de seu desenvolvimento, psicológico e sexual. A qual, segundo Freud, poderá se refletir por toda a sua vida adulta, inclusive em sua vida sexual.

    Por isso o Complexo acabou se tornando um dos conceitos mais famosos da teoria psicanalítica. Freud levou muitos anos elaborando e repensando essa teoria, até chegar ao seu conceito final. O Complexo de Édipo, segundo Freud, é um processo central ao desenvolvimento do conceito de identificação.

    Como se Resolve o Complexo de Édipo?

    Para resolver esta fase é necessário desenvolver um adulto com uma identidade saudável. A criança deve se identificar com o genitor do mesmo sexo. Assim ela resolve o conflito incestuoso e característico do Complexo de Édipo.

    De acordo com Freud, essa fase envolve o id e o ego:

    1. O primitivo id quer eliminar o pai, e o ego, realista, sabe que o pai é muito mais forte.
    2. É quando surge a angústia de castração no menino, que teme que o pai mais forte se imponha contra ele.
    3. Ao descobrir as diferenças físicas entre o homem e a mulher, a criança acha que o pênis do sexo feminino foi removido.
    4. Com isso, o menino também acha que o seu pai irá castrá-lo por desejar a sua mãe: é o chamado Complexo de Castração.
    5. Para resolver esse conflito, o filho menino deve se identificar com o pai. Isto é, aceitar o pai, manter uma relação com o pai e elaborar um apreço à figura paterna. Afinal, se o filho desafiar o pai, estará numa posição vulnerável depois.

    Basicamente, para superar o complexo de Édipo e seguir em frente, o filho deverá aceitar a supremacia do pai e a impossibilidade de ter o amor conjugal com sua mãe. Assim, o “eu” estará livre para se fixar a outros objetos de amor. Isto é, realizar-se com outra pessoa, ter uma profissão, assumir um papel de responsabilidade pessoal, familiar e social. Diz-se que houve um complexo de Édipo mal resolvido quando a criança não consegue fazer esta passagem de afeto, mantendo-se infantilizada e presa ao afeto/proteção da mãe e à rivalidade com o pai.

    O papel do Superego

    A partir da superação bem resolvida do complexo de Édipo é que se forma o superego. Atua como uma autoridade moral internalizada pela pessoa. Por isso, este momento de superação é, para Freud, tão importante para o desenvolvimento psicossexual do indivíduo.

    No livro Mal Estar na Civilização, Freud sugere que o mito de Édipo está na base da cultura. A escola, a religião, a moral, a família e as leis são alguns exemplos de construções sociais que buscam impor aos mais novos as regras que vão preservar o status quo das gerações anteriores.

    A sociedade criaria a cultura (sinônimo de civilização, em Freud) e todos os seus aparelhos em razão do temor de que os jovens (os “filhos”) ataquem as regras de funcionamento que já organizam esta sociedade.

    Para além do Complexo de Édipo e outros modelos familiares

    Passado mais de um século desde a elaboração freudiana, é fato que o Complexo de Édipo permanece como parte da compreensão do desenvolvimento psicossexual infantil e como parte da compreensão das regras impostas pela vida em sociedade.

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    Por outro lado, também houve críticas e complementações acerca da teoria freudiana (dentro da psicanálise, na psicologia e na sociologia), especialmente quanto aos riscos da universalização da teoria freudiana, aos outros formatos de família e ao desenvolvimento de bebês do sexo feminino.

    No Livro “Édipo: o complexo do qual nenhuma criança escapa”, o psicanalista J. D. Nasio amplia a triangulação do Complexo de Édipo para situações em que a mãe não mora com o pai. De certa forma, a mesma ideia de Nasio poderia ser aplicada a quaiquer modelos de família:

    “Pergunta: como se dá o Edipo quando a mãe vive sozinha com o filho?

    Resposta: Plenamente, sob a condição de que a mãe seja desejante. Pouco importa que a mãe viva sozinha, o que conta é que seja apegada a alguém, que deseje alguém; e, no caso de não ter nenhum parceiro amoroso, o que conta é que seja interessada por outra coisa que não o filho, que o amor pelo filho não seja o único amor de sua vida. Em suma, há o Edipo a partir do momento em que a mãe deseja um terceiro entre ela e o filho. Eis o pai! O pai é o terceiro que a mãe deseja.”

    O que é o Complexo de Édipo bem resolvido?

    Por esta visão de J. D. Nasio, o complexo de Édipo seria universal, isto é, todas as crianças passariam por ele, independentemente do modelo familiar. Bastaria o desejo que a mãe tenha por outra pessoa (ou até mesmo “coisa”, como o trabalho etc.) e que isso seja visto pela criança como “roubando-lhe” a mãe.

    Neste sentido, o Complexo de Édipo bem resolvido não dependeria do formato familiar, mas sim ocorreria quando a criança (até provavelmente perto da adolescência) conseguisse:

    • ir se desprendendo deste desejo pela mãe e do desejo que a mãe lhe deseje e lhe seja exclusiva; e
    • deixar de conflitar ou rivalizar com o pai (ou quem ocupe este lugar, no ponto de vista da criança),
    • de forma que a criança passe a destinar seu afeto a outras pessoas, coisas, sonhos profissionais etc., com maior autonomia.

    Do lado oposto, um Complexo de Édipo mal resolvido seria quando a criança não se desapega do desejo pela mãe e não consegue deixar de conflitar com seu pai. Normalmente, isso reflete-se em condições diversas inclusive na idade adulta, como a incapacidade de se relacionar de maneira saudável com alguém, auto-estima frágil e elevado grau de dependência em relação a outras pessoas.

    Uma forma de ver o contraponto feminino do Complexo de Édipo é o chamado Complexo de Electra, conforme proposto especialmente por Carl Jung.

     

    5 thoughts on “O que é Complexo de Édipo? Conceito e História

      1. Sim, Cláudia, é plenamente possível resolver na fase adulta! Este Complexo e outras frustrações ou traumas da infância (em especial em relação aos pais) são alguns dos principais temas abordados em terapia psicanalítica. A pessoa pode procurar um(a) terapeuta, ou pode também estudar Psicanálise (por exemplo, nosso Curso de Formação On-line em Psicanálise), como forma de Autoconhecimento. Gratidão! Equipe Psicanálise Clínica.

    1. A experiência do Complexo de Édipo é compreendida na teoria freudiana como um conceito fundamental para a constituição do sujeito. A resolução psíquica edípica que vai produzir diferentes formações de estruturas clínicas nos sujeitos e seus sintomas. Explique as três estruturas adotadas pela psicanálise freudiana e seus tipos clínicos

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