complexo-castracao

Complexo de Castração e Moral em Freud

Posted on Posted in Psicanálise

A moral é um campo da filosofia que busca identificar as razões pelas quais as pessoas e comunidades classifiquem algo como “certo” e “errado”. Psicanálise e Moral têm um vínculo estreito, especialmente quando Freud trata do Superego, uma instância psíquica que representaria a “voz do pai”.

A voz moral do pai e o complexo de castração

A voz do pai é punitiva e destoa da voz uterina e carinhosa da mãe. Ela tem por objetivo dizer ao filho o que é “certo” e, também, punir se não for feito o certo: a principal punição, no ver de Freud, seria a ameaça de castrar o filho, o que daria a origem ao Complexo de Castração.

Este temor da criança do sexo masculino representaria todos os outros temores que o pai e a sociedade impõe às crianças. A moral, então, se perpetua pela transmissão cultural, dos mais velhos para os mais novos.

O inconsciente para Freud

Freud desenvolve duas teorias do aparelho psíquico. Na primeira, temos a psique dividida em:

  • inconsciente
  • pré- consciente
  • consciente.

O inconsciente, para Freud, era uma instância psíquica em que o paciente sabe, mas não sabe que sabe.

O pré-consciente seria responsável por armazenar as informações que não estão na consciência naquele exato momento, mas podem ser acessadas sempre que necessário.

O consciente é um termo puramente descritivo, que repousa na percepção do caráter mais imediato e certo.

O conceito da Libido

Ainda neste primeiro momento e com base nesses estudos, o autor desenvolve outro conceito importante, a libido. A libido é a energia erótica que possibilita a vida. Utilizar-se desta energia para fins socialmente aceitos (arte, religião, estudo, etc..) resulta em sublimação.

É também a libido quem une os homens para fins reprodutivos.

A Segunda Tópica

Posteriormente, Freud desenvolve a segunda teoria do aparelho psíquico, ao perceber que o psiquismo era mais complexo do que a divisão em inconsciente, consciente e pré-consciente. Essa teoria é dividida em:

  • id
  • ego
  • superego

O id é a fonte de energia pulsional (libido). Ele é inconsciente e regido pelo Princípio do Prazer . O ego faz a mediação entre os desejos do id, as impossibilidades da realidade externa e as interdições do superego. O superego é o herdeiro do complexo de Édipo e acusa os desejos do id, antes mesmo que cheguem à consciência. Há uma relação dialética entre eles.

Desse modo, possuem a mesma natureza e atuam em conjunto, produzindo, na estrutura psíquica, uma síntese que compõe a subjetividade.

O psiquismo tem como infraestrutura o que é orgânico

Freud (2003) explica que a energia libidinal está na fronteira do psíquico e do somático. O id, regido pelo princípio do prazer, quer suas necessidades atendidas imediatamente. O ego tenta conciliá-las com as demandas do mundo externo e do superego. Assim, na lógica capitalista, tenta-se conciliar id e ego, atendendo ao imediatismo do id pela satisfação não adiada e pelo gozo compulsivo.

Os desejos do id não reconhecem o tempo ou local, podendo retornar por meio de sonhos ou sintomas em qualquer momento da vida do sujeito.

A intemporalidade é o ideal do prazer. O tempo não pode sobre o id, que é o domínio original do princípio de prazer.

Mas o ego, por cujo intermédio, exclusivamente, o prazer se torna real, está em sua inteireza sujeito ao tempo. A mera previsão do fim inevitável, presente a todo instante, introduz um elemento repressivo em todas as relações libidinais e torna o próprio prazer doloroso. […]

Do nascimento da Consciência e do sentimento de culpa

O fluxo de tempo é o maior aliado natural da sociedade na manutenção da lei e da ordem, da conformidade das instituições que relegam a liberdade para os domínios de uma perpétua utopia. O fluxo de tempo ajuda os homens a esquecerem o que foi e o que pode ser: fá-los esquecer o melhor passado e o melhor futuro (MARCUSE, 1969, p. 200).

O tempo e a possibilidade do fim, por intermédio da morte, são aspectos importantes da interdição que permitem ao ego manter o equilíbrio do psiquismo. Com a finalidade de se autopreservar, o ego não consente que algumas exigências sejam sequer desejadas conscientemente. No plano inconsciente o superego acusa o id, e o ego trata de reprimi-las antes mesmo que cheguem ao consciente, gerando o sentimento de culpa.

Assim, as ‘restrições externas’ que, primeiro, os pais e, depois, outras entidades sociais impuseram ao indivíduo são ‘introjetadas’ no ego e convertem-se em ‘consciência’; daí em diante, o sentimento de culpabilidade – a necessidade de punição, gerada pelas transgressões ou desejo de transgredir essas restrições (especialmente, na situação edípica) – impregna a vida mental (MARCUSE, 1969, p. 49).

A Sublimação

O homem, por meio de seus instintos, é capaz de renunciar à satisfação imediata e ao prazer, em nome da sensação de segurança, para constituir a vida em sociedade.

A libido, energia que possibilita essa transformação, destina-se para a reprodução humana na relação entre os sexos e é também desviada desse objetivo e dirigida para a realização de outras atividades humanas cuja finalidade é a produção de cultura, que Freud (1997) denomina sublimação.

Na sublimação, o objeto e o objetivo são modificados e o que era originalmente sexual encontra satisfação em uma realização não sexual genital, mas erótica, na medida em que se investe energia libidinal em um substituto, “de uma valoração social ou ética superior” (FREUD, 1976a, p. 129).

A Libido e o Complexo de Castração

Freud (1996a) divide o desenvolvimento da libido em cinco fases, que não são lineares, mas podem se sobrepor, mesmo que teoricamente se defina uma ordem:

  • fase oral
  • fase anal sádica
  • fase fálica
  • latência
  • fase genital

De acordo com a fase, o investimento libidinal se encontra em um órgão ou parte do corpo. Elas serão fundamentais para entender importantes formulações na teoria freudiana, como o Complexo de Édipo e o Complexo de Castração.

Nasio (1989) aprofunda nas explicações freudianas sobre o Complexo de Castração.

Para o autor, o conceito psicanalítico não diz respeito diretamente à mutilação dos órgãos sexuais da criança, mas a sua ameaça, por meio de uma experiência psíquica vivida pelo infante em que as interdições e as leis começam a fazer parte da vida humana. A experiência do Complexo de Castração em relação à suposta mutilação dos órgãos sexuais, fantasiada pela criança, é inconsciente e será decisiva na constituição do sujeito.

A criança precisa ter consciência dos seus limites

É preciso que a criança entenda e internalize que não pode ter todas as suas vontades atendidas. Os limites, impostos pelos progenitores, serão fundamentais para a constituição psíquica da criança.

O aspecto essencial dessa experiência consiste no fato de que, pela primeira vez, a criança reconhece, ao preço da angústia, a diferença anatômica entre os sexos. Até ali, ela vivia na ilusão da onipotência; dali por diante terá de aceitar que o universo seja composto por homens e mulheres e que o corpo tem limites (NASIO, 1989, p. 13).

Conclusão

A teoria freudiana é ampla e complexa. Muitos conceitos desenvolvidos pelo autor da Psicanálise foram revistos e reformulados pelo próprio autor em textos seguintes. Estudar Psicanálise, por exemplo com o nosso Curso de Formação On-Line, é se abrir às possibilidades de caminhar com o próprio autor, tentando percorrer e entender os desdobramentos de mais de quarenta anos de produção.

Foi útil para você? Curta, Comente e Compartilhe!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *