O que é sonho para a psicanálise?

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Os sonhos passaram a ter um novo significado quando o sonho para a psicanálise passou a ser uma área de estudo. Em 1900, Sigmund Freud publicou o livro “A Interpretação dos Sonhos”. O livro é considerado como um dos marcos do início da psicanálise. A teoria criada por Freud a respeito dos sonhos ainda atrai muitos estudiosos de várias áreas do conhecimento humano. O universo misterioso e rico dos sonhos pode revelar mais sobre nós do que podemos imaginar.

Antes das teorias de Freud, os sonhos eram, geralmente, interpretados como premonições ou como meros símbolos. Após as teorias de Freud e a interpretação do sonho para a psicanálise, o sonho passou a ter outra interpretação. Sendo ele visto como características ou reflexos de nosso inconsciente.

O sonho para a psicanálise tem como um dos principais intuitos destacar a importância que o que sonhamos pode ter em nossas vidas. Além disso, os sonhos podem exercer influência sobre nossos pensamentos ou atitudes. Também o sonho para a psicanálise pode ser muito útil, do ponto de vista terapêutico. Já que a sua análise, em terapia, pode auxiliar o psicanalista durante o processo de tratamento.

É muito importante ao psicanalista ou psicólogo compreender a formação dos sonhos. E como são elaborados os seus mecanismos de defesa e quais são os princípios de sua interpretação.

Freud e os sonhos

Freud já trabalhava com análise de sonhos quando começou a perceber que o desejo inconsciente poderia neles se manifestar. Ele percebeu isso com cada vez maior frequência em seus pacientes. E também viu isso na autoanálise que realizou entre 1896 e 1899. Freud viu que o inconsciente se manifestava nos sonhos por meio das memórias da infância.

Por meio dessa análise, Freud começou a compreender a importância do sonho para a psicanálise. Ciência essa que ainda estava começando a surgir. Freud, aos poucos, concluiu que o inconsciente do adulto era formado pela criança ainda presente dentro de cada indivíduo. E viu que isso ocorria independente de sua idade. Essa criança, segundo a sua teoria, poderia se relevar de várias formas. Pelo amor pela mãe, pela rivalidade com o pai, devido ao medo de castração, dentre outras formas.

Dessa forma, Freud passou a usar a técnica da Associação Livre, a qual se tornaria uma das principais características da psicanálise. Freud abandonou a terapia que então praticava, realizada por meio da hipnose. Após a sua autoanálise, ele passou a usar os sonhos como o seu principal material de trabalho.

Ele percebeu que, muitas vezes, assim como os seus pacientes, ele também demonstrava certa resistência ao tratamento. E percebeu que seu progresso também era lento e difícil. Durante a última fase de sua autoanálise que Freud iniciou a escrita de “A Interpretação dos Sonhos”. Dessa forma, surge sua nova teria a respeito dos sonhos, assim como as principais características dessa nova ciência, a psicanálise. E elas surgem, principalmente, a partir da luta de Freud por sua auto compreensão.

Freud descobre a paixão secreta da criança pela mãe, a qual não pode continuar inocente, o que se liga ao desenvolvimento sexual. O medo do pai, encarado como um rival, que leva Freud ao famoso complexo de Édipo.

O Sonho para a Psicanálise

Após um longo dia de trabalho, nada como uma boa noite de sonho para descansar e para desligar-se do dia a dia. Para muitos de nós os sonhos podem não ter significado algum. Mas o sonho para a psicanálise, pode revelar desejos e traumas ou outros elementos presentes em nosso inconsciente. Para a psicanálise, o sonho é uma das formas de acessar o inconsciente, parte da mente a qual não temos acesso de forma fácil.

No livro “A Interpretação dos Sonhos dos Sonhos” Freud afirma que os sonhos são a realização de um desejo. Trata-se de desejos escondidos, desejos que, muitas vezes, não realizamos devido às imposições sociais. Imposições como os costumes, a cultura ou educação de onde vivemos, a religião, os tabus e as morais sociais. Esses desejos ficam, então, recalcados ou reprimidos e vêm à tona quando sonhamos. Isso porque quando dormimos nossa mente relaxa e que o inconsciente tem maior autonomia em relação ao nosso consciente.

O sonho para a psicanálise é uma válvula de escape aos nossos desejos mais recônditos, mais secretos. Desejos que a nossa consciência julga como proibidos de serem realizados. Isso devido ao que a sociedade nos impõe, de acordo com a nossa cultura. Para Freud os sonhos o principal caminho para conhecermos os aspectos e características de nossa vida psíquica.

Dessa forma, de acordo com Freud e a psicanálise, era preciso encontrar métodos exclusivos para entender o real significado dos sonhos. Esse método tinha como principal base a análise do paciente, que se dava por meio do diálogo entre o psicanalista e o paciente. Para ele, os sonhos revelavam desejos inconscientes recalcados e de material infantil. Além disso, indicando uma relação com algo de caráter sexual. Portanto, a interpretação dos sonhos teve grande importância para a teoria psicanalítica.

Os sonhos e seus mecanismos

O sonho para psicanálise possui um conteúdo manisfesto e latente. O que Freud chamou de trabalho do sono. Para ele, havia quatro tipos de mecanismos do sonho: a condensação, o deslocamento, a dramatização e a simbolização. Por meio desses mecanismos é que os sonhos se transformavam em manifestos. Os quais deveriam ser interpretados.

A condensação é o laconismo do sonho com relação aos pensamentos oníricos que estão nele. Isto é, os sonhos, muitas vezes, são resumos ou pistas de desejos e acontecimentos. E por isso precisam ser desvendados, ser decifrados.

O deslocamento é quando o indivíduo, no sonho, se afasta de seu objeto de valor real, desviando-o para outro objeto a sua carga afetiva. Objeto secundário e, aparentemente, insignificante.

A dramatização é a imaginação de nossa mente. Aos sonhar, deixamos a razão de lado, razão presente quando estamos acordados. Assim, podemos imaginar tudo o que durante o dia racionalizamos.

A simbolização é quando as imagens presentes no sonho possuem relação com outras imagens. Isto é, quando o indivíduo sonha com algum objeto que no sonho aparece mascarado, o qual diz respeito a algo que essa pessoa viveu ou desejou.

 

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