Hoje, falaremos sobre um dos clássicos de maior bilheteria do mundo: o filme Tubarão. Então, confira as questões psicológicas nessa análise.

Filme Tubarão (1975): sinopse e significado

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Hoje, falaremos sobre um dos clássicos de maior bilheteria do mundo: o filme Tubarão. Além disso, você verá como esse filme trabalhou uma série de questões de fundo psicológico. Ademais, veremos como tais elementos ainda reverberam hoje, configurando um sinal de sucesso dessa produção. Sendo assim, venha conosco!

Filme Tubarão: introdução

Em 1975, o diretor Steven Spielberg com apenas 27 anos e uma grande ambição, lançou o filme O Tubarão. Em suma, na sinopse, a história é a de uma grande tubarão branco que aterroriza a cidade fictícia de Amity Island, nos EUA.

Essa história foi retirada de um livro do mesmo nome original (Jaws) do autor Peter Benchley. Segundo o site Observador, Benchley teve a sua inspiração após ler no jornal uma notícia de um pescador que apanhou um tubarão branco nas praias de Long Island em 1964.

Não só Benchley é o autor, como também ele participou do filme como co-roteirista. Além de fazer uma ponta no papel de um repórter que entrevista o prefeito de Amity.

O elenco conta alguns nomes conhecidos, outros, nem tanto. Neste caso, temos os nomes de Roy Schneider como o chefe de polícia Martin Brody. Temos também, Richard Dreyfuss como o biólogo e oceanógrafo e Robert Shaw, vivendo o caçador de tubarões profissional Quint.

Problemas durante as filmagens

Quem assiste o filme hoje em dia e acompanhou todo o seu sucesso, não imagina como a produção do filme foi caótica. Conforme reportado pelo El País, Spielberg insistiu que as filmagens fossem rodadas em pleno oceano atlântico, ao invés de um tanque ou um lago artificial.

De acordo com o diretor, ele queria que a história transmitisse a maior veracidade e medo possíveis, nos quais as pessoas pudessem acreditar. Como resultado, ao fazer as filmagens em águas salinas, eles conseguiram outro problema: o sal acabava corroendo os mecanismos do tubarão mecânico, que pesava 12 toneladas e media 7,6 metros.

Quando o tubarão conseguia funcionar, havia interrupções como um barco ou um avião passando por perto. Assim, o tempo de filmagem também acabou se estendendo de 55 para 159 dias, exaurindo os atores diante de repetidas cenas. Além disso, o orçamento inicialmente previsto em 4 milhões de dólares, quase triplicou, gerando críticas a Spielberg.

Detalhando a história do filme Tubarão

A história começa com uma jovem que participa de uma festa à noite na ilha de Amity. Logo depois, ela sai para nadar com um pretendente, ela chega primeiro na água, sendo que o jovem permanece na areia. Assim, ela é arrastada para baixo por uma força maior. De manhã, o jovem chama a polícia e eles encontram o corpo dela coberto por areia e caranguejos.

Então, o chefe de polícia Martin Brody imediatamente coloca “ataque de tubarão” como causa mortis. Isso provoca incômodos no prefeito da cidade Larry Vaughn, (Murray Hamilton). Isso porque o prefeito alega que Brody não pode afirmar que existe um tubarão nas águas, pois ninguém viu o ataque.

Outro detalhe, em sua visão, é que Amity é uma cidade de veraneio. Ou seja, um dos principais lugares que os turistas visitam no verão. Vale destacar que o dia 4 de julho (independência dos EUA) está próximo e o prefeito não quer perder essa oportunidade.

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Mesmo após as advertências de Brody, as praias continuam abertas. Porém, a população comemora o fato de que um tubarão é capturado e assim, todos passam a crer que aquele é o tal tubarão que está atormentando a todos. Porém,  novos ataques passam a acontecer e colocam as decisões do prefeito em xeque.

Por isso, o chefe Brody, juntamente com o biólogo Hooper e o caçador Quint, saem em busca do tubarão. Mas essa busca trará consequências perigosas.

Filme Tubarão e o medo diante do desconhecido

Um dos triunfos de Tubarão de Steven Spielberg é que o animal aparece pouquíssimas vezes. Sendo que a primeira aparição completa acontece apenas após a primeira hora de filme. Isso por si só não é um ponto positivo. Entretanto, o medo que causa nos espectadores vem em grande parte da trilha sonora.

O premiado músico John Williams foi o responsável pela trilha. Ele também foi o dono de sucessos marcantes em Star Wars e Indiana Jones. Dessa forma, a música inicial traz uma sensação de perigo iminente. Ela nos diz que algo ruim irá acontecer. Não sabemos de onde virá, nem quando, mas o perigo é certo. Aliás, isso não aconteceu de propósito.

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    Por exemplo, o clima de tensão constante era potencializado por causa dos defeitos que aconteciam no tubarão mecânico. Como forma de compensação, Spielberg mostrava apenas as barbatanas do tubarão. Ademais, a forma como a câmera ficava disposta debaixo d’água sugeria a aproximação do tubarão. Assim, essas soluções, aliadas à música de tons graves e urgentes, causavam pânico entre aqueles que assistiam ao filme.

    O negacionismo do prefeito como alegoria do nosso negacionismo

    Outro ponto importante a se destacar no filme Tubarão é a forma como o prefeito Vaughn se porta diante das informações passadas a respeito do animal. Como dito acima, ele menosprezou as mortes que aconteciam na cidade, atribuindo isso a acidentes pontuais. Ou seja, para o prefeito, as festividades do 4 de julho eram mais importantes, pois isso era sinônimo de turistas chegando e, consequentemente, o dinheiro.

    Uma frase que ilustra muito bem essa situação é dita por ele mesmo ao chefe Brody, como forma de amenizar a situação. O prefeito diz: “é psicológico: se você gritar ‘barracuda’, as pessoas vão dizer: ‘o que?’ Agora, se você dizer “tubarão”, você irá criar um pânico em pleno 4 de julho”.

    Em um ponto do filme, outras pessoas chegam a discutir se as praias devem ficar abertas ou não, sempre mostrando como os comerciantes iriam se prejudicar. Dessa forma, diante do temor da população, a imagem do prefeito começa a ficar arranhada. Por isso, no dia das festividades, o prefeito assegura a uma emissora de TV que tudo está correndo bem.

    A psicologia diante das catástrofes

    Isso lembra bastante o período em que vivemos na pandemia de coronavírus. Isto é, existe um governante que nega a realidade em que vivemos e existem aquelas pessoas que ignoram a doença e suas consequências, minimizando seu potencial.

    Sendo assim, este filme de tubarão nos mostra que ignorar a realidade é um mecanismo de defesa que sempre foi e sempre será propagado. Por isso, muitas pessoas, para não se desesperar, dizem que está tudo bem e não há com o que se preocupar. Isso, claro, muitas vezes acontece porque o perigo não está perto (ou elas acreditam não estar).

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    Como resultado, quando o perigo chega, pode ser tarde demais. Portanto, isto não é uma mera coincidência.

    Considerações finais sobre o filme Tubarão

    Tubarão de Steven Spielberg foi um marco na cinematografia mundial. O filme estabeleceu recordes de bilheteria e criou o conceito de blockbuster. Desse modo, outros filmes como Star Wars potencializaram esse conceito, ditando uma nova regra em Hollywood.

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