sonhos pelo olhar psicanalítico

Os sonhos pelo olhar psicanalítico

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Faremos um breve relato sobre o Pai da Psicanalise, Sigmund Freud, sobre seus feitos e conhecimentos investigativo sobre os fenômenos que envolve as dimensões psíquicas quanto a interpretação dos sonhos – o inconsciente – e conhecimento de seu “discípulo” Carl Jung, posteriormente as descobertas de Freud. Continue a leitura e entenda os sonhos pelo olhar psicanalítico.

O que são os sonhos pelo olhar psicanalítico

Falar sobre sono, sonhos e desejos tem sua origem investigativa nos trabalhos científicos deixados por Freud, ele é conhecido como o Pai da Psicanalise, e isso se dá pelo profissional desbravador que foi, por ter se dedicado em investigar o “algo” por trás dos inúmeros comportamentos humano em uma época em que inúmeras pessoas se comportavam de tal maneira que preocupava a medicina.

Muitos dos comportamentos eram associados a uma enfermidade que antes de ser investigada por Freud, era atrelada somente as mulheres por associarem ao órgão feminino – útero – Freud logo desvendou o equívoco médico percebendo que tal enfermidade adoecia homens e mulheres, ele fez afirmativas contundentes que servem de parâmetros analíticos para a saúde mental, emocional e sentimental.

A Interpretação dos sonhos pelo olhar psicanalítico

Freud, pioneiro das dimensões subjetivas, escreveu o livro A Interpretação dos Sonhos e seu livro é considerado um livro de cunho científico, por ser um livro que marca o início da Interpretação dos Sonhos. Até antes a data de sua publicação, os sonhos eram vistos apenas como presságios por aqueles que buscavam adivinhar os significados simbólicos dos sonhos.

Para Freud os sonhos possuem ligações para com os desejos infantis que foram recalcados e reprimidos ainda na infância, ele enfatiza que se trata de um material real que se converte em pensamentos e desejos inconscientes, e que surgem nos sonhos.

Freud fomenta que os sonhos podem ter também ligação nos desejos por algo recente e que precisou ser recalcado, ele afirma que os sonhos são mecanismos das dimensões subjetivas da mente por possuir ligação para com o inconsciente.

Jung e os sonhos pelo olhar psicanalítico

Jung, era “discípulo” de Freud, e mesmo assim tinha sua própria visão sobre os sonhos, sua afirmativa: “Na apreciação de um sonho é importantíssimo notar como as figuras são introduzidas.” (Jung, p. 113), ele não temeu “discordar” da visão de Freud e assim expressar a sua, “O sonho é, portanto, um produto natural e altamente objetivo da psique, do qual podemos esperar indicações ou pelo menos pistas de certas tendências básicas do processo psíquico.” (Jung, p. 19).

Sono, Sonhos e Desejos

Os sonhos nada mais são que o resultado de uma atividade mental inconsciente convertida em símbolos, durante o sono. Para Freud todo sonho tem sua origem no desejo, ele descreve os sonhos como algo importante para a vida humana por serem forças propulsoras que possui pulsão latente para se tornar real, ou seja, são desejos que buscam realizações, Freud enfatiza, “No sono a psiquê se isola do mundo externo…” (Freud, p. 79).

É possível sonhar acordado em desejo por algo e este sonho é aquele em que o ser humano se vê com o objeto de desejo, o sonhar de olhos abertos é uma imaginação simbólica consciente pelo objeto real, que por consequente pode vir a se tornar um sonho sem vigília, o sonho dormindo, aquele em que a pessoa entra em sono “profundo” e este sono permite que o inconsciente se manifeste através de sonhos em diferentes facetas, Jung assim nos fala, “Os sonhos contém imagens e associações de pensamentos que não criamos através da intenção inconsciente.” (Jung, p. 19), ou seja, o inconsciente “converte” o desejo real em símbolos.

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Existe a possibilidade de o inconsciente não converter o desejo real em símbolos e apresentar o desejo real de maneira real nos sonhos, Freud revela que todo sonho é de “caráter” egoísta, pois os sonhos são os desejos por/em algo que se deseja ter/ser, sendo assim, se compreende que os sonhos são regidos pelo princípio do prazer e do desprazer.

Mecanismos Próprios dos Sonhos

Os desejos recalcados, os pensamentos, e as memórias “esquecidas” que surgem nos sonhos que ameaçam a pessoa despertar do sono, todo esse contexto é denominado por Freud de conteúdo latente; já as experiências consciente durante o sono são conteúdos denominados como sonho manifesto.

Sendo assim, a elaboração de sonho são operações frente as situações que visam converter os conteúdos manifestos em conteúdos latentes, Freud assim afirma, “…durante o sono há uma incapacidade de dar expressão direta aos pensamentos oníricos.” (Freud, p. 169).

Todo sonho, mesmo em inúmeras representações, possui uma série de mecanismos próprios, assim são eles e as suas características:

  • Condensação – “Um dos modos essenciais do funcionamento dos processos inconscientes. Uma representação única representa por si só várias cadeias associativas, em cuja interseção ela se encontra.” – Laplanche e Pontali, p. 87.
  • Conteúdo Latente – “Conjunto de significações a que chega a análise de uma produção do inconsciente, particularmente do sonho.” – Laplanche e Pontalis, p. 99.
  • Conteúdo Manifesto – “Designa o sonho antes de ser submetido à investigação analítica, tal como aparece ao sonhante que relata.” – Laplanche e Pontalis, p. 100.
  • Deslocamento – “Fato de a importância, o interesse, a intensidade de uma representação ser suscetível de se destacar dela para passar a outras representações originalmente pouco intensas, ligadas à primeira por uma cadeia associativa.” – Laplanche e Pontalis, p. 116.
  • Elaboração – “Expressão utilizada por Freud para designar, em diversos contextos, o trabalho realizado pelo aparelho psíquico com o fim de dominar as excitações que chegam até ele e cuja acumulação corre o risco de ser patogênica.” – Laplanche e Pontalis, p. 143.
  • Simbolismo – “a) Em sentido amplo, modo de representação indireta e figurada de uma ideia, de um conflito, de um desejo inconscientes; neste sentido, em psicanalise, podemos considerar simbólica qualquer formação substitutiva. b) Em sentido restrito, modo de representação que se distingue principalmente pela constância da relação entre o símbolo e o simbolizado inconsciente.” – Laplanche e Pontalis, p. 481.

Outras funções dos sonhos pelo olhar psicanalítico

Freud faz revelações em que os sonhos possui outras funções, cuja as finalidades se entrelaçam para o desvendar dessa atividade mental, assim são elas: a descarga pulsional, a função adaptativa ou de integração do ego, linguagem e comunicação; a função elaborativa e processo criativo, Jung fomenta, “O conhecimento profundo só é adquirido mediante leituras especializadas, de um lado, e experiências práticas de outro.” (Jung, p. 17).

O ser humano ao entrar em sono ele se encontra em estado de inconsciência e quando acorda, retorna a consciência, e não é possível dar continuidade ao sonho sob o comando da consciência, essa experiência psíquica se mostra para a pessoa de maneira inesperada e não programada, e jamais sob domínio de qualquer comando consciente, Freud afirma, “…existem sonhos que são realizações não veladas de desejos.” (Freud, p. 175).

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    Jung ressalta, “Por isso devemos acreditar que o sonho é exatamente o que deve ser, nem mais e nem menos: Quando representa alguma coisa em seu aspecto negativo, não há motivo para se acreditar que isso deva ser interpretado no sentido positivo, ou coisa que o valha.” (Jung, p. 113). As experiências que surgem na mente humana durante o sono, denominadas sonhos, lembranças e memórias, surgem na consciência em estado de sono por se tratar de representações simbólicas inconscientemente.

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    Conclusão

    Os sonhos são os desejos recalcados, desejos inconscientes que se apresentam como símbolos no sono, e quando um sonho é interrompido, este sonho não é possível ser retomado. Nos sonhos não há censura, ele se manifesta como “ele quer” e todo sonho tem um contexto significativo por trás, mas isso se da pelo real desejo que se converteu em “código” subjetivo.

    Referências bibliográficas

    Freud, Sigmund – A Interpretação dos Sonhos – p. 79, 169 e 175, 1º ed., Companhia das Letras, 2019. Jung, Carl – Psicologia do Inconsciente 7/1 – p. 17 e 113, 24º ed., Vozes, 2020. Jung, Carl – Psicologia do Inconsciente 7/2 – p. 19, 24º ed., Vozes, 2020. Laplanche, Jean e Pontalis, Jean – Vocabulário da Psicanálise – p. 87, 99, 100, 116, 143 e 481, 4º ed., Martins Fontes, 2016.

    O presente artigo foi escrito por Jamily Sombra([email protected]).

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