Quem são os Filósofos da Natureza?

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A humanidade já se valeu de seus mitos e sabedoria para significar os movimentos comuns, mas inexplicáveis da natureza. Por meio disso, ajudam a fundamentar a organização sociopolítica de tempos passados e construir os pilares do futuro. Veja a história e produção alguns dos filósofos da natureza e de que maneira ajudaram a fundamentar os mitos da época.

Tales de Mileto

Tales de Mileto se mostra como um dos fundadores da filosofia grega, sendo um dos filósofos da natureza mais famosos. Embora não possua tanto material escrito, Tales sobreviveu ao tempo graças ao repasse do conhecimento via oral. Além de ser um filósofo, era um grande astrônomo e matemático do seu tempo.

Buscando por uma resposta mais racional, o questionamento famoso “Qual é a causa última, o princípio supremo de todas as coisas?” surge. Assim, observando a natureza, dentre todos os elementos, concluiu que a água era o pilar supremo de toda a vida. Mesmo sendo até simplista a resposta, se nota que é o único elemento que se apresenta em variadas formas.

Porém, foi a partir daí que Tales estabeleceu o termo physis, significando a realidade primária de toda a natureza. Ser contar que, seguindo o princípio de Tales, a água era um reflexo direto da fluidez universal.

Anaximandro de Mileto

Anaximandro de Mileto foi um dos filósofos da natureza, sendo discípulo e conterrâneo de Tales. Entretanto, ao contrário do seu guia, deixou documentado o tratado Sobre a natureza, mas que sobreviveu, em maior parte, na oralidade. A sua tradução acabou servindo de material de origem para discussões filosóficas ao longo do tempo.

Anaximandro não concordava com a visão de Tales de que a água poderia ser o princípio de algo. Isso porque a mesma já era derivação de outra coisa, já que não havia fundamentalidade na sua existência primordial. O princípio, para ele, era o próprio infinito, ligado ao divino sem ter nascido de algo ou capaz de morrer.

Dada à riqueza dessa perspectiva em relação à proposta, é perfeitamente possível e adequado estudar esse fragmento a fundo. Aqui se concentra ideias contrárias, do “juiz de tudo” e da dupla justiça, alcançando um detalhamento superior ao seu mestre.

Anaxímenes de Mileto

Anaxímenes foi discípulo de Anaximandro, ajudando a propagar a visão do mestre sobre a filosofia da natureza. Todavia, embora concordasse com ele, Anaxímenes defende que esse princípio infinito deve ser visto como algo físico. Assim, aponta para o ar, já que ele se sustenta e se encaminha como nossa alma propagando a vida.

Anaxímenes resgatava a imagem de Tales afirmando que tudo no mundo respira e possui alma. Nisso, o ar seria o elemento da respiração do próprio princípio, incluindo os homens e divindades. Sem contar que, além de defender o movimento cíclico, indicou que no elemento estaria a condensação de todos os corpos.

Xenófanes de Cólofon

Xenófanes construiu o seu nome entre os filósofos da natureza sendo contrário à concepção mítica. Segundo historiadores, o próprio Aristóteles o considerava o fundador da escola eleática. Por meio dos fragmentos resultantes desse movimento, surgem diretrizes para construir melhor nosso entendimento, como:

FRAGMENTO 11

Aos deuses atribuíram Homeros e Hesíodos tudo

o que entre os homens é vergonhoso e digno de

[ censura:

roubar, cometer adultério e enganar uns aos outros.

FRAGMENTO 15

Mas se os bois, os cavalos e os leões tivessem mãos

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ou se fossem capazes como os homens de pintar

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[ obras com as mãos,

os cavalos como os cavalos, os bois como os bois

pintariam o aspecto dos deuses, e fariam o corpo deles.

tal qual cada um deles o tem.

FRAGMENTO 34

E ninguém portanto conhece ou conhecerá jamais

a verdade sobre os deuses e todas as coisas de que

[ falo; (…)

FRAGMENTO 23

Um deus, o maior entre os deuses e os homens,

que em nada se assemelha aos mortais, nem no corpo

[ nem na mente.

Pitágoras de Samos

Pitágoras, talvez, tenha sido um dos mais famosos filósofos da natureza, visto como um gênio da humanidade. O mesmo era versado em várias áreas do conhecimento, condensando e unificando muito bem isso em seus estudos e reflexões. Por exemplo, a matemática, astronomia, geometria, filosofia, mística, ascese… Etc.

Nele, nos deparamos com a ideia damônada, modificado posteriormente por Leibnitz. Seguindo as falas:

“o princípio de todas as coisas é a mônada; dela procede a díada indeterminada, que serve de substrato material à mônada, que é a sua causa. Da mônada e da díada indeterminada nascem os números; dos números nascem os pontos e destes, as linhas, das quais procedem as figuras planas. Das figuras planas nascem as figuras sólidas e destas, os corpos sensíveis, cujos elementos são quatro, a saber. O fogo, a água, a terra e o ar. Estes elementos mudam-se e transformam-se uns nos outros, originando-se deles um universo dotado de alma e de razão, de forma esférica, em cujo ponto central está a terra, também ela esférica e habitada”.

Ademais, a doutrina das almas influenciou o pensamento filosófico, sendo que são imortais e de matéria que não pode ser maculada. Para Pitágoras, os números, e não elementos, eram os princípios universais da natureza. Além de mostrar a relação da natureza, exibiam também a conexão entre coisas e que a unidade gera multiplicidade.

Heráclito de Éfeso

Heráclito se destaca entre os filósofos da natureza por, aparentemente, ter deixado suas ideias através de poesias. Para ele, o elemento agente do princípio é o fogo, pois ele flui, se movimenta e não dura para sempre. As coisas se formariam pelo fogo, sendo também destruídas por ele.

Já o elemento regente seria o logos, sendo que esse delimita o movimento de tudo o que se mexe. Dentre seus poemas mais conhecidos, percebemos:

FRAGMENTO 101

A mim mesmo me procurei.

FRAGMENTO 123

A natureza das coisas gosta de ficar escondida.

FRAGMENTO 51

Não compreendem como aquilo que está separado se reúne consigo mesmo; há harmonia na tensão contrária, como no caso do arco e da lira.

FRAGMENTO 88

E como uma coisa só, a vida e a morte, a vigília e o sono, a juventude e a velhice; pois essas coisas quando mudam são aquelas, e aquelas, são estas.

FRAGMENTO 90

Por fogo se trocam todas as coisas, e fogo por todas as coisas, assim como mercadorias por ouro e ouro por mercadorias.

Parmênides de Eléia

Parmênides incorporou bastante dos pensamentos Xenófanes e se tornou o maior expoente da escola eleática, sendo influente na sociopolítica grega. Segundo ele, a verdadeira realidade é o ser e o não-ser era inexistente, pois pensar nele o tornava ser. Isso fica exposto no “O ser e o pensar são a mesma coisa… Sem o ser, no qual o pensar se encontra expresso, não há pensamento”.

Em Sobre a natureza, se dividindo entre nas duas partes Da verdade e Da opinião, respectivamente. A sua intensa preocupação com o ser o colocou como um dos primeiros metafísicos renomados. De acordo com ele, é o único caminho existente para que alcancemos a verdade, sendo o caminho da razão.

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Assim, Parmênides conclui que não existe a possibilidade de mudança na natureza, pois tudo o que ela é sempre existiu. Isso porque o que existe agora não pode ter nascido do nada ou se transformado disso. Sem contar que as transformações naturais seriam frutos da ilusão dos nossos sentidos.

Considerações finais sobre os filósofos da natureza

Os filósofos da natureza construíram perspectivas diversificadas para solidificar a concepção da própria existência. Com base em seus estudos, o ponto de convergência estaria vinculado à natureza, naquilo que conhecemos e no que vamos descobrir. Mesmo complicada de início, a proposta de cada um é rica e reflete a própria época.

A lista acima condensa os membros mais conhecidos da filosofia da natureza, mas não eram os únicos. Entre discípulos, influenciados e autodidatas, citamos Empédocles de Agrigento, Demócrito de Abdera, Anaxágoras de Clazômena, Zenão de Eléia… Etc. Contudo, ainda que não sejam aprofundados aqui, possuem grande relevância ao debate da existência.

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