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Formação da Personalidade segundo a Psicanálise

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Para a Psicanálise, a formação da personalidade coincide com a formação e estruturação da mente. Vamos entender como Freud compreende a personalidade e a estrutura mental.

Freud teve duas posições durante sua obra. Elas são chamadas de primeira e segunda tópicas ou, respectivamente, modelo topográfico e modelo estrutural.

Um ser dividido, com o início da formação de personalidade na infância

O interessante é vermos que, para Freud, o ser humano não é um indivíduo. Isso porque ele está “dividido”. Seus desejos, suas razões e seus apelos morais não coincidem. Pois são formados em momentos diferentes da vida, usando estruturas mentais diferentes.

A infância tem papel essencial na formação da personalidade. Para Freud, a infância já é um lugar da sexualidade, do desejo, das pulsões. E os eventos da infância, mesmo quando “esquecidos” (recalcados), podem perdurar por toda nossa vida, guiando nossas percepções, emoções e crenças.

O principal conceito freudiano: o inconsciente

Freud valorizava de forma bastante especial o inconsciente, o qual considerava que regia o comportamento humano.

Baseado na sua experiência clínica, Freud, acreditava que a fonte das perturbações emocionais estava nas experiências traumáticas reprimidas nos primeiros anos de vida.

Freud desenvolveu a psicanálise, uma terapêutica que tem por possibilitar às pessoas o conhecimento de seus próprios conflitos emocionais inconscientes.

Para Freud a formação da personalidade dá-se nos primeiros anos de vida, quando as crianças lidam com os conflitos entre os impulsos biológicos inatos, ligados às pulsões e às exigências da sociedade.

A formação da personalidade, segundo a Teoria Topográfica

A Teoria Topográfica é uma teoria criada por Freud no livro “A Interpretação dos Sonhos”. Nessa teoria, Freud divide o aparelho psíquico em três sistemas mentais correlacionados entre si e entre à consciência: Consciente, Pré-consciente e Inconsciente.

Os Sistemas Consciente, Pré-Consciente e Inconsciente

1. Para Freud, o consciente é somente uma pequena parte da mente, que inclui todas as coisas das quais temos consciência em um dado momento. É a capacidade de ter percepção dos sentimentos, pensamentos, lembranças e fantasias.

2. Pré-Consciente é uma parte do inconsciente que pode tornar-se consciente com facilidade. São as porções da memória que nos são facilmente acessíveis. É no pré-consciente que estão os pensamentos, as ideias, as experiências, os conhecimentos, as lembranças de ontem, que podem ser trazidas à consciência, com algum esforço.

3. O sistema inconsciente abriga elementos instintivos, que não são acessíveis pela consciência. Há também o que foi excluído da consciência, censurado e reprimido. Este material não é esquecido nem perdido, entretanto não é possível ser lembrado.

A formação da personalidade segundo a Teoria Estrutural

Falaremos agora da Teoria Estrutural, conhecida como a Segunda Tópica, que é a fase mais madura da obra freudiana.

As observações feitas por Freud revelaram uma série interminável de conflitos psíquicos. A um instinto opunha-se outro. Eram proibições sociais que bloqueavam pulsões biológicas e os modos de enfrentar situações que se chocavam.

Freud tentou ordenar este caos aparente propondo três hipotéticas instâncias da formação da personalidade: id, ego e superego.

1. O ID

É no Id que estão as pulsões. O Id é irracional, ilógico e impulsivo. O Id busca o prazer, desconsiderando as consequências. Ele quer a satisfação imediata de seus impulsos. O Id pode ser comparado a um cavalo que tem muita força, mas que depende do cavaleiro para usar adequadamente essa força.

Os conteúdos do Id são quase todos inconscientes, e isto inclui as configurações mentais que nunca se tornaram conscientes, da mesma forma como o material que não foi aceito pela consciência.

Um pensamento ou uma lembrança, que foi excluído da consciência, mas que se encontra na área do Id, será capaz de influenciar toda vida mental de uma pessoa.

2. O EGO

O Ego está em contato com a realidade. Funciona a nível consciente e pré-consciente, embora também contenha elementos inconscientes. O Ego protege o Id, mas extrai dele a energia suficiente para suas realizações. O Ego tem a tarefa de garantir a saúde, segurança e sanidade da personalidade (autopreservação).

Ego tem a função controlar as exigências dos instintos do Id, decidindo se elas devem ou não ser satisfeitas, adiando-as para momentos mais favoráveis ou as suprimindo inteiramente. O ego busca o prazer e evita o desprazer.

Assim, o ego é originalmente criado pelo Id, na tentativa de melhor enfrentar as necessidades de reduzir a tensão e aumentar o prazer. Contudo, para fazer isto, o Ego tem de controlar ou regular os impulsos do Id, de modo que a pessoa possa buscar soluções mais adequadas, ainda que menos imediatas e mais realistas.

3. O SUPEREGO

O Superego se desenvolve a partir do Ego e atua como um juiz ou censor sobre as atividades e pensamentos do Ego.

Nele estão os códigos morais, modelos de conduta e os parâmetros que constituem as inibições da personalidade. Freud descreve três funções do Superego: consciência, auto-observação e formação de ideais.

Enquanto consciência pessoal, o Superego age tanto para restringir, proibir ou julgar a atividade consciente, porém, ele também pode agir inconscientemente. As restrições inconscientes são indiretas e podem aparecer sob a forma de compulsões ou proibições.

O Superego tem a capacidade de avaliar as atividades da pessoa, independentemente das pulsões do Id para tensão-redução e independentemente do Ego, que também está envolvido na satisfação das necessidades.

Relações entre os três componentes da psique na formação da personalidade

A meta fundamental da psique é manter e/ou recuperar um nível aceitável de equilíbrio dinâmico que maximiza o prazer e minimiza o desprazer.

Todo o processo inicia-se no Id, que é de natureza primitiva, instintiva. 0 ego, surge do id e existe para lidar com a realidade das pulsões básicas do id e também atua como mediador entre as forças que operam no Id e no Superego e as exigências da realidade externa.

O Superego, surge do ego, e age como um freio moral ou uma força contrária aos interesses do ego. Ele determina normas que definem e limitam a flexibilidade do Ego.

É necessário esforço para tornar consciente os conteúdos do inconsciente

O id é inteiramente inconsciente, o ego e o superego o são em parte. “Grande parte do ego e do superego pode permanecer inconsciente e é normalmente inconsciente. Isto é, a pessoa nada sabe dos conteúdos dos mesmos e é necessário despender esforços para torná-los conscientes” (1933, livro 28, p. 89 na ed. bras.)

O propósito da psicanálise

Nesses termos, o propósito prático da psicanálise “é, na verdade, fortalecer o ego, fazê-lo mais independente do superego, ampliar seu campo de percepção e expandir sua organização, de maneira a poder assenhorear-se de novas partes do id”.

Conclusão

Em suma, a teoria de Freud constituiu uma importante contribuição histórica para entendermos a formação da personalidade, que é o mesmo que a formação do sujeito.

Fez-nos tomar consciência dos pensamentos e emoções inconscientes, da ambivalência das relações precoces de pais e filhos, e da presença, desde o nascimento, de pulsões sexuais.

Assim, o método psicanalítico influenciou muito a psicoterapia atual, bem como as ciências humanas e médicas.

Autora: Adriane Queder, especialmente para o site do Curso de Formação em Psicanálise Clínica.

 

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