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Método terapêutico de Freud: passos e etapas

Posted on Posted in Psicanálise, Teoria Psicanalítica

Freud desenvolveu o método terapêutico da Psicanálise. Como funcionava este método de psicoterapia, criado na virada do século XIX para o século XX? Freud dedicou sua vida a praticar a psicanálise em seus atendimentos clínicos e a refletir sobre esses atendimentos.

Neste processo, Freud acreditava encontrar uma solução para um maior número de casos. Tal método foi compartilhado por Freud em sua extensa e profunda obra.

As bases do método terapêutico psicanalítico de Freud

No tocante aos eventos que afligiram os pacientes atendidos por Freud, o psicanalista identificou uma característica universal: todas essas representações eram de natureza aflitiva, capazes de despertar sentimentos de dor psíquica.

Dessa forma, todas as representações eram de uma espécie que o paciente preferiria não ter vivenciado e de que seria mais viável não se lembrar.

A defesa contra as recordações traumáticas

Foi a partir dessa constatação que, para o criador da Psicanálise, veio à tona o conceito de “defesa”. Isso significa que a psique do paciente, diante de tais afetos prejudiciais, desenvolve mecanismos inconscientes de bloqueio às lembranças nocivas.

De alguma forma, os mecanismos de defesa agem de modo a disfarçar certas recordações.

O conceito de cura na terapia psicanalítica

De acordo com a teoria desenvolvida por Freud, a cura das perturbações que afligem a personalidade do indivíduo requer que as recordações traumáticas sejam alcançadas pela terapia.

E isso só é possível desde que o ego do paciente seja apanhado temporariamente desprevenido, já que ele está sempre empenhado em defender-se e ocultar aquelas lembranças e seus afetos patológicos.

O desenvolvimento de técnicas terapêuticas

Assim, Freud desenvolveu algumas técnicas terapêuticas, entre elas, a de pressionar a testa do paciente. É preciso estar ciente de que o processo é laborioso e exige muito tempo do médico.
Além disso, o processo só é aplicável desde que o paciente atenda a certo nível de inteligência, e é inviável no caso de pacientes com alguma debilidade mental.

Como funciona o método terapêutico?

Dados esses pressupostos, tal artifício técnico cunhado por Freud pode ser descrito conforme as seguintes etapas:

Primeiro: o terapeuta deve informar ao paciente que fará uma pressão com as mãos sobre sua testa. Nesse momento, deve garantir-lhe que, enquanto a pressão persistir, o paciente retomará a recordação sob a forma de um quadro ou de uma ideia. Essas ideia deve ser relatada.

Entre as instruções sobre como se proceder em relação a essas recordações emergentes, Freud sugere que o paciente não deve ocultá-las, mesmo que as considere inúteis, indesejáveis, insignificantes ou desagradáveis. Ele ainda afirma que não se deve impor nenhuma crítica e reticência, sejam estas decorrentes de questões emocionais ou porque o paciente as julgue sem importância.

Segundo Freud, essa é a única maneira de se encontrar aquilo que se procura.

Segundo: tenta-se estabelecer uma pressão, por alguns segundos, na testa do paciente, que permanece deitado diante do psicanalista. Em seguida, a pressão deve ser relaxada.

O terapeuta, então, sempre sinalizando que não há nenhuma hipótese de decepção, pergunta calmamente: “O que lhe ocorreu?” ou “O que você viu?”.

Como destaca Freud, essa pressão na testa poderia ser substituída por qualquer outro exercício de influência física sobre o paciente.

As diretrizes do método terapêutico de Freud

Esse procedimento, segundo Freud, aponta as diretrizes da terapia, de acordo com as lembranças reveladas pelo paciente. A pressão na testa destaca ligações que haviam sido esquecidas. Em outras, evoca e organiza pensamentos que haviam sido apagados há muito tempo.

Na melhor das hipóteses, o método faz com que venham à tona os afetos que o paciente jamais assumiria, dos quais nunca se lembraria. O paciente descobrirá que esses pensamentos são a chave para a eliminação dos sintomas neuróticos.

Freud chama atenção para a importância do psicanalista ser insistente, diante de relutâncias do paciente.

O Psicanalista deve passar credibilidade e confiança ao seu paciente

Da maneira como foi concebido por Freud, o método terapêutico requer algumas condições, entre elas, que o analista tenha interesse pessoal pelos seus pacientes e transmita o sentimento de solidariedade para com sua causa.

É fundamental ainda que ele esteja apto a convencê-lo quanto à viabilidade do tratamento e, acima de tudo, que conquiste a sua confiança – já que a terapia, invariavelmente, resulta na revelação de segredos do paciente, seus eventos psíquicos mais íntimos e confidenciais.

O abandono do tratamento psicanalítico pelos seus pacientes

De acordo com Freud, muitos dos pacientes que eram submetidos ao tratamento psicanalítico abandonavam seu analista, quando perdiam a confiança a respeito da direção do tratamento. Ou seja, apesar da convivência, não se estabelecera ali uma relação de afeto entre eles, e o profissional seguia sendo visto como um estranho.

No caso dos pacientes que, de maneira voluntária, concedem a plena confiança a seu psicanalista, a relação pessoal entre eles chega, quase que inevitavelmente, a sobrepor a mera relação profissional.

A cura das perturbações pode ser mais rápida através do método terapêutico

Algumas observações em relação às expectativas do psicanalista podem ser destacadas. Segundo Freud, ele deve se contentar em fazer com que o paciente recupere sua capacidade de trabalho, e não deve preocupar-se com a possibilidade futura de uma recaída.

É importante também estar ciente de que a doença não pode ser interrompida de súbito, sendo necessário esperar que ela siga seu curso e, enquanto isso, tornar a situação do paciente tão favorável quanto possível. É importante também que o psicanalista esteja preparado para lidar com a substituição dos sintomas eliminados por outros sintomas, algo que é corriqueiro em terapias desse tipo.

Assim, perturbações da mente, como ressalta o Freud, são passíveis de desaparecerem espontaneamente, mas, uma vez que a cura espontânea não é rápida nem completa o suficiente, pode ser potencializada por meio da intervenção do método terapêutico.

Autor: Matheus Espíndola, exclusivo para o site de nosso Curso.

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