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Hipnose moderna: conceito e aplicações

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O que é hipnose e como ela pode colaborar com o desenvolvimento pessoal? Neste artigo, vamos falar desta relevante técnica e refletir sobre as aplicações e benefícios da hipnose, com foco especial nas técnicas da hipnose moderna, isto é, na compreensão mais recente sobre a hipnose.

A hipnose como auxílio para o desenvolvimento

Ainda duvido que haja alguém que não queira ser uma pessoa cada dia melhor, nas diferentes áreas da vida. Pessoas são desejosas de novos aprendizados, de busca pela excelência, por desenvolver habilidades relacionais.

A hipnose poderá oportunizar às pessoas acessar seus recursos internos fundados na autoconfiança, liderança, coragem, dando suporte para construírem performance relacional, conquistas, metas e superação de medos.

Conceito de Hipnose

A Hipnose é um estado alterado de consciência induzido por profissionais capacitados. Ao atingir esse estado, o paciente experimenta mudanças, pois inúmeras estruturas cerebrais são acionadas, especialmente as relacionadas às memórias e às emoções.

Ela também é uma técnica que permite deixar a mente em um estado de serenidade, denominado transe. A pessoa nesse estado, pode ser conduzida a acessar recursos e memórias internas inacessíveis, contribuindo com o tratamento de depressão, medo, ansiedade e etc.

O transe

James Braid definiu o transe como um “estado de sono do sistema nervoso”. E foi ele que cunhou o termo hipnose, que vem do grego Hypnos, que significa o deus do sono, vindo a rever sua declaração que hipnose e sono são coisas diferentes.

No final do século XIX, o neurologista francês Jean-Martin Charcot, utilizava-se da hipnose para tratamentos de pacientes histéricos, com distúrbios mentais.

A hipnose como precursora de mudanças no estado de consciência

Sigmund Freud, o criador da psicanálise, influenciado por Charcot, passa também a usar o hipnose para tratar de distúrbios nervosos, induzindo o paciente a uma mudança no estado de consciência, o que permitia uma investigação nas condutas da pessoa.

Para Milton Erickson, a hipnose, é um processo interpessoal, ou seja, uma maneira pela qual uma pessoa se comunica com outra, de dentro para fora.

A importância da Hipnose

É inegável a importância da Hipnose, pois ela oferece inúmeros recursos para várias áreas da vida, apesar de gerar desconfiança, por ter sido usada indevidamente em palcos, muitas vezes contrariando os princípios da ética, ou por pessoas desqualificadas.

Em 1961, no Brasil, chegou a ser proibida em ambiente terapêutico pelo então presidente Jânio Quadros, quando assinou o Decreto n.º 51.009, sendo desconsiderado somente no governo do presidente Fernando Collor de Mello.

Um tratamento sério

Isenta de perigo, quando é realizada por um profissional competente e bem preparado, a hipnose é considerada um dos mais sérios tratamentos e tem um dos códigos de ética internacional dos mais sérios e rigorosos.

Psicoterapêutas vêm a cada dia percebendo a importância da hipnose enquanto fornecedora de subsídios em suas sessões, pois ela favorece a liberação de memórias reprimidas e sensações, na medida em que oportuniza catarse em pacientes com sintomas de histerismo.

Aplicações e tratamentos

Inúmeras são as aplicações da hipnose, segundo Dr. Antônio Carlos de Moraes Passos, da Escola Paulista de Medicina e fundador da Sociedade de Hipnose:

  • Ansiedade em suas diversas formas
  • Estresse
  • Fobias
  • Síndromes pós-traumáticas
  • Transtornos alimentares
  • Transtornos do sono
  • Sexuais (relacionamento conjugal e familiar, da personalidade e etc…)
  • Doenças psicossomáticas
  • Síndromes dolorosas agudas e crônicas (Analgesia / Anestesia)
  • Preparo para exames invasivos e durante sua realização
  • Preparo pré-operatório, no per e pós-operatório

Diferenças entre hipnose tradicional e hipnose moderna

Segundo Zeig (in ERICKSON; HERSHMAN; SECTER, 2003, prefácio), o que distingue a hipnose tradicional da hipnoterapia ericksoniana:

1. Uso da abordagem indireta – , simplesmente sugerir (“Gostaria de saber como seria se você fosse sentindo seu braço ficar cada vez mais pesado até que não conseguisse mais movê-lo…“).

2. Hipnose como jogo interacional – o transe interacional aprimorado por Erickson consiste numa comunicação bilateral: os clientes não apenas ouvem comandos do operador, como dialogam com ele, tornando possível calibrar e/ou redirecionar os efeitos desejáveis para a obtenção de respostas ante o problema apresentado.

3. Pequenas mudanças, passo a passo – Erickson trabalhava meticulosamente, convidando os clientes a cumprirem tarefas simples e prosaicas, que, ao final, resultavam em mudanças profundas.

4. Foco no sintoma – as representações verbais e sensoriais do sintoma pelo cliente permitem que este seja transformado, melhorando seu estado geral sob um efeito “bola de neve”.

5. Respeito ao cliente – atenção centrada no cliente. Erickson recomendava a seus terapeutas que se perguntassem “o que meu cliente quer fazer agora?” em vez de se perguntarem “o que eu, como terapeuta, devo fazer agora (in ERICKSON; HERSHMAN; SECTER, 2003, prefácio, p. 11-12).

6. Hipnose como cooperação – a indução hipnótica era trabalhada no sentido de induzir à cooperação, terapeuta e cliente somando forças para superar as dificuldades do cliente.

7. Comunicação precisa – o hipnotizador deve estar consciente do que está comunicando ao sujeito, tanto por meio de palavras quanto através de seus comportamentos não-verbais.

8. Utilização dos sintomas – em vez de buscar simplesmente suprimir os sintomas, Erickson sugeria que tais fossem potencializados; tais exageros, por vezes, tornavam-se incômodos para o próprio cliente, que decidia abandonar o comportamento desagradável.

9. Adaptação da hipnoterapia – Erickson trabalhou para que sua abordagem fosse adaptada de acordo com o modo de ser de cada terapeuta, tornando-se conhecida como “terapia estratégica” ou “terapia não- convencional”.

10. Orientação para o futuro – “Uma das propostas da hipnose e da hipnoterapia é a conscientização do cliente de que ele não tem somente um passado extremamente importante: ele também tem um presente que é mais importante e um futuro ainda mais importante do que o presente e o passado” (in ERICKSON; HERSHMAN; SECTER, 2003, prefácio, p. 13).

Nas palavras de Zeig, sua abordagem era “extremamente prática”, tendo ele, por objetivo, “ajudar os clientes a assegurarem-se das melhores possibilidades para viver efetivamente” (in ERICKSON; HERSHMAN; SECTER, 2003).

CONCLUSÃO

Para Milton Erickson (2003), a hipnose contribuiu para o desenvolvimento dos mais profundos insights freudianos sobre o comportamento humano.

Sobre uma suposta fusão da hipnose com a psicanálise, destaca o trabalho do psicanalista alemão Ernst Simmel, que empregou a hipnose para o tratamento das neuroses de guerra, desenvolvendo uma técnica chamada hipnoanálise.

É essencial que o mundo conceda à hipnose seu merecedor crédito, pois ela objetiva auxiliar em tratamentos diversos, enquanto capta a atenção do paciente para extrair do cérebro respostas, pensamentos para auxiliar no tratamento.

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